
O mapa dos investimentos brasileiros em infraestrutura tem sido redesenhado nos últimos anos, impulsionados pelo fortalecimento do varejo regional e pela busca por maior eficiência logística. Dentro desse cenário, o Nordeste tem se destacado como fornecedor de soluções industriais que sustentam essa nova dinâmica.
Um dos exemplos vem do Ceará, com a Projeart, fornecedora de estruturas metálicas que tem sede no município de Eusébio, Região Metropolitana de Fortaleza. A empresa já forneceu para grandes marcas, como Amazon, Shopee, FedEx, Grupo Mateus e Atacadão da Bahia, e hoje ostenta um faturamento anual de R$ 500 milhões, além de capacidade produtiva de 5 mil toneladas de aço por mês.
Em janeiro deste ano, a empresa inaugurou a ProZinco, unidade de galvanização que recebeu investimentos de R$ 60 milhões e abriga o maior tanque de galvanização do país. A estrutura tem como principal objetivo ajudar a solucionar gargalos históricos enfrentados por obras do Nordeste e do Norte do país.
Ao Investindo Por Aí, a diretoria da Projeart explica a importância dessa unidade para a região. “O Norte e o Nordeste sempre conviveram com uma desvantagem logística. Não havia galvanização de grande porte na região, então a estrutura ia e voltava de São Paulo. Eram cerca de dez dias apenas de transporte. A ProZinco encerra esse problema, reduzindo custos e encurtando significativamente os cronogramas das obras”.
Essas novas dinâmicas também alteraram a competitividade em relação a grupos do Sudeste, por exemplo. Enquanto parte do mercado ainda depende de serviços terceirizados de galvanização, a Projeart passou a concentrar fabricação e acabamento em um único parque industrial, reduzindo etapas e aumentando o controle sobre qualidade, custos e prazos.
Com a necessidade de rapidez apresentada pelo mercado, a eficiência se tornou um trunfo da empresa. Seguindo esse fluxo, grandes operadores logísticos têm priorizado previsibilidade e celeridade na entrega dos empreendimentos. “O preço continua importante, mas não é mais o único fator. Hoje, os clientes compram prazo e confiabilidade. Um centro de distribuição parado representa faturamento que deixa de entrar”, destaca a companhia.
As mudanças acompanham a tendência de industrialização do setor de construção no Brasil. Na contramão dos modelos mais tradicionais, as estruturas metálicas pré-fabricadas chegam aos canteiros prontas para montagem, o que garante, além da redução de desperdício, menor dependência de mão de obra no local e maior previsibilidade na execução dos projetos.
O protagonismo do Nordeste
O crescimento de empresas como a Projeart é reflexo de um momento de transformações mais densas na economia regional. Com o avanço de grandes grupos varejistas nordestinos, como Atacadão da Bahia e Grupo Mateus, se observa a consolidação de um mercado consumidor mais definido, que exige novas soluções e estruturas para atender à demanda.
Para o economista Adelmo Martins, o crescimento da indústria de base regional é uma das consequências diretas e mais relevantes desse amadurecimento econômico. “Considerando a dinâmica regional, a indústria de base local funciona mais como consequência do amadurecimento do mercado consumidor do que como sua causa. O crescimento de modelos como o atacarejo e a interiorização do consumo têm ampliado a necessidade de inteligência logística e de soluções industriais capazes de atender essa nova realidade”, aponta.
Ele afirma ainda que o Nordeste tem condições para expandir ainda mais seu mercado consumidor, inclusive com relação a outros países. Por ter uma posição geográfica mais estratégica, o Ceará tem uma vantagem competitiva para exportar produtos e serviços, especialmente para países da Europa e dos Estados Unidos.
Adelmo acredita ainda que a região tem oportunidades em vista, considerando projetos ligados à transição energética e hidrogênio verde, bem como a consolidação de seus pólos tecológicos. Para ele, o Nordeste pode deixar de ser um receptor de investimentos e se tornar um exportador de soluções.
“O Nordeste tem potencial real para mudar esse status. O avanço da infraestrutura logística, a atração de investimentos ligados à transição energética e a formação de capacidades técnicas locais criam condições para que a região exporte conhecimento, projetos e soluções estruturais para outros mercados”, conclui.