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15 de junho de 2026 17:03

Bahia lança programa inovador de monitoramento da biodiversidade com ciência e participação da comunidade

Bahia lança programa inovador de monitoramento da biodiversidade com ciência e participação da comunidade

Iniciativa do Inema une ciência, tecnologia e participação comunitária para mapear espécies ameaçadas e orientar políticas ambientais mais eficazes na Mata Atlântica baiana
Lagoa encantada | Foto: Reprodução/Internet

O Instituto do Meio Ambiente e Recursos Hídricos da Bahia (Inema) acaba de lançar um programa pioneiro de monitoramento da biodiversidade com foco em espécies ameaçadas de extinção na Mata Atlântica baiana, um dos biomas mais ricos e ameaçados do Brasil. Segundo especialistas, a iniciativa é animadora por representar um marco na gestão ambiental pública estadual, combinando dados científicos, tecnologia, conservação e participação comunitária para orientar políticas ambientais e estratégias de proteção da vida silvestre.

O programa permitirá “conhecer com mais profundidade a situação real das espécies e dos ecossistemas, além de subsidiar políticas públicas capazes de fazer a diferença para a proteção da biodiversidade”, afirma o Inema em documento oficial.

O programa começa a ser implementado em duas unidades de conservação no sul da Bahia, onde espécies da flora e da fauna consideradas ameaçadas vivem em áreas alteradas pela ação humana e pressões como desmatamento, uso do solo e alteração do habitat.

O monitoramento sistemático prevê a coleta de dados por meio de métodos científicos tradicionais, como inventário de fauna e flora, armadilhas fotográficas e análises laboratoriais, integrados a ferramentas tecnológicas, como sensores e georreferenciamento.

Além disso, comunidades locais que vivem nas regiões de abrangência dos parques são parceiras ativas no processo de coleta de dados. Moradores recebem treinamento para reconhecer espécies, observar comportamentos e registrar informações que alimentam um banco de dados central, promovendo um monitoramento contínuo e colaborativo da biodiversidade.

Essa abordagem se alinha a modelos de gestão inovadores em conservação, que reconhecem que o conhecimento científico precisa dialogar com as experiências e saberes locais e tradicionais, fortalecendo redes de vigilância ambiental comunitária e promovendo engajamento social em torno da proteção dos recursos naturais.

Do Mico-Leão-da-Cara-Dourada ao Mico-Leão-Baiano

As duas unidades onde o programa começa, o Parque Estadual da Serra do Conduru e Parque Estadual de Ponta de Tulha, são importantes refúgios para espécies endêmicas e ameaçadas de extinção na Mata Atlântica baiana. O Parque da Serra do Conduru protege remanescentes de floresta tropical que abrigam fauna e flora diversificadas, além de fornecer serviços essenciais como regulação hídrica e captura de carbono.

Juntos, os parques possuem uma área de mais de 1,7 milhões de hectares e abrigam ecossistemas como florestas tropicais pluviais, florestas de restinga e manguezais, além de serem dois pontos com elevado grau de biodiversidade em termos planetários.

Estudos técnicos indicam que diversas aves ameaçadas, mamíferos e plantas endêmicas dependem dessas áreas para sobreviver. Isso torna ainda mais urgente o mapeamento preciso e contínuo de suas populações e padrões de ocorrência para informar ações de conservação, corredores ecológicos e restauração do habitat.

O programa tem como objetivo monitorar a biodiversidade nos ecossistemas baianos, e se divide em dois grandes projetos. Um deles possui uma atenção especial para duas espécies em risco de extinção: a preguiça-de-coleira-do-nordeste (Bradypus torquatus) e o mico-leão-baiano, também conhecido como mico-leão-da-cara-dourada (Leontopithecus chrysomelas). Ambas são endêmicas da Mata Atlântica e constam da lista oficial de espécies ameaçadas.

Foto: Reprodução/Internet

Floresta criativa

O diretor técnico do Inama Marcos Mendonça afirma que o programa vem em um momento em que a ciência aplicada à conservação tem sido cada vez mais requisitada para orientar políticas públicas eficazes. “O conhecimento gerado pelo monitoramento permitirá à gestão estadual identificar onde as pressões são maiores, quais espécies estão em situação crítica e como direcionar melhor os recursos para ações de proteção e restauração ambiental.”

Especialistas em conservação ambiental ressaltam que o uso de dados confiáveis, integrados com sistemas de informação geográfica e instrumentos públicos de gestão, reforça a capacidade do poder público não apenas de responder a emergências ambientais, mas de formular estratégias proativas para reduzir o risco de extinção de espécies.

“A integração entre ciência, gestão pública e participação comunitária é um elemento transformador em programas de conservação. Isso cria um ciclo virtuoso em que os resultados gerados alimentam políticas mais eficientes, que por sua vez fortalecem a confiança da sociedade nas instituições ambientais”, comenta Carla Santana, especialista em economia criativa e conservação, que pesquisa iniciativas inovadoras que promovem valorização de ativos naturais e desenvolvimento socioambiental sustentável.

Além de gerar conhecimento científico e orientar decisões públicas, o programa tem potencial para impulsionar atividades de educação ambiental, turismo de natureza e inclusão de jovens pesquisadores e estudantes locais nas ações de campo.

A fragmentação de habitats, a pressão por uso do solo e a necessidade de recursos financeiros contínuos para manter e expandir o monitoramento são entraves que exigem cooperação interinstitucional e financiamento público e privado, e que se colocam como os desafios mais persistentes para o programa.

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