
Recife foi selecionada como a pioneira em um projeto internacional de economia circular desenvolvido pela Fundação Ellen MacArthur, organização britânica que é referência global na área. A parceria estratégica deve mobilizar mais de US$ 50 milhões (cerca de R$ 300 milhões) ao longo dos próximos cinco a sete anos, marcando a primeira etapa de uma iniciativa que reunirá o poder público, empresas, cooperativas de catadores e a sociedade civil.
A escolha da capital pernambucana baseou-se no relatório Fechando o Ciclo: Transformando os Sistemas de Resíduos Urbanos e Protegendo os Rios do Brasil, publicado em conjunto pela fundação e pela Clean Rivers. O documento traça diretrizes para enfrentar a poluição por plásticos em rios e mares, e o Recife funcionará como o laboratório prático para demonstrar a viabilidade dessa visão. Segundo Adalberto Maluf, secretário do Ministério do Meio Ambiente e Mudança do Clima, a cidade foi escolhida por “fazer a lição de casa” e servir de referência para a expansão de políticas públicas sustentáveis.
A fase imediata do projeto prevê a elaboração conjunta de um plano de trabalho nos próximos seis meses, definindo metas, cronogramas e responsabilidades. Luisa Santiago, diretora da Fundação Ellen MacArthur para a América Latina, destacou o potencial brasileiro para transformar a reciclagem a partir de sua rede de quase um milhão de catadores, ressaltando que a superação da lacuna de infraestrutura local servirá de inspiração global. O modelo pretende conectar inovação em materiais e sistemas de reutilização para eliminar os gargalos sistêmicos da gestão de resíduos.