
A economia do Rio Grande do Norte encerrou o primeiro semestre de 2026 com desempenho superior à média brasileira, mas abaixo do ritmo registrado pelo Nordeste. Segundo levantamento do Escritório Técnico de Estudos Econômicos do Nordeste (Etene), do Banco do Nordeste, o Índice de Atividade Econômica do Banco Central (IBC-Br) acumulou alta de 1,7% no Estado nos 12 meses encerrados em junho. No mesmo período, o crescimento foi de 1,5% no Brasil e de 2,4% na região.
Entre os Estados nordestinos analisados, o Rio Grande do Norte apresentou o terceiro melhor resultado, atrás de Pernambuco, com 3,1%, e Maranhão, com 2,2%. Ceará, com 1,6%, e Bahia, com 1,5%, ficaram abaixo do desempenho potiguar.
Apesar da vantagem sobre o país, os dados mostram uma desaceleração da atividade. O Nordeste, que registrava crescimento acumulado de 2,8% em março e abril, terminou junho em 2,4%. No Brasil, a perda de velocidade foi ainda mais acentuada: a expansão passou de 2,2% em janeiro para 1,5% em junho.
Um dos principais pontos positivos do RN está no comércio. O varejo acumulou crescimento de 5,9% nos 12 meses até junho, quase quatro vezes o resultado brasileiro, de 1,6%. O Estado teve o segundo melhor desempenho nordestino, atrás de Pernambuco, com 6,1%. No primeiro semestre, o avanço foi de 4,5% ante o mesmo período de 2025.
O cenário recente, porém, exige cautela. Em junho, as vendas varejistas recuaram 0,1% na comparação com maio, na terceira queda mensal consecutiva, já considerados os efeitos sazonais.
Para ampliar e tornar mais sustentável o crescimento, o presidente da Federação das Indústrias do Estado do Rio Grande do Norte (Fiern), Roberto Serquiz, defende maior participação da indústria de transformação e de cadeias ligadas aos recursos naturais. Ele cita energias renováveis, petróleo, mineração, pesca, fruticultura e sal como setores capazes de atrair investimentos e gerar efeitos sobre fornecedores, logística e emprego.
Serquiz também destaca a necessidade de segurança jurídica, agilidade institucional e capacidade de resposta do poder público. A diversificação, segundo essa avaliação, seria fundamental para reduzir a dependência do consumo e dos efeitos do ciclo de juros.
Os números deixam o RN em uma posição intermediária: cresce acima do Brasil, mas ainda distante do desempenho médio nordestino.