
O Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES) consolidou sua posição como motor do desenvolvimento regional no primeiro trimestre de 2026, com aprovações de crédito que superaram expectativas em quatro estados do Nordeste. Os números, divulgados na última semana, revelam crescimento expressivo nas operações para Pernambuco, Ceará, Bahia e Alagoas, somando mais de R$ 2,3 bilhões em recursos aprovados para a região — que, como um todo, recebeu R$ 3,38 bilhões no período, alta de 98,2% em relação ao mesmo intervalo de 2025.
A Bahia liderou o ranking regional, com R$ 1,21 bilhão em aprovações, crescimento de 70,3% sobre os R$ 708,3 milhões registrados no primeiro trimestre do ano anterior. O estado teve o maior volume de aprovações do Nordeste em todos os setores: agropecuária (R$ 295,3 milhões), comércio e serviços (R$ 189,4 milhões), indústria (R$ 365,9 milhões) e infraestrutura (R$ 356 milhões). As micro, pequenas e médias empresas (MPMEs) foram responsáveis por R$ 726,1 milhões do total, avanço de 79,8% frente a 2025. Os desembolsos para a Bahia alcançaram R$ 1,46 bilhão no trimestre, alta de 36,2%. Desde 2023, o BNDES aprovou R$ 23,06 bilhões para o estado, volume 29% superior ao registrado entre 2019 e 2022.
Pernambuco apresentou o crescimento acentuado. As aprovações de crédito saltaram de R$ 171,5 milhões no primeiro trimestre de 2025 para R$ 453,4 milhões no mesmo período de 2026, expansão de 164,4%. O estado teve o segundo maior volume de aprovações da região para indústria e comércio e serviços, atrás apenas da Bahia. A infraestrutura recebeu R$ 177,7 milhões, enquanto as MPMEs captaram R$ 240,3 milhões, crescimento de 153,5%. Os desembolsos pernambucanos somaram R$ 381,6 milhões, alta de 117,9%. Desde 2023, o BNDES aprovou R$ 6,08 bilhões para Pernambuco, volume 56,8% superior ao quadriênio anterior. “Desde 2023, 39,3% do total aprovado para o estado foram para micro, pequenas e médias empresas, cerca de R$ 2,39 bilhões. As aprovações para a indústria cresceram 303,8%”, destacou Aloizio Mercadante, presidente do BNDES.
No Ceará, as aprovações atingiram R$ 457 milhões no trimestre, aumento de 65,5% sobre os R$ 276,1 milhões de 2025. O estado se destacou na infraestrutura, com R$ 253,2 milhões — segundo maior volume do Nordeste, atrás da Bahia. As MPMEs cearenses absorveram R$ 314,6 milhões, crescimento de 212,4%. Os desembolsos somaram R$ 477,5 milhões. Desde 2023, o BNDES aprovou R$ 8,48 bilhões para o Ceará, volume 108,6% superior ao aprovado entre 2019 e 2022. Mercadante citou projetos estruturantes como a duplicação do Eixão das Águas, que beneficiará 4 milhões de pessoas, o plano de redução de alagamentos em Fortaleza e o programa Sertão Vivo, que atenderá 63 mil famílias de agricultores do semiárido.
Alagoas registrou o maior salto percentual entre os estados analisados. As aprovações dispararam 192%, passando de R$ 74,9 milhões em 2025 para R$ 218,7 milhões em 2026. A infraestrutura concentrou R$ 127,6 milhões do total, enquanto as MPMEs receberam R$ 88,2 milhões, alta de 37,1%. Os desembolsos alagoanos somaram R$ 53,4 milhões. Desde 2023, o estado recebeu R$ 2,28 bilhões em aprovações, incluindo R$ 520 milhões para MPMEs e R$ 118,6 milhões em projetos de inovação.
Os dados regionais integram um cenário nacional de expansão acelerada do banco estatal. O BNDES registrou lucro recorrente de R$ 3,1 bilhões no primeiro trimestre de 2026, crescimento de 17% sobre 2025. No acumulado dos últimos 12 meses encerrados em março, o lucro recorrente atingiu R$ 15,6 bilhões, o maior da história da instituição, alta de 22% em relação a 2022. Os ativos totais se aproximam de R$ 1 trilhão, atingindo R$ 995 bilhões, maior valor nominal já registrado, com crescimento superior a 45% desde 2022.
A carteira de crédito alcançou R$ 678,2 bilhões, alta de 14% em relação a 2025 e maior patamar desde 2016. As aprovações de crédito somaram R$ 45,7 bilhões no trimestre, aumento de 37% sobre 2025 e de 254% sobre 2022. Os desembolsos atingiram R$ 36,2 bilhões, alta de 44% frente a 2025 e de 145% em comparação com o primeiro trimestre de 2022. As consultas somaram R$ 84,4 bilhões, crescimento de 65% sobre 2025 e de 490% sobre 2022.
A indústria nacional teve alta de 67% nos desembolsos (R$ 8 bilhões), a infraestrutura cresceu 51% (R$ 13,4 bilhões) e a agropecuária avançou 40% (R$ 9,1 bilhões). Para MPMEs, as aprovações somaram R$ 29 bilhões, aumento de 120% sobre 2025 e de 333% sobre 2022. As garantias prestadas por fundos garantidores alcançaram R$ 20,8 bilhões, totalizando R$ 49,8 bilhões de apoio a essas empresas.
A inadimplência de 0,046% permanece expressivamente inferior à do Sistema Financeiro Nacional (4,33% geral e 0,60% para grandes empresas), evidenciando a solidez da carteira. “Os números mostram que o BNDES, sob a orientação do presidente Lula, retomou seu papel de parceiro estratégico do desenvolvimento”, afirmou Mercadante, reforçando o discurso de que o banco voltou a impulsionar “o pequeno empreendedor, a agropecuária e a indústria”.