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21 de junho de 2024 16:16

Venda de ativos da Petrobras no RN rendeu R$ 2,38 bilhões

Venda de ativos da Petrobras no RN rendeu R$ 2,38 bilhões

As transações realizadas na Bacia Potiguar incluem a transferência à iniciativa privada de 46 campos terrestres e marítimos, uma termelétrica e um complexo eólico com quatro usinas

Por Margareth Grilo
Para Tribuna do Norte

Nos últimos vinte meses, a Petrobras vendeu R$ 2.382,86 bilhões (cerca de US$ 603,9 milhões) em ativos no Rio Grande do Norte, considerando a cotação da época de finalização das transações, entre 9 de dezembro de 2019 e 29 de julho deste ano. A concretização de vendas perdeu ritmo no último ano. Entre julho de 2020, quando a empresa somava R$ 2,123 bilhões em áreas vendidas, e o fim de julho passado, cresceu apenas 12,24%.
As transações realizadas na Bacia Potiguar incluem a transferência à iniciativa privada de 46 campos terrestres e marítimos, uma termelétrica e um complexo eólico com quatro usinas. Os dados são do Privatômetro, um instrumento elaborado pelos economistas Eric Gil Dantas e Tiago da Silva Silveira para o Observatório Social da Petrobras, que traz um raio-x das privatizações, e foram confirmados pela TRIBUNA DO NORTE em consulta aos Comunicados ao Mercado e planilhas enviadas pela Assessoria de Imprensa.
De acordo com planilha do Privatômetro, os últimos campos petrolíferos transferidos à iniciativa privada foram em 15 de julho de 2020, quando a Petrobras concluiu a venda total de sua participação (100%) nos campos terrestres Ponta do Mel e Redonda, em Areia Branca. Depois, a estatal vendeu sua participação nas usinas eólicas Mangue seco 1, 3 e 4 (abril de 2021), Mangue Seco 2 (maio de 2021), e na Termelétrica Potiguar (julho de 2021). No caso das eólicas, a venda somou 178,9 milhões. Já na Termelétrica Potiguar, onde a estatal vendeu os 20% de sua participação à Global Participações Energia S.A. (GPE), o valor recebido foi da ordem de US$ 16 milhões, o equivalente a R$ 81,3 milhões.
Até o momento, a maior transação em número de áreas e volume financeiro foi concluída em dezembro de 2019, quando a estatal transferiu para a E&P, subsidiária da Petrorecôncavo S.A, 34 campos terrestres no Polo Riacho da Forquila, recebendo por eles R$ 1,4 bilhão na cotação da época. A estatal ainda mantém, no Rio Grande do Norte 26 campos onshore e offshore, em produção; e um total de 1.100 empregados. No Polo Macau, foram vendidos sete campos terrestres e marítimos, em maio de 2020, e no Polo Pescada, três campos de água rasas, em julho de 2020.
No final de agosto deste ano, a Petrobras recebeu manifestação de interesse da 3R Petroleum sobre o projeto de desinvestimento do Polo Potiguar, que contempla um conjunto de três subpolos (Canto do Amaro, Alto do Rodrigues e Ubarana), totalizando 26 concessões de produção, 23 terrestres e 3 marítimas. Essas são as últimas concessões da estatal ativas em fase de  desinvestimento.
Além das concessões, estão incluídas na transação as infraestruturas de processamento, refino, logística, armazenamento, transporte e escoamento de petróleo e gás natural, e a Refinaria Clara Camarão localizada em Guamaré com capacidade instalada de refino de 39.600 bpd. Pelos ativos, a 3R Petroleum ofertou US$ 1 bilhão, um ano após a divulgação do teaser pela Petrobras, em agosto de 2020.
As concessões do subpolo Ubarana estão localizadas em águas rasas, entre 10 e 22 km da costa do município de Guamaré-RN. As demais concessões dos subpolos Canto do Amaro e Alto do Rodrigues são terrestres. A produção média do Polo Potiguar de janeiro a junho de 2020 foi de aproximadamente 23 mil barris de óleo por dia (bpd) e 124 mil m³/dia de gás natural.
