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28 de agosto de 2026 10:57

Mercado imobiliário do Nordeste acelera e lança 46,9 mil imóveis no primeiro semestre

Mercado imobiliário do Nordeste acelera e lança 46,9 mil imóveis no primeiro semestre

Alta de 15% nos lançamentos supera a média nacional, com força concentrada nos segmentos econômico e compacto; Recife, Natal, Fortaleza e Salvador também registram sinais de aquecimento
Mercado imobiliário
Mercado imobiliário apresenta números recordes | Foto: Pixabay

O mercado imobiliário do Nordeste atravessa um ciclo de expansão em 2026, sustentado principalmente pela demanda por imóveis econômicos e compactos. Dados apresentados pela Associação Brasileira de Incorporadoras (ABRAINC) mostram que a região registrou 46,9 mil unidades lançadas no primeiro semestre, alta de 15% em relação ao mesmo período de 2025. O volume movimentou R$ 19,7 bilhões, avanço de 4%. As vendas chegaram a 49,2 mil unidades, crescimento de 4%, com Valor Geral de Vendas (VGV) de R$ 22,3 bilhões.

Os números foram apresentados na quarta-feira (26), no Recife, durante encontro da ABRAINC com empresários e lideranças do setor, realizado em parceria com a Ernst Young. O evento discutiu também crédito, funding, reforma tributária e os efeitos do cenário econômico sobre novos investimentos.

O desempenho regional não é homogêneo. O principal motor da expansão está nos imóveis destinados às faixas de renda mais baixas e nas unidades de menor metragem. Os lançamentos de imóveis econômicos cresceram 30%, enquanto os compactos avançaram 21%. Já o segmento de médio e alto padrão registrou queda de 17% nas unidades lançadas e de 19% nas vendas, reflexo, entre outros fatores, do custo elevado do crédito e das restrições de funding.

Pernambuco aparece entre os principais polos desse movimento. O estado contabilizou 9,4 mil unidades lançadas no semestre, segundo os dados apresentados pela ABRAINC. No Recife, foram aproximadamente 3 mil unidades e R$ 2 bilhões em vendas. O Jornal do Commercio, em levantamento publicado nesta semana, aponta que a capital vive um dos momentos mais aquecidos dos últimos anos: no acumulado de 12 meses, foram 7.935 unidades verticais lançadas, alta de 39%.

O fenômeno também aparece em outras capitais. Natal registrou crescimento de 47% nas vendas de apartamentos no primeiro trimestre, enquanto os lançamentos avançaram 61%. A demanda por unidades funcionais e de menor valor tem ganhado força, com imóveis de dois quartos representando 65,7% da oferta disponível.

Em Fortaleza, a expectativa é que a expansão do Minha Casa, Minha Vida para a classe média impulsione o mercado cearense em até 10% neste ano. A mudança também estimula incorporadoras a buscar terrenos em bairros mais centrais e valorizados para atender a nova faixa do programa.

Salvador, por sua vez, combina demanda por imóveis compactos com valorização expressiva. Apartamentos de até 45 metros quadrados e sem garagem vêm ganhando espaço entre compradores mais jovens. A capital baiana também registrou valorização residencial de 16,25% em 2025, a maior entre as 56 cidades monitoradas pelo FipeZAP.

Por trás desse movimento está a força do Minha Casa, Minha Vida. Na Grande Recife, o programa respondeu por 62,8% das vendas residenciais no primeiro semestre e por 44,5% dos lançamentos, segundo estudo da Brain para a Ademi-PE. Em âmbito nacional, o MCMV representou 50,3% das vendas no período, de acordo com levantamento da CBIC e da Brain.

O cenário, portanto, combina demanda reprimida, expansão do crédito habitacional e mudanças no perfil do consumidor. A ABRAINC informa que 95% das empresas consultadas pretendem lançar projetos do MCMV nos próximos 12 meses, enquanto 92% planejam adquirir terrenos para esse segmento.

Para Luiz França, presidente da ABRAINC, o Nordeste demonstra demanda consistente por moradia e amplia sua participação no mercado nacional. O desafio, agora, é transformar esse apetite em investimentos sustentáveis, especialmente diante dos juros elevados e da necessidade de novas fontes de financiamento.

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