
O semiárido do Piauí dará um salto histórico rumo à consolidação na cadeia global de transição energética. O Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES) aprovou um financiamento de R$ 100 milhões para a Piauí Níquel Metais S/A implantar a primeira planta de processamento de níquel e cobalto de alta pureza do Nordeste. O empreendimento ficará em Capitão Gervásio Oliveira, município de 4 mil habitantes situado a 490 km de Teresina.
Com os recursos da linha BNDES Máquinas e Serviços, o projeto migra do status de “programado” para “financiado” no mapeamento de minerais estratégicos do governo federal de 2026. O aporte viabilizará a aquisição de maquinário, sistemas industriais e bens de automação nacionais, além de equipamentos importados específicos.
A planta produzirá o Precipitado de Hidróxido Misto (MHP), insumo essencial para a fabricação de baterias de íons de lítio voltadas a veículos elétricos. A previsão é iniciar a produção em 2028, atingindo capacidade plena em 2029, com metas anuais de 27 mil toneladas de níquel e 900 toneladas de cobalto.
Além do impacto econômico, o projeto destaca-se pelo forte viés ecológico. A rota tecnológica adotada é a lixiviação em pilhas, processo de baixo carbono com alta recirculação de água e baixa intensidade energética. O grande diferencial é a total dispensa de barragens de rejeitos, eliminando o risco de tragédias ambientais como as registradas anteriormente na mineração do país. “O mundo precisa, mais do que nunca, diversificar suas cadeias de suprimentos, e o Projeto Piauí Níquel vai posicionar o país como um fornecedor global altamente competitivo e responsável”, destaca o CEO da Brazilian Nickel, Mark Travers.
A iniciativa, assessorada pela Alvarez & Marsal Infra, foi selecionada em chamada pública conjunta do BNDES e Finep. O projeto eleva o patamar econômico do Piauí, inserindo o estado diretamente na fase de industrialização de minerais críticos. A região da Bacia do Parnaíba desponta, assim, como um novo polo mineral estratégico para o país.