
O Piauí está entre os seis estados que compõem a Margem Equatorial, região marítima que se estende por cerca de 2.200 quilômetros do Amapá ao Rio Grande do Norte e é considerada estratégica pela Petrobras para ampliar a produção nacional de petróleo e gás. A estatal prevê investir US$ 2,5 bilhões na perfuração de 15 poços na região entre 2026 e 2030 — o equivalente a 37,5% dos US$ 7,1 bilhões destinados à exploração no período.
Apesar de integrar a faixa da Margem Equatorial, o Piauí, que possui o menor litoral do país, com aproximadamente 66 quilômetros, não figura entre os projetos atualmente em fase de licenciamento ambiental — os três poços que aguardam autorização do Ibama estão concentrados na costa do Amapá. Ainda assim, o estado pode ser beneficiado por efeitos econômicos associados à cadeia de petróleo e gás, caso a exploração avance na região.
Uma simulação do Observatório Nacional da Indústria projeta o impacto de um cenário hipotético de produção de 300 mil barris por dia no Piauí. Com o barril a US$ 80,20 e o dólar a R$ 5,20, o valor anual da produção chegaria a R$ 45 bilhões, com impacto nominal estimado de R$ 33,377 bilhões sobre o PIB estadual e geração de 158.997 empregos. Os números representam um exercício de potencial econômico, e não uma previsão efetiva de produção ou empregos.
Os efeitos para o Piauí ainda dependem de fatores como a conclusão de análises ambientais, a existência de descobertas comercialmente viáveis e a eventual implantação de uma cadeia produtiva local, com possível demanda por logística, serviços especializados e mão de obra qualificada. Em junho, a ANP aprovou a indicação de 86 blocos da Margem Equatorial para futuros ciclos de concessão, mas a medida não representa autorização imediata para exploração.