Jornalismo econômico para a inovação no Nordeste -
Jornalismo econômico para a inovação no Nordeste -
28 de outubro de 2026 11:50

Capitais do Nordeste são destaque em ranking sobre mercado de trabalho em 2026

Capitais do Nordeste são destaque em ranking sobre mercado de trabalho em 2026

Tendências globais como a transição para matrizes energéticas limpas e a digitalização das atividades produtivas mantêm o Nordeste em posição estratégica para a atração de capitais
 FOTOS©TATIANA FORTES/ GOV DO CEARA

Quatro capitais da região Nordeste figuram entre os dez municípios brasileiros de maior dinamismo no mercado de trabalho para o ano de 2026, segundo o ranking Cidades em Alta, elaborado pela plataforma LinkedIn.

Natal lidera a lista em 1º lugar, seguida por Recife em 2º, Fortaleza em 4º e João Pessoa que ocupa a 9ª posição. O estudo baseia-se na movimentação de perfis profissionais e no volume de oportunidades registradas na rede social.

André Felipe Canuto Coelho, professor permanente do Programa de Pós-Graduação em Políticas Públicas da Universidade Federal de Pernambuco (UFPE) conversou com o Investindo Por Aí e ajudou a compreender os fatores econômicos e estruturais que fundamentam a lista divulgada recentemente.

De acordo com o professor, os resultados observados acontecem por conta de uma conjunção de variáveis econômicas, não é apenas um fator isolado ou mera recuperação conjuntural. “Essas capitais vêm combinando crescimento dos serviços, construção civil, turismo, tecnologia e novos investimentos. Recife, por exemplo, tem uma base importante na área de tecnologia, muito ligada ao Porto Digital e ao ecossistema que se formou em torno dele. Fortaleza ganhou muito peso em telecomunicações, infraestrutura digital, energia e, mais recentemente, data centers. Natal e João Pessoa também vêm se beneficiando do crescimento dos serviços, do turismo, da construção e de uma maior capacidade de atrair investimentos e profissionais.”

André Felipe destaca ainda que as políticas públicas, como a expansão de universidades, institutos federais e concessão de incentivos fiscais, atuam na formação do ambiente de negócios, mas que o desempenho atual reflete a articulação entre a iniciativa privada, os custos operacionais da região e o aproveitamento de vantagens locais.

Por se fundamentar em dados do LinkedIn, o indicador reflete o comportamento de parcelas do mercado formal e de profissionais cadastrados na rede, demandando análise complementar em relação às estatísticas oficiais do mercado de trabalho, avalia o especialista.

Diferença entre volume de empregos e valor agregado

Setores como transição energética, parques eólicos e solares, tecnologia da informação e data centers registram aportes financeiros expressivos nas capitais citadas. No entanto, o economista estabelece uma distinção entre o volume de capital investido e a capacidade de geração contínua de postos de trabalho diretos.

Empreendimentos de infraestrutura tecnológica e energética exigem elevado contingente de trabalhadores durante as fases de obras e implantação. Após o início da operação, tais atividades passam a operar de forma intensiva em tecnologia e capital, reduzindo a demanda por mão de obra direta permanente.

O efeito principal dessas cadeias reside na movimentação de segmentos correlatos, como empresas fornecedoras, logística, engenharia, manutenção e desenvolvimento de software. A geração ostensiva de postos de trabalho continua concentrada no setor de serviços, no comércio, na construção civil, na saúde e no turismo.

De acordo com o professor, o papel de setores como energia e tecnologia direciona-se mais para o aumento da produtividade média, elevação dos padrões salariais e melhoria da qualificação das vagas do que para a absorção massiva de trabalhadores.

André destaca que a adequação da oferta de trabalhadores envolve não apenas a formação acadêmica, mas  ensino técnico profissionalizante, voltado ao atendimento direto das demandas operacionais das indústrias e empresas de tecnologia instaladas na região. O crescimento da demanda por profissionais nas áreas de tecnologia da informação, automação, análise de dados, engenharia e manutenção especializada expõe gargalos operacionais.

Por isso, em relação às universidades públicas, centros de pesquisa e unidades do Sistema S (entidades brasileiras de natureza privada que prestam serviços de capacitação profissional, como SESI e SENAI), a velocidade de aporte dos investimentos pode superar a capacidade local de formação de quadros técnicos e superiores.

Tendências globais como a transição para matrizes energéticas limpas e a digitalização das atividades produtivas mantêm o Nordeste em posição estratégica para a atração de capitais de longo prazo. “A questão é saber se a região conseguirá transformar essa oportunidade em desenvolvimento econômico mais permanente. Se os investimentos vierem acompanhados de qualificação profissional, fornecedores locais, tecnologia e aumento de produtividade, o efeito pode ser muito relevante. Se forem apenas grandes projetos instalados fisicamente na região, mas pouco integrados à economia local, o impacto será bem menor”, avalia o professor.

👆

Assine a newsletter
do Investindo por aí!

 

Gostou desse artigo? compartilhe!

Últimas

SINE IDT
Expoagro (2)
Arena fonte nova
Mar ANP
Mêntore Bank
cooperativa de crédito
Casca do coco
Equatorial piauí
Ônibus Fortaleza
potencial

Deixe um comentário

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *

div#pf-content img.pf-large-image.pf-primary-img.flex-width.pf-size-full.mediumImage{ display:none !important; }