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22 de maio de 2026 06:01

Pesquisadores da UFRN desenvolvem método sustentável para recuperar óleo de resíduos de perfuração

Pesquisadores da UFRN desenvolvem método sustentável para recuperar óleo de resíduos de perfuração

Tecnologia inovadora utiliza tensoativos não tóxicos e elimina solventes perigosos, com potencial de aplicação em plataformas offshore e instalações terrestres do setor de petróleo e gás
Foto: Cícero Oliveira/Agecom/UFRN
Pesquisadores da Universidade Federal do Rio Grande do Norte (UFRN) criaram um processo físico-químico integrado capaz de recuperar óleo residual presente em cascalhos de perfuração à base de olefina, resíduo sólido gerado durante a exploração de poços de petróleo e gás. A tecnologia, desenvolvida no Laboratório de Tecnologia de Tensoativos (LTT) do Instituto de Química, encontra-se em fase de prova de conceito em escala laboratorial e promete transformar um material descartável em recurso reintegrável à cadeia produtiva.
O método utiliza tensoativos não iônicos etoxilados em concentrações micelares combinados com etapas controladas de aquecimento e centrifugação para separar a fase oleosa dos resíduos. Segundo a pesquisadora Aeryslânnia Moreira da Nóbrega, um dos principais diferenciais está na ausência de solventes orgânicos tóxicos ou inflamáveis, o que reduz riscos operacionais e impactos ambientais. Além disso, as misturas podem ser preparadas com agitação mecânica convencional, sem equipamentos especializados ou aditivos de alto custo.
A pesquisa tem aplicação direta no perfil operacional do setor de petróleo e gás no Nordeste. De acordo com dados da Agência Nacional do Petróleo (ANP), a região concentra cerca de 2.300 poços terrestres — equivalente a 41% dos poços onshore do país — nas bacias Potiguar, Recôncavo, Sergipe-Alagoas e Parnaíba, com produção de aproximadamente 100 mil barris diários de petróleo em 2025. A predominância de campos maduros amplia o volume de resíduos de perfuração gerados em operações de manutenção e reativação de poços.
Os cascalhos de perfuração constituem os principais resíduos sólidos das operações de exploração e produção, formados por fragmentos de rocha misturados com fluidos de perfuração. Quando dispostos inadequadamente, causam contaminação do solo, poluição hídrica e emissão de gases. A gestão desse passivo é regulada pela Instrução Normativa nº 01/2018 do Ibama e pela Política Nacional de Resíduos Sólidos (PNRS).
O método pode ser aplicado em plataformas offshore, instalações terrestres e Unidades de Tratamento de Resíduos Industriais (UTRIs), contribuindo para a recuperação de óleo de alto valor agregado e a redução do volume de resíduos destinados à disposição final. A Petrobras, que gerou 0,8 mil toneladas de cascalhos e fluidos de base não aquosa em 2024, tem meta de destinar pelo menos 80% dos resíduos de processo para rotas de reuso, reciclagem e recuperação até 2030.
O grupo de pesquisa, formado por nove inventores e liderado pelo professor Alcides de Oliveira Wanderley Neto, pretende agora otimizar o processo e escalonar a tecnologia para volumes maiores, com condições operacionais mais próximas da realidade industrial.

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