
A produção de frutas vermelhas, conhecidas internacionalmente como berries, poderá ser ampliada no Ceará com a realização de testes de cultivo na Chapada do Apodi, localizada no leste do estado. A iniciativa prevê a avaliação de quatro espécies — morango, mirtilo, amora e framboesa — em cerca de cinco áreas da região.
Os experimentos serão conduzidos pela Emco Cal, empresa norte-americana referência no licenciamento de cultivares de frutas vermelhas, que participa da PEC Brasil 2026. Atualmente, a companhia já mantém parcerias com produtores de morango em municípios da Serra da Ibiapaba, como Guaraciaba do Norte e Ibiapina.
Segundo o diretor técnico e comercial da Emco Cal no Brasil, Antonio Fagherazzi, o objetivo é verificar se as condições de solo, temperatura e manejo da Chapada do Apodi são favoráveis ao desenvolvimento das diferentes espécies. Para isso, será realizado um mapeamento do comportamento das plantas em cada local de teste, considerando a forte influência dos fatores ambientais sobre a produtividade.
De acordo com declarações de Fagherazzi ao Diário do Nordeste, a empresa seleciona previamente as variedades com maior potencial de adaptação, com base em experiências obtidas em regiões de características semelhantes. Ainda assim, o tempo necessário para avaliar os resultados varia conforme a cultura.
“O morango tem um ciclo bastante rápido. Entre 40 e 50 dias após o plantio das mudas, o produtor já inicia a colheita. Já o mirtilo é uma cultura de ciclo longo, que atinge a maturidade produtiva apenas a partir do quarto ano”, explica.
Enquanto o cultivo do morango já apresenta resultados consolidados, o avanço de espécies como mirtilo, amora e framboesa ainda depende da validação dos testes em campo antes de uma eventual expansão comercial.
“Temos mais garantias com o morango. Já o mirtilo está em uma fase inicial de ensaios, embora exista um grande interesse dos produtores. Precisamos gerar os primeiros resultados para definir recomendações sobre substrato, solo e irrigação, fatores que influenciam diretamente a resposta da planta”, afirma Fagherazzi.