
Trens de carga podem voltar a circular nos 163,2 quilômetros entre o Porto de Cabedelo e Campina Grande. O governo da Paraíba estuda uma concessão que, segundo o governador reeleito Lucas Ribeiro (PP), pode sair ainda este ano. Não há, porém, previsão de custo, operador definido ou data para a retomada dos trens de carga.
O plano teria uso industrial e começaria pelo trecho portuário, com possibilidade de expansão. “Está sendo feito um planejamento para uma nova concessão que pode ser feita ainda este ano. A gente está trabalhando para expandir para a Paraíba inteira”, disse Lucas ao programa Olho Vivo, da Diário do Sertão.
Lucas não detalhou modelo, investimentos, prazos, materiais ou empresas usuárias, nem se a concessão é a mesma do processo federal. Citou ainda uma rota turística nacional no estado, sem divulgar trajeto ou cronograma de execução.
O trecho integra a carteira do Ministério dos Transportes para recuperar ferrovias paradas ou pouco usadas. Em 15 de setembro, a pasta apresentou à iniciativa privada, na B3, sete shortlines, trechos curtos ligados às linhas principais. Juntos, somam cerca de 800 quilômetros; o paraibano é o único do Nordeste e só perde para o goiano entre Roncador Novo e Jardim Ingá, com 245 quilômetros.
A carteira é a primeira de cerca de 10 mil quilômetros de trechos ociosos que podem ser avaliados. O modelo prevê autorizações de 99 anos e prazo de dois anos para apresentar o Plano de Requalificação da Malha. Obras podem usar recursos federais ou privados; em disputa, vence quem pedir menor aporte público.
Parte da linha integra a malha da Ferrovia Transnordestina Logística, usada pelo trem urbano entre Cabedelo, João Pessoa e Santa Rita. O transporte de cargas ligado ao porto está parado desde 2010, e o chamamento busca reativar a ligação com Campina Grande, sem data definida.
Em Campina Grande, a readequação de 16,3 quilômetros retirados em agosto de 2025 do contrato da FTL e transferidos ao DNIT avança desde 17 de setembro. O VLT terá 14,8 quilômetros, 13 estações e quatro locomotivas, com trens a cada 17 minutos nos horários de pico e previsão de 14,5 mil a 29 mil passageiros diários. A prefeitura espera concluir a infraestrutura no segundo semestre de 2027.