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13 de agosto de 2026 14:24

“Política fiscal deve ser um meio, e não um fim”, afirma Erik Figueiredo sobre perspectivas paraibanas

“Política fiscal deve ser um meio, e não um fim”, afirma Erik Figueiredo sobre perspectivas paraibanas

Economista reconhece avanços nas contas públicas da Paraíba, mas afirma que os resultados precisam se traduzir em geração de emprego, renda e desenvolvimento econômico

Para além de temas como segurança pública e infraestrutura, a disputa pelo Poder Executivo na Paraíba deve passar pela pauta econômica. Em um ano de eleições, é comum que índices econômicos sirvam como combustível eleitoral tanto para opositores criticarem a atual gestão quanto para a situação justificar a manutenção do poder.

Nos últimos meses, a economia paraibana já vem sendo alvo de discussões. Como já abordado no Investindo Por Aí, divergências de interpretações de indicadores econômicos colocaram o governo do estado, por meio da figura de Marialvo Laureano, e o economista Erik Figueiredo em faces opostas de uma mesma moeda.

De um lado, o otimismo oficial, reverberando números apresentados pelo governo; de outro, questionamentos sobre os dados e o que de fato merece estar no centro do debate sobre desenvolvimento econômico.

Erik defende que o superávit e a capacidade fiscal, dois pontos celebrados pelo governo, devem ser aplaudidos, mas com o objetivo de serem convertidos em bem-estar para a sociedade paraibana.

“Tivemos um debate de ideias que é sempre muito interessante em uma democracia. Meu ponto principal de divergência é que a política fiscal deve ser um meio para se conseguir algo, e não um fim. Então, como é que nós podemos comemorar, pura e simplesmente, o fato de termos uma capacidade de pagamento elevada, enquanto os indicadores da economia paraibana ainda estão aquém do que poderiam ser?”, explica.

O economista não nega que a economia paraibana vem evoluindo nos últimos anos, mas, segundo ele, esse crescimento está concentrado em serviços públicos, em especial na construção civil.

Dados do Novo Cadastro Geral de Empregados e Desempregados (Novo Caged), divulgados na última semana de julho, apontam que o crescimento da construção civil é nacional. No primeiro semestre de 2026, o setor criou 168.962 empregos formais.

Na Paraíba, a construção civil foi a terceira maior geradora de empregos formais no estado em 2025. Dados do Novo Caged mostram que, de janeiro a outubro, o estado registrou 230.360 admissões com carteira assinada. Desse total, 41.378 ocorreram no setor da construção, o que equivale a 17,9% das contratações realizadas no período. Em João Pessoa, a cada 100 novos empregos formais, 22 estão ligados à construção civil.

De acordo com o IBGE, o setor responde por cerca de 5% do PIB total da Paraíba. Entre as atividades industriais do estado, a construção civil é líder disparada, representando 32,1%.

O economista Erik Figueiredo comenta que o setor possui uma característica muito particular em João Pessoa. “A maioria dos trabalhadores é de cidades vizinhas, então eles vêm para João Pessoa, ficam nos alojamentos da construção. Na sexta-feira, eles retornam para a sua casa, ou seja, levam a renda para o interior da Paraíba”, explica. Segundo ele, esse comportamento ajuda a distribuir renda para outras cidades do estado, em vez de concentrá-la apenas no litoral.

Se, por um lado, a construção civil vem chamando a atenção pelo seu desempenho na economia local, na avaliação de Erik, outros setores vêm perdendo espaço. Segundo ele, o cenário torna-se preocupante porque o estado não possui uma política geral de industrialização da economia.

“A indústria de transformação, em geral, vem perdendo espaço, isso é muito preocupante. O setor sucroalcooleiro, por exemplo, está passando por um período de muita incerteza, principalmente porque o Plano Safra colocou como garantia as terras. A taxa de juros é de quase 18%, 19%, e quem tomou esse empréstimo coloca a própria terra como garantia, e isso pode dificultar o setor nos próximos anos”, comenta Erik.

Segundo ele, discussões sobre políticas públicas são o caminho para solucionar esses problemas.

“Então a gente precisa de um choque de discussão de política pública industrial, discutindo o setor público com o setor produtivo. Você precisa de um incremento de infraestrutura e de uma política generalizada para melhorar o ambiente de negócios. Eu acho que esse é o caminho para a Paraíba nos próximos anos, ou precisa ser, necessita ser o caminho.”

Outro tema que deve ser enfrentado por quem assumir a chefia do Poder Executivo em 2027 é a reforma tributária. Em vigor desde janeiro deste ano, a transição do ICMS para o IBS ainda deve gerar impactos econômicos no estado. Para Erik, ainda não há uma preparação clara para essa mudança tributária.

“Eu acho que nenhum estado está, não necessariamente por culpa dele. A gente, em São Paulo, está começando um movimento interno de transição, melhorando os instrumentos de arrecadação do ICMS para ter uma transição mais suave. Eu acho que a Paraíba poderia também seguir esse caminho”, explica.

Porém, de acordo com Erik, a maior preocupação dos estados nessa transição deve ser os aportes do governo federal, que ainda não chegaram.

“O governo federal deveria aportar R$ 8 bilhões para a compensação dos benefícios fiscais no ano de 2025, não aportou nada. Este ano ele deveria aportar R$ 16 bilhões, até agora nada. Ou seja, o fundo de compensação dos benefícios fiscais não foi nem criado ainda. Isso mostra que nós temos um problema, talvez a falta de dinheiro para compensar um direito das empresas.”

O economista acredita que as duas maiores preocupações do futuro governador da Paraíba devem ser a adequação à transição da reforma tributária, além de acompanhar fatores que fogem ao controle do governo estadual, como é o caso dos aportes para o fundo de compensação dos benefícios fiscais.

Mas, na visão de Erik, a reforma tributária não deve ser o maior desafio do próximo governo. Segundo o economista, o estado possui um cenário fiscal desafiador e precisa mudar a lógica fiscalista para uma lógica de desenvolvimento centrada em emprego e renda.

“Nós estamos batendo 82% da dívida/PIB, gastando 10% do nosso PIB só com pagamento de juros e amortizações. E, mesmo com o Banco Central tendo reduzido a taxa de juros em meio ponto percentual nos últimos meses, os títulos do Tesouro estão aumentando o pagamento de juros. Então o desafio da conjuntura nacional é muito grande. Sob o ponto de vista da política interna, é mudar essa lógica fiscalista para uma lógica de desenvolvimento, mas um desenvolvimento centrado, de fato, no que gera emprego e renda”, explica.

O economista também acredita que o estado deve focar em infraestrutura, destravar investimentos e tornar o Porto de Cabedelo um atrativo para o escoamento da produção. Além disso, defende que o governo do estado articule, junto ao governo federal, a redução de impostos.

“O desenvolvimento tem que ser concentrado em dois pontos: melhoria do ambiente de negócios e infraestrutura. Não tem outro caminho, não tem mais vantagem tributária. Então acho que o desafio é mudar essa chave na cabeça dos gestores da política paraibana, saindo da visão fiscalista para uma visão de desenvolvimento econômico”, conclui.

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