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29 de fevereiro de 2024 11:09

Varejo baiano: abril tem queda de 7,3% em relação a 2022

Varejo baiano: abril tem queda de 7,3% em relação a 2022

Resultado foi o sexto pior do Brasil

Por Correio 24 Horas – Bahia

Em abril de 2023, as vendas do comércio varejista da Bahia caíram 7,3% em relação ao mesmo período de 2023, conforme revela a nova edição do Índice de Atividade Econômica Stone Varejo, que apresenta dados mensais de movimentação no setor, divulgada nesta quinta-feira (11). O estudo é uma iniciativa da Stone, empresa de tecnologia e serviços financeiros, em parceria com o Instituto Propague.

O resultado registrado na Bahia no mês de abril foi o sexto pior do país e o quarto pior no eixo Norte-Nordeste, ficando atrás apenas do Rio Grande do Norte (18,2%), Alagoas (14,9%), Rio Grande do Sul (10,5%), Distrito Federal (9,4%), Sergipe (8,2%) e Rio de Janeiro (7,7%). A queda de 7,3% ainda foi a maior computada neste ano, visto que nos comparativos dos primeiros quatros meses de 2023 ante os mesmos meses de 2022, a maior queda havia sido de 5,4%, registrada em março. Em fevereiro houve queda 1,7% e em janeiro houve crescimento 4,55%.

A nível nacional, o varejo brasileiro teve retração de 7,7%. Seis segmentos não conseguiram alcançar resultados positivos, com a maior queda no setor de livros, jornais, revistas e papelarias (13,5%), tecidos, vestuário e calçados (12,3%), sub-segmento hipermercados e supermercados (11,8%), móveis e eletrodomésticos (7,6%), material de construção (6,4%) e hipermercados, supermercados, produtos alimentícios, bebidas e fumo (5,7%).

Entre todos os segmentos, apenas o de artigos farmacêuticos apresentou contínua melhora, com alta de 3,2% no volume de vendas, no comparativo anual e alta de 0,5% no comparativo mensal em abril. De acordo com o estudo, os resultados refletem,  principalmente, o impacto negativo dos dois feriados prolongados, com a ocorrência das chamadas “pontes”, nas quais os consumidores esticam os dias de descanso com o fim de semana. Essas emendas, que aconteceram com maior frequência no primeiro quadrimestre, impactaram o varejo, já que muitos consumidores optam por viajar e se afastam dos grandes centros, dificultando a manutenção do ritmo de vendas.

“Abril foi um mês atípico, com feriados seguidos, o que costuma ter um impacto negativo no varejo, especialmente para os pequenos negócios. Muitos consumidores optam por fazer compras online ou viajar para destinos turísticos, o que pode resultar em uma redução do fluxo de clientes nas lojas físicas”, explica pesquisador econômico e cientista de dados do Instituto Propague, Guilherme Freitas.

Muito além do feriado

O economista Antonio Carvalho reconhece que os feriados costumam ser desvantajosos para o varejo, mas não acredita que esse tenha sido o único fator responsável pela queda expressiva no percentual registrado em abril de 2023 ante o mesmo período do ano passado, especialmente na Bahia. “Para a categoria hipermercados e supermercados, esta [queda] não se justifica, pois, em caso de viagens, as pessoas apenas deslocam geograficamente o consumo. Ou seja, alimentos, bebidas e materiais de limpeza são adquiridos na cidade de destino”, esclarece.

Ele ainda acrescenta que para os casos de viagem turística, com deslocamento aéreo e hospedagem em hotel, o consumo dessa categoria não deveria apresentar queda tão significativa (11,8%). Também, uma vez que as famílias que não viajam aproveitam o feriado para celebrar com amigos e parentes, tem-se mais um motivo para não haver queda de consumo dessa categoria.

Assim, para Antonio Carvalho, é preciso considerar não apenas o feriado como causador do declínio do varejo no mês de abril. “Deve-se considerar a confiança na economia, a perspectivas de aumento quase insignificante da renda, posto o pequeno aumento de salário mínimo, de R$1.312,00 para R$1.320,00. Ainda há a inflação dos produtos que compõem a cesta de consumo da maioria das famílias, principalmente a carne bovina reduziu o poder de compra e, consequentemente, o consumo”, afirma.

Quanto a queda nacional no setor de livros, jornais, revistas e papelarias, Antonio acredita se tratar de uma tendência. “O consumo de informações no cenário tecnológico atual tem se tornado cada vez mais digital e acessível através de portais de notícias de acesso gratuito, e-books e livros digitais , assim é natural que o consumo dessa categoria apresente declínio”, pontua.

Já o economista Marcelo Ferreira atribui a diminuição das vendas nesse setor a uma questão de prioridade. “Para a pauta econômica das famílias, esse tipo de gasto não se configura, talvez, como despesas essenciais. Temos um momento de escassez de recursos para as famílias e, consequentemente, há uma tendência de se priorizar aqueles itens necessários à sobrevivência, como alimentação, vestuário, aluguel da casa, farmácia e medicamentos”, discorre.

Cenário desfavorável

Se o cenário atual aponta para a diminuição de vendas do varejo brasileiro, o quadro para o resto do ano não é muito melhor. Segundo Marcelo Ferreira, o conjunto de análises nacionais e internacionais a respeito da economia brasileira tem indicado uma situação pessimista para todo o ano de 2023, uma vez que há incertezas em todos os segmentos.

“Ainda não há definições a respeito do arcabouço fiscal do país, ainda não certeza sobre outros aspectos da economia e, consequentemente, isso torna os agentes econômicos cautelosos e com maior resistência a consumir e a investir de uma forma mais intensa. Portanto, isso faz com que a economia brasileira continue com um viés mais pessimista, porque há fatores como índices de desemprego ainda elevados, inflação acima do desejado, endividamento das famílias e um crescimento previsto muito modesto para o país. É uma perspectiva não muito favorável”, frisa. n

*Com orientação da subeditora Fernanda Varela

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