
O mercado imobiliário do Nordeste atravessa um ciclo de dinamismo mesmo em um cenário nacional de juros elevados e crédito mais seletivo. A região se mantém como a terceira mais ativa do país em volume de lançamentos e vendas, sustentada por uma combinação de demanda reprimida, expansão urbana e apelo turístico. Nesse contexto, Alagoas, e especialmente Maceió, despontam como um dos polos mais vigorosos de valorização e novos projetos.
Em Maceió, 2025 consolidou a capital como um dos mercados de maior crescimento proporcional do Brasil. O ano registrou o melhor trimestre de lançamentos desde 2023, de acordo com dados da Câmara Brasileira da Indústria e Construção Civil (CBIC), e manteve a cidade na liderança do ranking de preço médio do metro quadrado no Nordeste, ocupando ainda a sétima posição nacional.
Os números reforçam a tendência. O Valor Geral de Vendas (VGV) saltou de aproximadamente R$ 2,7 bilhões acumulados até novembro de 2024 para R$ 3,7 bilhões em 2025. O preço médio do metro quadrado passou de R$ 8.821, em julho de 2024, para R$ 9.653 em agosto de 2025; uma valorização de cerca de 9,4%. As vendas de imóveis verticais cresceram 21% no período, em linha com o avanço nacional de 20,9% apontado pela CBIC.
A capital alagoana lidera a região em preço por metro quadrado e mantém hegemonia mesmo diante da força de outras capitais. No terceiro trimestre de 2025, o Nordeste como bloco, considerando regiões metropolitanas como Fortaleza, Recife, Salvador, João Pessoa e Maceió, registrou 15.977 unidades lançadas, alta de 11% ante o trimestre anterior, mas queda de 20,3% frente a 2024. As vendas somaram 18.114 unidades, retração anual de 7,9%. Ainda assim, o estoque caiu 9,5% em relação ao ano anterior, indicando escoamento consistente.
Maceió se diferencia por combinar absorção acelerada com valorização expressiva. Bairros como Pajuçara e Ponta Verde concentram o metro quadrado mais caro do Nordeste. Na Pajuçara, o valor médio atingiu R$ 14.555 em 2025, com empreendimentos específicos superando R$ 28 mil por m². Já na Ponta Verde, unidades frente-mar alcançam patamares acima de R$ 30 mil por m². A Jatiúca consolida perfil cosmopolita, enquanto Guaxuma e o Litoral Norte representam a expansão do chamado “luxo horizontal”, com condomínios exclusivos e infraestrutura diferenciada.
Engemat amplia portfólio e aposta em múltiplos segmentos
Entre as incorporadoras que capitalizam o momento está a Engemat, que teve 2025 como um dos anos mais ativos de sua trajetória recente. A empresa consolidou a linha de alto padrão Aurus By Engemat e avançou em projetos que vão do econômico ao luxo beira-mar, alinhando-se à musculatura crescente do mercado alagoano.
No segmento premium, o Amarante Residencial da linha Aurus, que já está 100% vendido, reforça a proposta de sofisticação e localização estratégica. O Algarve Residence, lançado oficialmente em abril, posiciona-se no litoral norte de Maceió, em área de expansão próxima ao Parque Shopping e ao novo hospital da Unimed, conectando infraestrutura urbana e valorização futura.
Outro destaque é o Epic Exclusive Residence, voltado ao mercado de luxo na Barra de São Miguel, com foco em investidores e público de alto poder aquisitivo. O projeto dialoga com a tendência regional de second home e veraneio de alto padrão.
A Engemat também mantém projetos em execução, como o Píer Norte Residence, primeiro da linha Aurus, cujas unidades foram integralmente vendidas ainda em 2024 e que avançou em obras ao longo de 2025. No segmento econômico, o Vilas Lisboa rendeu à construtora o Prêmio Master ADEMI na categoria lançamento vertical econômico, evidenciando diversificação estratégica.
Além disso, a empresa planeja expansão dentro do Minha Casa Minha Vida (MCMV), com terreno em desenvolvimento no bairro Feitosa, reforçando presença em faixas de renda média e baixa.
Essa atuação multissegmentada acompanha o desenho do mercado maceioense: alto padrão com valorização acima da inflação e base econômica garantindo volume e liquidez.
Pluralidade
No plano regional, o Minha Casa Minha Vida permanece como pilar estrutural. No terceiro trimestre de 2025, o programa respondeu por 44% das unidades vendidas no país e 53% dos lançamentos nacionais. No Nordeste, representa 42% dos lançamentos e 46% das vendas, além de 35% do estoque disponível.
A relevância é ainda maior em contextos de transição familiar – sair do aluguel, deixar a casa dos pais ou formar novo núcleo. O segmento apresenta tempo médio de escoamento de sete meses, inferior à média geral de nove meses.
Paralelamente, o luxo ganha tração como vetor de rentabilidade. Em Maceió, foi o principal responsável pela alta média de 6,52% nos preços em 2025, consolidando ganho real para investidores. Compactos premium com serviços, automação e foco em short stay convivem com condomínios horizontais exclusivos no litoral norte.
Alagoas, com Maceió à frente, sintetiza essa dualidade: política habitacional ativa e mercado de alto padrão robusto. A combinação entre liquidez popular e sofisticação costeira posiciona o estado como um dos epicentros imobiliários do Nordeste, em um ciclo que une expansão urbana, turismo e valorização patrimonial.