
O acordo comercial entre Mercosul e União Europeia, em vigor desde o primeiro semestre, abre uma nova frente para empresas piauienses ampliarem as vendas externas e diversificarem uma pauta concentrada em poucos produtos e mercados. Estudo da Agência Brasileira de Promoção de Exportações e Investimentos (ApexBrasil) identificou sete produtos do estado com oportunidades em 26 países do bloco: couros e peles de ovinos, compostos químicos, milho, mel, lagostas, outros peixes congelados e ceras vegetais. Cinco são do agronegócio e dois, da indústria. Hoje, apenas 33 empresas piauienses exportam para a UE.
Segundo Gustavo Dias, gerente de Comércio Exterior e Acesso a Mercados da Investe Piauí, o milho reúne as condições mais imediatas, por já ter produção e experiência exportadora relevantes e não ser atingido pelas restrições europeias a produtos de origem animal. O mel também tem potencial, mas depende da solução de exigências sobre antimicrobianos, cautela válida para pescados e aquicultura. As restrições começaram a valer em 3 de setembro, e o governo brasileiro negocia com as autoridades europeias. “É preciso distinguir potencial comercial de possibilidade imediata de acesso ao mercado”, resume Dias.
A diversificação ganha urgência diante do perfil atual. Em 2025, o Piauí exportou US$ 1,2 bilhão e importou US$ 305,7 milhões, com superávit de US$ 895,7 milhões. A soja respondeu por 82,7% das vendas. A China comprou US$ 871,3 milhões, ou 72,5% do total, e a Ásia ficou com 83,9%. A participação da Europa caiu de 17,8%, em 2021, para 9,4%, em 2025. Para Dias, o objetivo não é substituir a China, que seguirá como parceiro estratégico, mas reduzir a concentração de mercados.
O comércio com a UE já existe: US$ 102,7 milhões exportados em 2025, contra US$ 15,8 milhões importados. Soja (53%), tortas e resíduos da extração do óleo (20,5%) e ceras vegetais (15,9%) somam quase 90% das vendas ao bloco. Uma pauta menor, com castanha de caju, couros, granito, xampus e algodão, pode servir de ponto de partida.
O Acordo de Parceria foi assinado em 17 de janeiro de 2026, e o Acordo Provisório de Comércio passou a valer em 1º de maio, com redução ou fim de tarifas conforme cronogramas e cumprimento das regras de origem. Dias vê espaço para produtos processados e de maior valor agregado, mas ressalta que isso exige escala, regularidade, certificações, rastreabilidade e adequação sanitária. “O principal desafio é transformar potencial produtivo em capacidade efetiva de exportação”, diz.
A Investe Piauí pretende mapear empresas, apoiar a adequação técnica e aproximar produtores de importadores, usando o Made in Piauí, o escritório de Lisboa, missões e rodadas de negócios.