
A safra potiguar de melão 2026/2027 deve movimentar R$ 1,42 bilhão em negócios, com cerca de 250 mil toneladas da fruta embarcadas pelo Porto de Natal. A projeção é da Companhia Docas do Rio Grande do Norte (Codern) e representa um crescimento de 4,4% na receita em relação ao ciclo anterior, quando foram movimentados R$ 1,36 bilhão e 240 mil toneladas.
Os embarques da nova safra começaram em 10 de agosto, com a atracação do navio frigorífico Baltic Performer, que deixou o terminal potiguar no dia 14 levando cerca de 5 mil toneladas rumo a Dover, no Reino Unido, e Roterdã, nos Países Baixos — cerca de 2% do volume total previsto para o ciclo.
A Europa segue como o principal destino do melão do Rio Grande do Norte. Espanha, Países Baixos e Reino Unido responderam por 94% do valor exportado pelo Estado no primeiro semestre, segundo a Secretaria de Estado do Desenvolvimento Econômico (Sedec-RN), período em que as exportações somaram US$ 51,4 milhões. Segundo a Codern, cerca de 70% dos melões e melancias consumidos no mercado europeu, incluindo o Reino Unido, saem do terminal potiguar.
Concorrência espanhola em baixa favorece preços
Segundo Carlo Porro, presidente da Agrícola Famosa, que cultiva 13 mil hectares de melão e melancia e responde por mais de 65% das frutas brasileiras vendidas à Europa, temperaturas elevadas prejudicaram a qualidade do melão espanhol, principal concorrente na abertura da safra brasileira. A expectativa é de menor sobreposição entre as duas produções, o que pode reduzir a oferta europeia e beneficiar os preços do produto nacional.
Apesar do otimismo, o setor opera com cautela. Dados do Cepea mostram queda nos embarques durante a entressafra: em junho, o volume exportado recuou 59% na comparação mensal, e a receita caiu 55%, refletindo menor oferta no Rio Grande do Norte e no Ceará e maior presença de frutas centro-americanas.
As negociações para 2026/2027 começaram com atrasos, resultado de uma campanha anterior com receita abaixo do esperado para parte dos exportadores. Ainda assim, a Federação da Agricultura, Pecuária e Pesca do Rio Grande do Norte (Faern) avalia a perspectiva como favorável.
O desempenho da safra dependerá de fatores como o câmbio e dos custos logísticos, pressionados pela alta do diesel e do transporte marítimo em razão do conflito no Oriente Médio. A disponibilidade de água na região produtora, concentrada em Mossoró e Baraúna, e a estrutura de escoamento até o Porto de Natal também serão determinantes para o resultado final do ciclo.