
Maceió sediou, nos dias 3 e 4 de setembro, o 2º Fórum das Cooperativas Alagoanas, que reuniu 75 cooperativas e 150 participantes, entre dirigentes, técnicos e especialistas. O encontro teve como objetivo discutir os principais desafios e definir diretrizes para o desenvolvimento do cooperativismo no estado em 2027. Com o tema “Fortalecer a gestão e cultivar a cultura cooperativista”, a iniciativa foi promovida pelo Serviço Nacional de Aprendizagem do Cooperativismo (Sescoop/AL) e contou com uma programação formada por palestras, painéis, cases de sucesso, ativações e oficinas estratégicas de planejamento.
Durante as oficinas, foram levantadas as principais demandas e necessidades apresentadas pelas cooperativas, que servirão de subsídio para a construção do plano de ação do Sescoop/AL para 2027. A ideia é alinhar as iniciativas da instituição às necessidades identificadas diretamente pelas cooperativas, ampliando o impacto das ações de formação, desenvolvimento e apoio ao setor. A programação também contou com ativações do SomosCoop, movimento nacional de valorização do cooperativismo, incluindo a campanha “Escolha o Coop” e a plataforma “Vitrine Encontre uma Coop”, além da apresentação de soluções e iniciativas desenvolvidas pelo Sescoop/AL.
O superintendente do Sescoop/AL, Adalberon Sá Júnior, destacou a importância do fórum por reunir lideranças de cooperativas de diferentes ramos e promover a troca de experiências sobre os desafios e as oportunidades do setor. Segundo ele, as discussões estiveram concentradas em dois pilares: o fortalecimento da cultura cooperativista e o aprimoramento da gestão e da governança. A estratégia busca garantir que as cooperativas possam crescer e gerar mais resultados sem perder a identidade e os princípios que caracterizam esse modelo de negócio. Para 2027, a proposta é ampliar as ações de capacitação, treinamento e diagnóstico, especialmente nas áreas de gestão e governança.
“Quanto mais estruturadas as cooperativas estiverem na gestão, mais resultados elas vão alcançar. As cooperativas são feitas por pessoas que dominam suas áreas de atuação, como agricultores, artesãos e médicos, mas que nem sempre chegam com habilidades de gestão. O nosso papel é justamente fortalecer esses instrumentos de capacitação, identificar os gaps e trabalhar para que esses negócios estejam cada vez mais preparados para gerar resultados, renda e oportunidades”, afirma.
Em Alagoas, o cooperativismo reúne mais de 100 cooperativas, presentes em diferentes regiões e ramos de atuação, com mais de 97 mil cooperados e cerca de 5.400 empregos diretos. Em 2025, o setor movimentou quase R$ 4 bilhões em faturamento, acumulou mais de R$ 7 bilhões em ativos e destinou quase R$ 50 milhões em sobras aos cooperados. Os números reforçam o peso do cooperativismo na economia alagoana e o impacto da atividade na geração de renda e no desenvolvimento das comunidades onde as cooperativas estão inseridas.
Representante da Cooperativa Agropecuária e Industrial de Arapiraca (Capial), Fernando Barbosa destacou a evolução da entidade desde o início de sua trajetória no cooperativismo, em 2015. Segundo ele, a cooperativa passou de uma base de 44 cooperados, sem uma estrutura consolidada de assistência técnica, para mais de 470 agricultores, oferecendo suporte técnico e auxiliando na comercialização da produção. A entidade também tem investido na diversificação e na inovação no campo, com a introdução de culturas como algodão, amendoim, girassol, gergelim e outras oleaginosas, buscando ampliar as oportunidades de produção e geração de renda para os cooperados.
“Hoje, o nosso principal desafio é abrir mercado para a comercialização. Pelo despreparo inicial que a gente tinha e por não ter uma base consolidada, era muito difícil entrar no mercado. Hoje, esses desafios têm sido superados com muito trabalho direcionado. Também estamos estruturando um polo industrial que deverá gerar de 100 a 150 empregos diretos e pelo menos o dobro de indiretos, com o beneficiamento da mamona para a produção de óleo e torta de mamona, que poderá retornar à nossa base como adubo orgânico”, ressalta.