
A canadense Origen Resources anunciou que vai adquirir 70% do projeto Campo de Cima, uma área de 33.075 hectares entre Bahia e Piauí, depois de confirmar em campo concentrações anômalas de terras raras. A empresa também avançou no projeto Picos, no Piauí, e afirma que os dois projetos somam 68.615 hectares no Nordeste, segundo comunicados divulgados em 24 e 28 de setembro.
As áreas ficam numa faixa que o Serviço Geológico do Brasil (SGB) estuda como potencial para terras raras, na borda oriental da Bacia do Parnaíba. “Acreditamos que o Nordeste do Brasil é, de fato, um novo polo de terras raras”, afirmou o CEO da Origen, Gary Schellenberg.
No Campo de Cima, a decisão veio após a empresa verificar os dados da vendedora, a Incorporadora e Mineração Santa Rosa. A amostragem de reconhecimento, com espaçamento de 1,5 quilômetro, encontrou sete valores elevados em 33 amostras, com pico de 282 ppm de TREO+Y (óxidos totais de terras raras mais ítrio), numa zona de quatro por seis quilômetros. As análises foram feitas pela SGS Geosol.
O alvo é o modelo de argila de adsorção iônica, que ocorre próximo à superfície e usa extração menos intensiva em reagentes que a de rocha dura. Segundo estudo de Russo e outros autores (2025), citado pela empresa, esse tipo de depósito responde por cerca de 80% do fornecimento mundial de terras raras pesadas. A Origen compara a área a Serra Verde (GO), vendido por US$ 2,8 bilhões, e Caldeira (MG).
A empresa, porém, não divulgou estimativas de recursos ou reservas que comprovem a viabilidade econômica de uma jazida em nenhuma das duas áreas.
Para ficar com 70% do Campo de Cima, a Origen pagará US$ 100 mil e emitirá 2 milhões de ações na assinatura do contrato definitivo, e mais US$ 100 mil e 4 milhões de ações no segundo aniversário. Também precisa investir US$ 1,5 milhão em exploração em dois anos. Depois, as empresas formam uma joint venture 70/30, e a Santa Rosa mantém royalty de 2%, com metade resgatável por US$ 1,5 milhão.
Em Picos, a pesquisa é sobre camadas de fosfato com terras raras. A Origen tem acordo para comprar 90% do projeto, com a Weberte Giovan de Almeida e Associados, e direito de primeira recusa sobre outras cinco áreas. A empresa concluiu a primeira fase de amostragem, com 328 amostras, prevê coletar outras 113 e fará levantamentos geofísicos para definir novos alvos.