
A Superintendência do Desenvolvimento do Nordeste (Sudene) encerrou o primeiro semestre de 2026 com uma agenda marcada pela ampliação de investimentos, incentivos à atividade produtiva e estruturação de projetos estratégicos para a região. O balanço das atividades realizadas entre janeiro e junho, divulgado pela Autarquia, mostra uma carteira de 102 projetos estruturantes vinculados ao Plano Regional de Desenvolvimento do Nordeste (PRDNE), além de ações voltadas a infraestrutura, inovação, sustentabilidade e planejamento territorial.
O movimento ganhou novo impulso na quinta-feira (27), quando a Diretoria Colegiada da Sudene aprovou 36 pleitos de incentivos fiscais apresentados por empresas instaladas em sua área de atuação. Os empreendimentos informaram investimentos de R$ 429,4 milhões e a manutenção de 5.275 empregos, sendo 1.521 relacionados a novos postos de trabalho.
Dos benefícios aprovados, 32 correspondem à redução de 67,5% do Imposto de Renda da Pessoa Jurídica (IRPJ) e adicionais não restituíveis. Outros quatro pedidos são relativos ao reinvestimento de 27% do IRPJ. Segundo a Sudene, os investimentos informados pelas empresas não são decorrentes de renúncia fiscal.
As propostas aprovadas estão distribuídas por dez estados. O Rio Grande do Norte concentra oito pleitos, seguido por Alagoas, com seis; Minas Gerais e Piauí, com quatro cada; Espírito Santo, também com quatro; Pernambuco, com três; Bahia e Maranhão, com dois cada; e Ceará e Sergipe, com um e dois, respectivamente.
Para Pabllo Brandão, diretor-substituto de Gestão de Fundos e Incentivos Fiscais da Sudene, o conjunto aprovado revela diversidade tanto territorial quanto econômica. Foram 19 benefícios destinados à implantação de novos empreendimentos, 12 para modernização, quatro para reinvestimento e um relacionado à transferência de controle. A agroindústria liderou, com oito pleitos, incluindo três empresas produtoras de ovos. Alimentos e bebidas tiveram sete pedidos, enquanto turismo, minerais não metálicos, infraestrutura, madeira e móveis também aparecem entre os setores contemplados.
Entre os maiores investimentos estão os R$ 186,7 milhões informados pela Ambev para modernização da fábrica de bebidas em Estância, em Sergipe; R$ 56,5 milhões da São Pedro Comercialização de Grãos para implantação de empreendimento no sul do Maranhão; e R$ 45 milhões da Granja Moriz para duas unidades produtoras de ovos em Valença do Piauí.
A política de incentivos também alcança municípios de pequeno porte, como Carbonita (MG), Tamandaré (PE), Viçosa e Porto de Pedras (AL), além de Valença do Piauí e Baixa Grande do Ribeiro (PI), e Buerarema e Pau Brasil (BA). As localidades têm entre 9,5 mil e 24,6 mil habitantes, segundo os dados apresentados à Sudene, reforçando a dimensão territorial da estratégia de desenvolvimento regional.
Desde janeiro, a Autarquia já aprovou 253 pleitos de incentivos fiscais. Para Silvio Carlos do Amaral e Silva, coordenador-geral de Incentivos Fiscais da Sudene, o volume demonstra a continuidade da política de estímulo à atividade econômica na área de atuação da instituição.
O balanço do primeiro semestre mostra que os incentivos fiscais integram uma estratégia mais ampla. Os projetos aprovados no período estão associados à criação ou manutenção de 35.317 postos de trabalho, dos quais 27.017 diretos e 8.300 terceirizados.
No planejamento regional, a Sudene também avançou na articulação com governos estaduais, instituições financeiras e organismos de cooperação para estruturar e acompanhar iniciativas prioritárias. Entre os instrumentos de financiamento acompanhados estão o Fundo Constitucional de Financiamento do Nordeste (FNE) e o Fundo de Desenvolvimento do Nordeste (FDNE), além de estudos sobre os resultados dos recursos aplicados.
A infraestrutura é outro eixo relevante. O relatório reúne estudos sobre a Ferrovia Transnordestina, incluindo o acompanhamento do financiamento via FDNE e análises dos impactos econômicos e sociais esperados com o empreendimento.
Na inovação, o programa Inova Palma selecionou quatro projetos no primeiro semestre, voltados à expansão, qualificação e pesquisa e desenvolvimento da cadeia produtiva da palma forrageira, com investimentos de R$ 7,5 milhões.
Já na agenda territorial e de sustentabilidade, a Sudene desenvolve, em parceria com a Universidade Federal de Pernambuco (UFPE), um diagnóstico urbanístico e estudo vocacional da Rua da Imperatriz, no Recife. A iniciativa deverá subsidiar propostas de revitalização da área e tem conclusão prevista para o fim de 2026.
A Autarquia também atualiza o Data Nordeste, plataforma que reúne informações econômicas, sociais, ambientais e territoriais para apoiar o planejamento público. A ampliação das bases, a criação de painéis interativos e aplicações georreferenciadas fazem parte desse esforço.
A agenda de avaliação das políticas públicas também avançou. Na reunião de quinta-feira, foi aprovado um estudo, em parceria com a Universidade Federal Rural de Pernambuco (UFRPE), para medir a eficiência, eficácia e efetividade dos incentivos fiscais no setor químico. A proposta busca ampliar a base de evidências para aperfeiçoar uma das principais ferramentas da Sudene de promoção do desenvolvimento regional.