Desafios
Para o vice-presidente executivo da Organização Nacional da Indústria do Petróleo (ONIP), Márcio Félix, “são muitos desinvestimentos ocorrendo simultaneamente no Brasil, o que aumenta muito o desafio de concretizar todos os negócios com velocidade”. “A parte mais difícil acredito que já passou”, acrescentou. Ao analisar os desinvestimentos, ele afirma que o “onshore Potiguar já está se destacando bastante, mas certamente a conclusão da venda do Polo Potiguar será um marco histórico, o que deve acontecer nos próximos meses”.
A produção, avalia o vice-presidente executivo da Onip,  ainda está sendo retomada, “com exemplos de crescimento no Rio Grande do Norte, tanto por parte da Potiguar E&P como da 3R Petroleum e outras operadoras. “Certamente o melhor ainda está por vir com projetos de recuperação avançada de petróleo e novas descobertas em áreas exploratórias, incluindo gás. Antevejo uma década de sucesso para o onshore potiguar”, afirma  Márcio Felix.
O panorama geral de desinvestimento da Petrobras, no Rio Grande do Norte “aponta para uma perda gigantesca”, avalia o secretário-geral do Sindipetro-RN, Pedro Lúcio Góis e Silva. “Hoje a gente consegue vê o quanto a empresa deixou de gerar. Para os estados e municípios, houve perda de arrecadação, e para a população, redução de emprego e renda”, diz o sindicalista. O Sindipetro-RN afirma que a Petrobras mantém cerca de 700 empregados diretos no Rio Grande do Norte. “Perdemos em torno de 1.700, entre os que aderiram ao PDV (plano de demissão voluntária) e os que foram transferidos, com a venda dos ativos”, afirma Pedro Lúcio.
Dados do sindicato apontam que a Petrobras mantinha, em janeiro de 2016, 12.700 empregados, entre próprios e terceirizados. “Perdemos, até o momento, somando toda a cadeia produtiva, 7.225, e as empresas que assumiram os campos geraram, em dois anos, apenas 441 empregos, e com o fechamento da venda de mais 26 concessões da Petrobras no Estado, que são todas as concessões que restam da Petrobras, os pouco mais de cinco empregados remanescentes (inclui terceirizados) vão deixar de existir, e se considerarmos a mesma proporção dos últimos dois anos, as empresas que assumirem os campos vão gerar pouco mais de 200 empregos. É um nível de empregabilidade muito ruim”, analisa o sindicalista.
Ele acrescenta que  em termos de investimentos e produção também houve “queda gigantesca”. “A Petrobras investia, por ano, em torno de R$ 1,5 bilhão no Estado, enquanto as empresas investem pouco mais de 150 milhões. A produção despencou mais de 40%, basta ver o exemplo do Riacho da Forquilha. Em 2016, os campos produziam 10.800 barris de óleo por dia, agora produzem, no máximo, 5.200, isso gera impacto nos royalties e prejuízos a estados e municípios”.
Dados da Agência Nacional de Petróleo (ANP) aponta uma queda de 40,73% na produção do Rio Grande do Norte no comparativo entre julho de 2016 e julho de 2021. Nesse intervalo, a produção caiu de 62,971 mil barris de óleo/dia para os atuais 37,317 mil barris de óleo/dia. Em entrevista publicada pela TN, no último dia 5 deste mês, o diretor de Regulação e Novos Negócios da Petrorecôncavo, João Vitor Moreira,  explicou que o planejamento da empresa é aumentar a perfuração de poços e que a produção já está superior ao volume quando da aquisição do polo Riacho da Forquilha.
“O Polo, quando era da Petrobras, chegou a produzir 10 mil barris/dia. Quando a PetroRecôncavo comprou, a produção estava em 3.738 barris de óleo/dia e hoje estamos produzindo 6.530 barris de óleo, ou seja, 75% a mais”, afirmou à época. Os investimentos, segundo ele, já ultrapassam os R$ 200 milhões, fora o que já foi pago de royalties.
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