
A participação da Associação do Comércio Atacadista e Distribuidor do Estado de Alagoas (Acadeal) no debate nacional sobre os rumos da economia ganhou espaço por meio da articulação da Associação Brasileira de Atacadistas e Distribuidores (ABAD), da qual a entidade alagoana é filiada. Em Brasília, na terça (18), lideranças estaduais do sistema participaram de reuniões de alinhamento estratégico da ABAD no período do encontro com presidenciáveis, contribuindo para a construção de uma agenda nacional do setor. A Acadeal é presidida por Almir Rogério da Silva no biênio 2025-2026 e atua na representação dos interesses do comércio atacadista e distribuidor de Alagoas.
Promovido pela União Nacional de Entidades do Comércio e Serviços (UNECS), o “Encontro com os Presidenciáveis – Diálogo pelo Futuro do Brasil” colocou frente a frente representantes de candidaturas à Presidência e lideranças empresariais. O encontro teve como eixo o documento “Manifesto do Setor de Comércio e Serviços – Uma Agenda Estratégica para o Brasil 2027-2030”, elaborado para reunir prioridades do segmento. Entre os temas estão simplificação tributária, fortalecimento do Simples Nacional, desoneração da folha, crédito para micro e pequenas empresas, segurança jurídica, combate ao comércio ilegal e aos crimes cibernéticos e desburocratização.
A ABAD havia anunciado antes do evento a reunião, em Brasília, de presidentes e executivos de suas 27 filiadas estaduais. O objetivo era alinhar diferentes realidades regionais em torno de uma agenda nacional. Nesse contexto, as demandas do atacado distribuidor alagoano foram incorporadas à representação nacional do segmento, ainda que não tenham sido apresentadas como reivindicações exclusivas de Alagoas.
A reforma tributária foi um dos principais assuntos do encontro. Augusto Cury (Avante) criticou a complexidade do novo sistema e afirmou que micro e pequenas empresas podem ser prejudicadas pela transição para a Contribuição sobre Bens e Serviços (CBS) e o Imposto sobre Bens e Serviços (IBS). Também questionou o split payment, mecanismo pelo qual o tributo é recolhido no momento da liquidação financeira da operação. Para Cury, a medida pode comprometer o capital de giro das empresas. O candidato defendeu uma revisão da reforma com participação de especialistas e representantes do setor produtivo.
Renan Santos (Missão) concentrou sua crítica no impacto da reforma sobre serviços e profissionais liberais. Segundo ele, a alíquota projetada do IVA, em torno de 28%, seria excessiva. Sua proposta é estabelecer constitucionalmente metas para reduzir progressivamente o teto do imposto, combinadas com cortes de despesas públicas e revisão de renúncias fiscais.
Representantes da chapa de Flávio Bolsonaro, Alfredo Gaspar e Rogério Marinho, também criticaram a projeção de uma alíquota de 28% e afirmaram que o senador votou contra a reforma por considerar insuficientes as garantias oferecidas ao comércio e aos serviços. A proposta apresentada foi manter a reforma, mas revisar suas distorções nos primeiros seis meses de um eventual governo.
Ronaldo Caiado (PSD), por sua vez, afirmou ter feito oposição ao modelo aprovado e criticou especialmente o split payment e o Imposto Seletivo. O candidato também questionou a falta de clareza, segundo sua avaliação, sobre regras que serão definidas durante a implementação do novo sistema.
O custo do crédito apareceu como outro ponto central. Augusto Cury defendeu a captação de recursos externos, em dólar, para financiar comércio e agricultura a juros entre 4% e 6% ao ano. Renan Santos vinculou a queda dos juros ao corte de despesas públicas. Para ele, a expansão dos gastos do governo aumenta a concorrência pela liquidez e favorece aplicações em títulos públicos em detrimento do financiamento às empresas.

A chapa de Flávio Bolsonaro também apresentou o ajuste fiscal como caminho para reduzir o custo do dinheiro. Rogério Marinho defendeu uma redução da estrutura administrativa e classificou como necessária uma revisão ampla das despesas e regras que, segundo ele, aumentam a burocracia e a insegurança jurídica.
Caiado propôs limitar constitucionalmente o crescimento das despesas públicas a uma fração da expansão do Produto Interno Bruto (PIB). Também defendeu o uso de recursos de fundos constitucionais e do Tesouro para equalizar juros destinados a micro e pequenas empresas, com prazos de carência maiores e taxas prefixadas.
Relações de trabalho
O encontro também tratou de relações de trabalho, empreendedorismo e desburocratização. Renan Santos defendeu mudanças profundas na legislação trabalhista, incluindo o fim da CLT e da Justiça do Trabalho, além de um modelo de remuneração por hora. O candidato também se posicionou contra o fim da escala 6×1.
Ao final, os candidatos ou seus representantes receberam o manifesto do setor. A proposta da UNECS é transformar as demandas empresariais em uma agenda para o próximo ciclo de governo. A entidade reúne oito organizações nacionais e afirma representar um segmento responsável por cerca de 60% do PIB brasileiro.
Para a Acadeal, cuja atuação está inserida nessa estrutura federativa, o encontro representou mais um espaço de articulação das demandas do atacado distribuidor. Em Alagoas, o setor tem papel relevante no abastecimento do varejo e na geração de empregos, enquanto a entidade mantém sua atuação institucional em defesa do ambiente de negócios e de seus associados.