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3 de julho de 2026 14:57

Ceará consolida liderança nacional na indústria calçadista

Ceará consolida liderança nacional na indústria calçadista

Com um impacto social e econômico no interior cearense, a ascensão calçadista transformou o perfil de regiões que antes registravam baixos Índices de Desenvolvimento Humano
Foto: Abicalçados

Tradicionalmente concentrado nas regiões Sul e Sudeste, o mapa da indústria calçadista traçou uma mudança e tem firmado maior presença no Nordeste. Segundo dados do mais recente Relatório Indústria de Calçados, elaborado pela Associação Brasileira das Indústrias de Calçados (Abicalçados), o Ceará posicionou-se como o maior produtor de calçados do país, sendo responsável por 24,4% da produção nacional em 2025, com a marca de 206,8 milhões de pares fabricados. O estado também assumiu a liderança das exportações brasileiras em volume, respondendo por 31,4% dos pares enviados ao mercado externo.

De acordo com Haroldo Ferreira, presidente-executivo da Abicalçados, essa liderança não é um fenômeno recente, mas o ápice de um movimento histórico. O Ceará ocupa o topo do ranking de produção nacional desde 2006, completando duas décadas chamando a atenção dos calçadistas.

Para a Secretária de Desenvolvimento Econômico (SDE) do Ceará, o Fundo de Desenvolvimento Industrial (FDI) foi um dos potenciais decisivos para consolidar o Ceará como líder nacional na indústria calçadista e continua sendo um instrumento estratégico da política industrial do Estado.

A consolidação do estado como polo exportador está diretamente impulsionada pela posição geográfica privilegiada do estado. “A localização estratégica do Estado, que é o ponto mais próximo da Europa, Estados Unidos e África, é determinante para as exportações cearenses”, comenta Haroldo. Esse diferencial competitivo ganha ainda mais relevância com a atuação do Porto do Pecém, apontado pelo executivo como um elemento fundamental para viabilizar o escoamento da produção diante do cenário global de elevados custos de frete internacional.

Com um impacto social e econômico no interior cearense, a ascensão calçadista transformou o perfil de regiões que antes registravam baixos Índices de Desenvolvimento Humano (IDH). O setor atua como um motor de emprego formal e renda estável em áreas vulneráveis às secas e à sazonalidade agrícola. De acordo com a Secretaria do Desenvolvimento Econômico do Ceará (SDE), essa capilaridade foi diretamente viabilizada pelo Fundo de Desenvolvimento Industrial (FDI).

O mecanismo fiscal tem sido um dos pilares de sustentação da competitividade local. Ao todo, as indústrias incentivadas pelo fundo mantiveram mais de 133 mil empregos formais no Ceará em 2025, dos quais 54.922 pertencem especificamente ao setor calçadista.

Desse total, a produção é fortemente concentrada em quatro principais polos, que respondem por 96,4% da atividade estadual. O principal destaque é a cidade de Sobral, maior centro produtor de calçados do Brasil, registrando sozinha a fabricação de cerca de 123,8 milhões de pares em 2025.

Haroldo Ferreira, da Abicalçados | Foto: Divulgação

A SDE fala também sobre as fábricas em cidades menores e diz que a interiorização é uma diretriz clara da política de desenvolvimento econômico do Ceará. Atualmente, 28 municípios cearenses, distribuídos em 12 das 14 macrorregiões do Estado, possuem indústrias do setor calçadista. “Esse é um dado muito importante porque mostra que a indústria calçadista não está concentrada apenas na capital, ela chega ao interior, gera emprego formal, movimenta o comércio local e cria alternativas de renda em regiões que muitas vezes dependem de atividades mais vulneráveis à sazonalidade e ao clima. Em 18 municípios cearenses com indústrias calçadistas, cerca de 80% dos empregos do setor são gerados por empresas beneficiadas pelo FDI”, aponta a SDE.

Enquanto regiões como o Rio Grande do Sul exportam produtos com maior valor agregado unitário, o foco principal da produção cearense está concentrado em produtos de verão, feitos de borracha ou plástico. Contudo, o presidente da Abicalçados pondera que já existem empresas locais se estruturando para atender a nichos específicos de maior valor no mercado internacional.

Mesmo com todos os prós, Ceará enfrenta um cenário de acirrada concorrência internacional e transformações macroeconômicas. Por isso, Haroldo pondera que os gargalos enfrentados no estado refletem as dores do cenário nacional, como o avanço das importações predatórias, com forte pressão de players asiáticos; além do fim da taxação de plataformas internacionais de e-commerce (cross-border) para compras de até US$ 50. O presidente chama a atenção também para as discussões em andamento sobre alterações na carga horária de trabalho, que, segundo a entidade, possuem o potencial de elevar custos produtivos e reduzir a margem de concorrência externa.

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