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14 de julho de 2026 11:28

Polo de Camaçari aposta em novo ciclo de expansão industrial

Polo de Camaçari aposta em novo ciclo de expansão industrial

Investimentos em novas cadeias produtivas e estratégias de competitividade recolocam complexo como peça central do desenvolvimento econômico da Bahia
Foto: Divulgação

Mais de quatro décadas após se consolidar como símbolo da industrialização baiana, o Polo de Camaçari volta ao centro das atenções com um novo ciclo de investimentos e passa a ocupar espaço estratégico nas discussões sobre o futuro econômico da Bahia.

Entre a recuperação de segmentos tradicionais e a atração de novas cadeias produtivas, o complexo reúne desafios e oportunidades para ampliar sua competitividade em um cenário de transformação da indústria nacional. Esse movimento também deve ganhar relevância no debate político sobre os caminhos do desenvolvimento estadual.

O movimento faz parte de uma estratégia mais ampla de atração de investimentos no estado. Atualmente, a Bahia possui 1.070 empreendimentos incentivados e, entre 2023 e 2026, 317 novos projetos foram implantados, representando cerca de 29,6% do total. Esses empreendimentos somam aproximadamente R$ 42 bilhões em investimentos e têm potencial de gerar cerca de 19 mil empregos diretos.

Para o superintendente de Atração de Investimentos e Fomento ao Desenvolvimento Econômico, Luciano Giudice, o novo ciclo de investimentos representa uma oportunidade de fortalecer não apenas a geração de empregos, mas também a capacidade produtiva do estado.

“O desenvolvimento industrial não depende apenas da chegada de novos empreendimentos, mas da construção de um ambiente capaz de tornar a Bahia mais competitiva. Isso envolve infraestrutura adequada, integração entre governo e setor produtivo, qualificação de mão de obra, estímulo à inovação e fortalecimento dos fornecedores locais”, afirma.

Segundo Giudice, quando esses fatores avançam de forma conjunta, os investimentos conseguem gerar efeitos mais amplos, ampliando cadeias produtivas e criando oportunidades em diferentes regiões do estado.

Entre as áreas consideradas estratégicas estão a mobilidade elétrica e a nova indústria automotiva, o fortalecimento da cadeia química e petroquímica, energias renováveis, hidrogênio verde, biocombustíveis, bioeconomia, transformação mineral, economia circular e materiais avançados. No campo tributário, o Estado utiliza programas de incentivo, como o Desenvolve e o ProBahia, como instrumentos para estimular a instalação e expansão de empreendimentos.

O superintendente Luciano Giudice explica ainda que o governo pretende preparar o complexo para os desafios da transição energética e da indústria de baixo carbono, por meio de um marco regulatório próprio, estudos técnicos do SENAI/Cimatec e projetos-piloto já instalados dentro do Polo, aproveitando as vantagens competitivas do estado na geração de energia renovável, especialmente eólica e solar.

“A estratégia estadual é transformar o Polo de Camaçari em uma plataforma industrial moderna, inovadora e alinhada às exigências dos mercados globais, contribuindo para a competitividade da indústria baiana e para o desenvolvimento sustentável do estado nas próximas décadas”, frisa Giudice.

“O Polo de Camaçari vive um momento de transformação, no qual a experiência acumulada ao longo de quase cinco décadas se soma à chegada de novas cadeias produtivas e às exigências de uma indústria cada vez mais sustentável. A competitividade futura dependerá da capacidade de inovar, avançar em tecnologias de baixo carbono, qualificar pessoas e fortalecer o ambiente industrial para atrair novos investimentos”, destaca o superintendente de Desenvolvimento e Comunicação do Comitê de Fomento Industrial de Camaçari (Cofic), Érico Oliveira.

O Polo contribui ainda com uma receita superior a R$ 4 bilhões/ano em ICMS para o Estado da Bahia e com mais de 90% da receita tributária de Camaçari e Dias D´Ávila. Na área social, as empresas associadas ao Cofic investiram mais de R$ 15 milhões nos últimos três anos, beneficiando comunidades vizinhas e das áreas de influência do Complexo Industrial.

