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29 de agosto de 2026 11:00

Nordeste amplia protagonismo internacional contra a desertificação com acordo na COP17

Nordeste amplia protagonismo internacional contra a desertificação com acordo na COP17

Memorando firmado pelo Consórcio Nordeste com a ONU abre novas frentes de cooperação para recuperação da Caatinga, segurança hídrica e financiamento climático
Carlos Gabas, Secretário Executivo do Consórcio Nordeste, assina o Memorando de Entendimento, ao lado de Andrea Meza, Secretária Executiva Adjunta da UNCCD | Foto: Divulgação

O Consórcio Nordeste encerrou na quinta-feira (27) sua participação na COP17, realizada na Mongólia, com um acordo que amplia a inserção internacional da região na agenda de combate à desertificação. O bloco assinou um Memorando de Entendimento com a Convenção das Nações Unidas para o Combate à Desertificação (UNCCD), estabelecendo canais permanentes de cooperação técnica e acesso a metodologias e instrumentos globais voltados à neutralidade da degradação da terra.

A assinatura ocorreu ao fim do painel “Governança Multinível no Combate à Desertificação”, promovido pelo Consórcio no Pavilhão Brasil, na Blue Zone, e contou com a presença do ministro do Meio Ambiente e Mudança do Clima, João Paulo Capobianco. Para o secretário executivo do Consórcio Nordeste, Carlos Gabas, o acordo consolida o papel dos governos regionais nas discussões climáticas internacionais.

“A assinatura deste Memorando com a UNCCD fortalece o papel dos governos subnacionais como agentes indispensáveis na implementação de políticas públicas climáticas”, afirmou Gabas. Segundo ele, a parceria deverá abrir novas possibilidades para a execução do Plano Brasil Nordeste de Transformação Ecológica (PTE-NE). “Estamos confiantes que, a partir dele, teremos mais canais e caminhos abertos para concretizar os projetos e as ações do nosso Plano Brasil Nordeste de Transformação Ecológica.”

A secretária executiva adjunta da UNCCD, Andrea Meza, também destacou a presença nordestina no encontro. “A forte presença do Nordeste, com uma verdadeira bancada da Caatinga, mostra ao mundo uma região que quer assumir protagonismo na construção de soluções”, disse. Para ela, o Nordeste pode desempenhar papel estratégico na articulação de políticas de recuperação ambiental e adaptação. “O Nordeste é um território fundamental para fortalecer uma rede de políticas de combate à desertificação, restauração de terras e resiliência climática.”

Capobianco ressaltou a aproximação entre o Ministério do Meio Ambiente e os governos nordestinos. “É muito importante perceber a centralidade que a Caatinga vem assumindo a partir da atuação do Consórcio Nordeste”, declarou. O ministro afirmou ainda que a assinatura demonstra a capacidade regional de transformar planejamento em políticas concretas para enfrentar a degradação ambiental.

Durante a COP17, o Consórcio apresentou o PTE-NE como uma estratégia integrada de desenvolvimento sustentável, com cerca de 50 projetos estruturantes distribuídos entre segurança hídrica, transição energética, hidrogênio verde, powershoring, recuperação da Caatinga, bioeconomia e agricultura familiar. O Fundo Caatinga foi apresentado como plataforma financeira destinada a receber doações, financiamentos, crédito e operações de blended finance para viabilizar essas iniciativas.

A aposta é transformar o Nordeste em referência internacional entre regiões semiáridas. A estratégia também foi associada à experiência acumulada na convivência com a seca, incluindo tecnologias como cisternas, poços solares e barragens subterrâneas.

“Nossa participação na COP17 mostrou ao mundo que o Semiárido brasileiro é um território onde conhecimentos de convivência com a seca conectam-se a mecanismos modernos de atração de capital produtivo de baixo carbono”, avaliou Gabas. “Isso posiciona o Nordeste em outro patamar na agenda global de terras secas.”

A articulação política também avançou com a entrega à UNCCD da carta “Posicionamento Regional dos Governos Locais e Regionais”, proposta pelo ICLEI América do Sul e Mercociudades, com participação do Consórcio Nordeste. O documento defende mecanismos permanentes de governança multinível e maior acesso de governos subnacionais a fundos climáticos multilaterais.

Agora, a agenda internacional segue para a China, onde a delegação nordestina permanecerá de 29 de agosto a 4 de setembro. Estão previstas visitas ao Deserto de Kubuqi, referência em recuperação de áreas degradadas, além de reuniões com a Universidade Agrícola da China, o Banco Asiático de Investimento em Infraestrutura e ministérios chineses. O objetivo é ampliar parcerias em mecanização, energias renováveis e investimentos de baixo carbono.

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