Danielle Santoro
Por André Jankavski
Para O Estado de S.Paulo

 

O touro dourado foi retirado da frente da B3, a Bolsa de valores de São Paulo, localizada no centro da capital paulista, após  decisão da Comissão de Proteção à Paisagem Urbana (CPPU), que é o órgão ligado à Secretaria Municipal de Urbanismo e Licenciamento de São Paulo.

Após uma reunião realizada nesta terça-feira, 23, os integrantes da comissão decidiram que a peça não tinha licença para estar lá e ainda tinha caráter de peça publicitária. A Bolsa ainda receberá uma multa por ter infringido os artigos 39 e 40 da Lei Cidade Limpa, já que os responsáveis não consultaram a CPPU para realizar a instalação.

Em um encontro extraordinário, a CPPU decidiu por 5 votos a 4, além de uma abstenção, enviar a deliberação para a Suprefeitura da Sé para que a peça seja retirada.

Procurada, a Subprefeitura da Sé afirmou que ainda não recebeu a notificação para retirada e nem para calcular o valor da multa. Já a B3 afirmou que diante da decisão removerá a obra “no menor prazo possível, dada a necessidade de logística para a operação de retirada”.

O touro

O touro de ouro foi inaugurado no último dia 16 de novembro e tem como padrinho o empresário e influenciador digital Pablo Spyer, conhecido na internet como “Vai tourinho”, que é o seu bordão na internet. Spyer, que ocupou o cargo de diretor de importantes corretoras no Brasil, hoje é sócio da corretora XP na empresa que leva o nome do seu bordão.

Um dos pontos que o CPPU utilizou para dizer que a peça é publicitária é o vínculo que Pablo tem com o “touro de ouro”. Afinal, ele apresenta um programa com esse nome na rádio e na TV Jovem Pan. Procurado, Spyer não respondeu às mensagens. Mas, no Twitter, postou um vídeo com o momento da retirada do touro.

A peça vem criando polêmica desde a sua inauguração. O touro é o símbolo do mercado financeiro em todo o mundo, pois simboliza os períodos de alta das bolsas já que o ataque dele é de baixo para cima. Do outro lado fica o urso, que ataca de cima para baixo, representando os períodos de queda dos ativos de renda variável.

A peça mais simbólica, o “Charging Bull” feito pelo artista ítaloamericano Arturo Di Modica, fica localizado em Nova York e fez com que diversos touros fossem espalhados pelo mundo.

Chuva de críticas

Mas a instalação do touro em frente à Bolsa em São Paulo não agradou movimentos sociais, que consideram o momento econômico inapropriado, já que o País está com a inflação e o desemprego em alta e é esperada uma recessão para o ano que vem. Com isso, o touro amanheceu diversos dias avariado com mensagens de reprovação ou lembrando da situação econômica, como a palavra “fome”.

A peça foi inaugurada no último dia 16, com a presença de nomes ilustres do mercado financeiro, como o fundador da XP, Guilherme Benchimol,

Na cerimônia de inauguração da estátua, no dia 16, o presidente da B3, Gilson Finkelsztain, afirmou que o touro, presente nos principais mercados financeiros do mundo, é um presente para a cidade de São Paulo e, em especial, para o centro, região que marca a história do mercado financeiro do Brasil.