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11 de setembro de 2026 09:25

Agreste concentra 64% da expansão urbana de Alagoas e reforça papel de Arapiraca como polo regional

Agreste concentra 64% da expansão urbana de Alagoas e reforça papel de Arapiraca como polo regional

Região respondeu por 64% das novas áreas urbanizadas do estado entre 2019 e 2022; Arapiraca liderou a expansão entre os municípios, enquanto Maceió manteve a maior área urbanizada
Arapiraca | Foto: Divulgação

Arapiraca liderou a expansão das áreas urbanizadas em Alagoas entre 2019 e 2022, com a adição de 3,51 km² ao território urbano, o equivalente a 11,8% do crescimento registrado no estado. No período, o Agreste concentrou 64% da expansão, com 18,96 km² dos 29,68 km² de novas áreas urbanizadas identificadas em Alagoas. Os dados integram a pesquisa Áreas Urbanizadas do Brasil 2022, divulgada pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) no segundo semestre de 2026.

Mais da metade da expansão registrada em todo o estado (55,8%) ficou concentrada em dez municípios do entorno de Arapiraca, que, juntos, adicionaram 16,55 km² de áreas urbanizadas. O resultado acompanha um movimento mais amplo: entre 2019 e 2022, o Nordeste apresentou a maior expansão horizontal entre as grandes regiões brasileiras.

Na pesquisa do IBGE, a categoria “Adição” corresponde às áreas que passaram a ser classificadas como urbanizadas entre os mapeamentos de 2019 e 2022, representando, portanto, a expansão horizontal identificada no período.

Na Região Metropolitana de Maceió, foram adicionados 4,74 km² de áreas urbanizadas entre 2019 e 2022, cerca de 16% do total estadual. Pilar liderou, com 1,41 km², seguido por Maceió (1,20 km²) e Marechal Deodoro (0,92 km²). Em 2022, Alagoas somava 598,96 km² de áreas urbanizadas. Maceió concentrava a maior extensão (109,14 km²), seguida por Arapiraca (56,62 km²). Juntas, as duas cidades respondiam por 27,7% da área urbanizada do estado.

Segundo o pesquisador do IBGE em Alagoas, Neison Freire, o avanço dessas áreas está relacionado à intensificação das atividades econômicas, do comércio e dos serviços, além do aumento da renda e da atração de novos moradores, fatores que estimulam a construção de residências e estabelecimentos comerciais.

“Quando a gente compara os resultados de áreas urbanizadas com outras pesquisas, como, por exemplo, o PIB [Produto Interno Bruto] municipal, a gente encontra uma correlação entre variáveis de pesquisas distintas. O PIB mostra a produção de riqueza e, nesse caso, os dados indicam que há uma relação entre o crescimento das áreas urbanizadas e a intensificação das atividades econômicas nesses municípios. Mais comércio, mais serviços, mais renda e mais população acabam se refletindo na expansão do território urbano”, explica.

O pesquisador ressalta, porém, que o crescimento horizontal das cidades também amplia as responsabilidades do poder público, que passa a lidar com uma demanda maior por infraestrutura, mobilidade, abastecimento de água, esgotamento sanitário, limpeza urbana, saúde e educação. Ao mesmo tempo, Freire avalia que a expansão cria oportunidades para o setor privado, especialmente nos municípios que apresentaram maior avanço das áreas urbanizadas, com potencial de atração de investimentos imobiliários, novos negócios e serviços. “Se eu tivesse que apostar num lugar para investir, eu investiria nesses municípios que estão mostrando esse aumento de áreas urbanizadas”.

Foto: Divulgação

Para o professor de Economia da Universidade Federal de Alagoas (Ufal), Cid Olival, a expansão urbana observada no Agreste entre 2019 e 2022 está diretamente associada ao maior dinamismo econômico da região, impulsionado pela diversificação produtiva, pelo fortalecimento da agropecuária e pela melhoria das conexões territoriais. Segundo ele, o crescimento da produção de milho, da pecuária e de outras atividades econômicas gerou uma cadeia de demandas por insumos, máquinas, crédito, armazenamento, transporte e comercialização, fazendo com que parte dessa movimentação se concentrasse nos centros urbanos.

