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19 de agosto de 2026 10:53

Acadeal leva demandas do atacado alagoano ao debate nacional com presidenciáveis

Acadeal leva demandas do atacado alagoano ao debate nacional com presidenciáveis

Entidade participou da articulação da ABAD em Brasília, que integrou as pautas do setor ao manifesto entregue aos candidatos; reforma tributária, crédito, segurança e custo Brasil dominaram o encontro
Foto: Divulgação

A participação da Associação do Comércio Atacadista e Distribuidor do Estado de Alagoas (Acadeal) no debate nacional sobre os rumos da economia ganhou espaço por meio da articulação da Associação Brasileira de Atacadistas e Distribuidores (ABAD), da qual a entidade alagoana é filiada. Em Brasília, na terça (18), lideranças estaduais do sistema participaram de reuniões de alinhamento estratégico da ABAD no período do encontro com presidenciáveis, contribuindo para a construção de uma agenda nacional do setor. A Acadeal é presidida por Almir Rogério da Silva no biênio 2025-2026 e atua na representação dos interesses do comércio atacadista e distribuidor de Alagoas.

Promovido pela União Nacional de Entidades do Comércio e Serviços (UNECS), o “Encontro com os Presidenciáveis – Diálogo pelo Futuro do Brasil” colocou frente a frente representantes de candidaturas à Presidência e lideranças empresariais. O encontro teve como eixo o documento “Manifesto do Setor de Comércio e Serviços – Uma Agenda Estratégica para o Brasil 2027-2030”, elaborado para reunir prioridades do segmento. Entre os temas estão simplificação tributária, fortalecimento do Simples Nacional, desoneração da folha, crédito para micro e pequenas empresas, segurança jurídica, combate ao comércio ilegal e aos crimes cibernéticos e desburocratização.

A ABAD havia anunciado antes do evento a reunião, em Brasília, de presidentes e executivos de suas 27 filiadas estaduais. O objetivo era alinhar diferentes realidades regionais em torno de uma agenda nacional. Nesse contexto, as demandas do atacado distribuidor alagoano foram incorporadas à representação nacional do segmento, ainda que não tenham sido apresentadas como reivindicações exclusivas de Alagoas.

A reforma tributária foi um dos principais assuntos do encontro. Augusto Cury (Avante) criticou a complexidade do novo sistema e afirmou que micro e pequenas empresas podem ser prejudicadas pela transição para a Contribuição sobre Bens e Serviços (CBS) e o Imposto sobre Bens e Serviços (IBS). Também questionou o split payment, mecanismo pelo qual o tributo é recolhido no momento da liquidação financeira da operação. Para Cury, a medida pode comprometer o capital de giro das empresas. O candidato defendeu uma revisão da reforma com participação de especialistas e representantes do setor produtivo.

Renan Santos (Missão) concentrou sua crítica no impacto da reforma sobre serviços e profissionais liberais. Segundo ele, a alíquota projetada do IVA, em torno de 28%, seria excessiva. Sua proposta é estabelecer constitucionalmente metas para reduzir progressivamente o teto do imposto, combinadas com cortes de despesas públicas e revisão de renúncias fiscais.

Representantes da chapa de Flávio Bolsonaro, Alfredo Gaspar e Rogério Marinho, também criticaram a projeção de uma alíquota de 28% e afirmaram que o senador votou contra a reforma por considerar insuficientes as garantias oferecidas ao comércio e aos serviços. A proposta apresentada foi manter a reforma, mas revisar suas distorções nos primeiros seis meses de um eventual governo.

Ronaldo Caiado (PSD), por sua vez, afirmou ter feito oposição ao modelo aprovado e criticou especialmente o split payment e o Imposto Seletivo. O candidato também questionou a falta de clareza, segundo sua avaliação, sobre regras que serão definidas durante a implementação do novo sistema.

O custo do crédito apareceu como outro ponto central. Augusto Cury defendeu a captação de recursos externos, em dólar, para financiar comércio e agricultura a juros entre 4% e 6% ao ano. Renan Santos vinculou a queda dos juros ao corte de despesas públicas. Para ele, a expansão dos gastos do governo aumenta a concorrência pela liquidez e favorece aplicações em títulos públicos em detrimento do financiamento às empresas.

Foto: Divulgação

A chapa de Flávio Bolsonaro também apresentou o ajuste fiscal como caminho para reduzir o custo do dinheiro. Rogério Marinho defendeu uma redução da estrutura administrativa e classificou como necessária uma revisão ampla das despesas e regras que, segundo ele, aumentam a burocracia e a insegurança jurídica.

Caiado propôs limitar constitucionalmente o crescimento das despesas públicas a uma fração da expansão do Produto Interno Bruto (PIB). Também defendeu o uso de recursos de fundos constitucionais e do Tesouro para equalizar juros destinados a micro e pequenas empresas, com prazos de carência maiores e taxas prefixadas.

Relações de trabalho

O encontro também tratou de relações de trabalho, empreendedorismo e desburocratização. Renan Santos defendeu mudanças profundas na legislação trabalhista, incluindo o fim da CLT e da Justiça do Trabalho, além de um modelo de remuneração por hora. O candidato também se posicionou contra o fim da escala 6×1.

Ao final, os candidatos ou seus representantes receberam o manifesto do setor. A proposta da UNECS é transformar as demandas empresariais em uma agenda para o próximo ciclo de governo. A entidade reúne oito organizações nacionais e afirma representar um segmento responsável por cerca de 60% do PIB brasileiro.

Para a Acadeal, cuja atuação está inserida nessa estrutura federativa, o encontro representou mais um espaço de articulação das demandas do atacado distribuidor. Em Alagoas, o setor tem papel relevante no abastecimento do varejo e na geração de empregos, enquanto a entidade mantém sua atuação institucional em defesa do ambiente de negócios e de seus associados.

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