
No município de Nova Floresta, no Curimataú paraibano, um grupo de produtores tem transformado a agricultura local por meio da hidroponia — técnica que permite o cultivo de plantas sem solo, com raízes submersas em solução nutritiva. A inovação tem ampliado a produção de hortaliças e frutas em uma região marcada pelo clima seco, abrindo novas possibilidades econômicas para agricultores familiares.
A propriedade do agricultor Antônio Ambrósio é um exemplo desse avanço. Com quatro hectares, o sítio começou com cultivos tradicionais como milho, feijão e mandioca, mas ao longo dos anos diversificou a produção graças à renda obtida com a venda de raízes. A adoção da hidroponia, orientada por técnicos agrícolas, permitiu ampliar o cultivo para cerca de 40 tipos de hortaliças, incluindo alface, cheiro-verde, brócolis e couve-flor. A família é pioneira no estado ao produzir brócolis e couve-flor por meio dessa técnica.
O sistema utiliza um dessalinizador para tratar a água naturalmente salgada da região, equilibrando nutrientes antes da irrigação. Isso possibilita o cultivo de espécies sensíveis e garante qualidade mesmo em condições adversas. Apesar dos benefícios, o custo crescente do plantio agroecológico levou os produtores a buscar novas alternativas, como o mercado de flores comestíveis. Hoje, a propriedade cultiva mais de 30 espécies, enviadas para cidades como Natal, Mossoró, João Pessoa e Campina Grande.
Além das hortaliças e flores, o sítio produz morangos adaptados ao clima local, que combina noites mais frias com dias secos. São 12 mil pés, resultando em cerca de 40 quilos por semana, mantidos por uma equipe de três pessoas.
A produção também se tornou atração turística. Visitantes pagam entre R$ 20 e R$ 90 para conhecer o processo de cultivo e experimentar morangos direto do pé. Ao Jornal da Paraíba, Antônio afirmou que o crescimento da propriedade representa mais que renda: é motivo de orgulho e transformação social em sua comunidade.