Sobrevoo na planta da Basf (projeto Açai), localizada no pólo industrial de Camaçari(BA).
| Foto: Vaner Casaes / Ag: BAPRESS

De acordo com o superintendente Érico Oliveira, o Polo de Camaçari mantém uma trajetória de relevância econômica baseada na diversificação industrial, complementação e adensamento de suas cadeias produtivas, tendo a segurança industrial, sustentabilidade e excelência empresarias como premissas fundamentais de suas atividades, a despeito dos desafios da competitividade.

“As empresas do Polo Industrial de Camaçari concentram esforços para manter suas operações de forma segura para os trabalhadores e comunidades próximas, promovendo também a permanente qualificação e formação profissional em seus quadros laborais, além de programas de sustentabilidade com ênfase na responsabilidade socioambiental. As ações e programas desenvolvidos nesta área pelas empresas do Polo de Camaçari beneficiam comunidades vizinhas ao Complexo Industrial e de sua área de influência, incorporando cada vez mais em suas atividades as premissas da ESG (Enviromental, Social and Governance)”, comenta.

Diversidade e desenvolvimento social acompanham transformação do Polo

Além dos investimentos em tecnologia, inovação e sustentabilidade, as empresas instaladas no Polo de Camaçari também vêm ampliando iniciativas voltadas à diversidade, inclusão e formação de pessoas, acompanhando as mudanças no perfil da indústria.

A presença feminina em áreas tradicionalmente ocupadas por homens é um dos movimentos observados no Complexo Industrial. Empresas como Bracell, Ultracargo, Acelen, Votorantim e Braskem desenvolvem programas de capacitação, banco de talentos e oportunidades voltadas à inserção de mulheres em áreas operacionais, técnicas e de liderança. Na Braskem, por exemplo, as mulheres já representam pelo menos 34% dos postos de liderança.

As ações de inclusão também abrangem outros grupos sociais, como pessoas negras, pessoas com deficiência e a população LGBTQIA+. Na Kordsa Brasil, o programa Ser Plural registra que 88% dos empregados se declaram pretos ou pardos, enquanto a Braskem contabiliza 77% de pessoas negras em suas operações na Bahia. Já a Siemens Gamesa mantém o Projeto Diversificar, voltado à capacitação de pessoas com deficiência para o mercado de trabalho em parceria com o Senai Bahia.

No campo do desenvolvimento social, as empresas do Polo, diretamente ou por meio do Cofic, mantêm projetos voltados à educação, geração de renda e fortalecimento das comunidades do entorno. Um dos destaques é o Programa de Incentivo à Educação (PIE), realizado em parceria com as Secretarias Municipais de Educação de Camaçari e Dias d’Ávila, com foco na formação de professores e no aprimoramento das habilidades socioeducativas dos estudantes.

Estratégias para fortalecer a competitividade e o desenvolvimento regional

O Governo do Estado tem apostado na transição energética como uma das frentes para ampliar a competitividade industrial da Bahia. A Lei nº 25.437/2024, que criou o Programa de Transição Energética do Estado da Bahia (Protener), estabelece diretrizes para o desenvolvimento de cadeias ligadas ao hidrogênio de baixa emissão de carbono, biocombustíveis e inovação tecnológica.

Desenvolvido pelo Serviço Nacional de Aprendizagem Industrial (SENAI Cimatec) para o Governo do Estado e apresentado durante a COP28, em Dubai, o Atlas da Bahia H2V aponta um potencial estimado de produção de cerca de 84 milhões de toneladas de hidrogênio verde por ano, a partir da eletrólise utilizando fontes renováveis.

Foto: Divulgação

Como parte dessa estratégia, o SENAI Cimatec Park, em Camaçari, recebeu uma planta-piloto de hidrogênio verde, fruto de parceria com a Galp, voltada ao desenvolvimento de soluções para setores de difícil descarbonização, como indústria química, siderurgia, fertilizantes, transporte pesado e sistemas energéticos de alta intensidade.

Além do avanço tecnológico, a estratégia envolve investimentos em eficiência energética, combustíveis sustentáveis, captura de carbono e modernização dos processos industriais. Para o setor produtivo, a consolidação dessas novas cadeias depende também da formação de mão de obra qualificada e da preparação de profissionais para atender às demandas de uma indústria cada vez mais tecnológica.

A expectativa é que o hidrogênio verde ganhe escala industrial nos próximos anos, com potencial de atender tanto ao mercado interno quanto à exportação, além de contribuir para a descarbonização do Polo Petroquímico de Camaçari, apoiado por uma matriz elétrica estadual com participação majoritária de fontes renováveis.

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