
A Bahia reafirma seu papel estratégico na cafeicultura brasileira, com projeção de colher 227,9 mil toneladas em 2026. O volume representa 5,9% da produção nacional, garantindo ao estado a liderança no Nordeste e a quarta posição no ranking do país, segundo dados do IBGE.
Além da relevância produtiva, o café figura como o quarto produto agrícola mais valioso da Bahia, movimentando R$ 4,023 bilhões — o equivalente a 8,5% do valor total da agricultura estadual. O desempenho é atribuído à combinação de condições naturais favoráveis e ao avanço de práticas produtivas mais tecnificadas.
A predominância do café conilon (canephora), responsável por cerca de 60% da produção estimada, reflete a adaptação às condições climáticas do estado e à demanda crescente da indústria de solúveis. Já o café arábica, com 41,6% do total, segue valorizado por sua complexidade sensorial, especialmente em regiões de altitude como a Chapada Diamantina e o planalto de Vitória da Conquista.
Geograficamente, a produção se concentra no Extremo Sul, Sudoeste e Chapada Diamantina, com destaque para municípios como Itamaraju, Prado e Barra da Estiva. Ao mesmo tempo, novas fronteiras agrícolas avançam: o Oeste baiano se consolida com selo de Indicação Geográfica, enquanto o Vale do São Francisco surge como área promissora para o cultivo irrigado.
A diversificação também desponta como estratégia no Baixo Sul e no Recôncavo, onde o café pode integrar sistemas agroflorestais e reduzir riscos econômicos e climáticos.
Com apoio de políticas públicas voltadas à modernização, certificação e fortalecimento de cooperativas, a Bahia aposta na agregação de valor e na expansão sustentável. O cenário indica não apenas uma safra robusta, mas o amadurecimento de uma cadeia produtiva cada vez mais competitiva no mercado global.