A inadimplência entre empresas do Nordeste cresceu 12,45% em julho, na comparação com o mesmo mês do ano anterior, segundo o Indicador de Inadimplência de Pessoas Jurídicas do SPC Brasil. Embora o índice seja menor que o registrado no Sul e no Centro-Oeste, o avanço preocupa por ocorrer justamente quando o setor produtivo se prepara para o segundo semestre, período marcado por maior movimentação comercial.
O número de dívidas em atraso também aumentou, com alta de 15,66% no país. Para o coordenador de Soluções do SPC Brasil, João Paulo Travasso Maia, o impacto da inadimplência vai além do débito não pago. Ele afirma que restrições no CNPJ dificultam o planejamento financeiro e a negociação de novos compromissos, especialmente em meses que exigem maior organização de caixa.
A reincidência é outro fator que pressiona o ambiente empresarial. Em julho, 69,02% das negativações eram de empresas que já haviam aparecido no cadastro de inadimplentes nos 12 meses anteriores. No Nordeste, esse comportamento reforça a dificuldade de estabilização financeira em setores que dependem de capital de giro para enfrentar oscilações de demanda.
O levantamento mostra ainda que cada empresa negativada tinha, em média, R$ 7.013,87 em dívidas. Para Travasso, reorganizar o fluxo de caixa e revisar compromissos é essencial para evitar que a inadimplência se torne recorrente.
Apesar do cenário desafiador, houve avanço na recuperação de crédito: o número de empresas que deixaram os cadastros de inadimplentes cresceu 6,28% no acumulado anual. Ainda assim, especialistas alertam que o Nordeste precisa reforçar estratégias de gestão financeira para enfrentar o segundo semestre com maior previsibilidade.