“Arapiraca exerce uma centralidade que beneficia e, ao mesmo tempo, recebe demandas de uma área muito maior do que seu próprio município. A renda gerada pela agricultura, pela pecuária e pela mineração nos municípios vizinhos transforma-se, em parte, em demanda por bens e serviços oferecidos em Arapiraca. É a partir dessa centralidade que a urbanização do Agreste avança, intensificando os deslocamentos, estimulando investimentos e transmitindo parte desse dinamismo para os municípios próximos”, esclarece.

O professor frisa, contudo, que o desenvolvimento da urbanização também impõe desafios que ultrapassam os limites administrativos de Arapiraca. A expansão de loteamentos e a ocupação de áreas periféricas, segundo ele, precisam ser acompanhadas pela oferta de saneamento, mobilidade, abastecimento de água, drenagem, pavimentação e equipamentos públicos. Nesse cenário, Cid defende que o crescimento seja pensado de forma integrada, considerando a relação cada vez mais intensa entre Arapiraca e municípios do entorno. Para ele, o planejamento territorial do Agreste precisa acompanhar a dinâmica regional, evitando que a expansão urbana ocorra de forma dispersa e gere novos problemas de infraestrutura, mobilidade e segregação socioespacial.

Segundo a urbanista Larissa Cajueiro, o crescimento da urbanização no Agreste alagoano está ligado à consolidação de uma rede regional de centralidades, com Arapiraca desempenhando papel estratégico. A concentração de comércio, serviços de saúde e educação, empregos, atividades empresariais e equipamentos públicos faz com que a cidade atraia diariamente uma população de diversos municípios, ampliando não apenas seu contingente populacional, mas também os investimentos imobiliários e comerciais. Nesse cenário, a expansão da área urbanizada passa a refletir o dinamismo econômico e a crescente importância de Arapiraca para a região.

“Crescer não significa necessariamente crescer de forma qualificada. É preciso pensar para onde a cidade está avançando, quais áreas possuem infraestrutura e como novas ocupações podem ser integradas à estrutura urbana existente. O desafio não é impedir o crescimento do Agreste ou de Arapiraca, esse crescimento também representa dinamismo e oportunidades. O desafio é antecipá-lo e orientá-lo, para que a expansão territorial se transforme em uma cidade mais conectada, estruturada e ambientalmente responsável, e não simplesmente em uma mancha urbana cada vez maior”, afirma.

A urbanista avalia que esse planejamento precisa considerar, de forma integrada, mobilidade, saneamento, drenagem, habitação, áreas verdes, equipamentos públicos e preservação ambiental. Ela cita como exemplos de iniciativas que podem contribuir para uma ocupação mais ordenada a Marginal do Riacho Piauí, a Avenida Benedito de Lira e a Ciclovia do Trabalhador, que ampliam conexões e alternativas de deslocamento na cidade. Para Larissa, o início da revisão do Plano Diretor também representa uma oportunidade para adequar os instrumentos de planejamento à nova realidade de Arapiraca, discutindo de forma integrada o adensamento, a expansão urbana, a mobilidade, a habitação, a infraestrutura e a qualificação dos espaços públicos.

Sobre a pesquisa

A pesquisa Áreas Urbanizadas do Brasil, do IBGE, apresenta a distribuição espacial do fenômeno urbano no país a partir da interpretação visual de imagens de satélite. O mapeamento permite identificar e analisar processos como expansão, estabilidade, densificação e retração das áreas urbanas. A edição de 2022, a quarta da série, possibilita a comparação com 2019 e teve os dados desse ano recalculados para incorporar os aprimoramentos metodológicos adotados no novo levantamento.

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