
O turismo médico começa a desenhar novas oportunidades para a economia do Nordeste, ao aproximar a expansão dos serviços de saúde da infraestrutura turística já existente na região. Com centros especializados, tecnologia e profissionais qualificados, cidades nordestinas buscam atrair pacientes de outros estados e ampliar uma cadeia de negócios que envolve hospitais, hotéis, transporte, alimentação e serviços. O movimento abre espaço para diversificar o turismo regional, historicamente associado ao sol e à praia, e transformar a excelência médica em um novo vetor de desenvolvimento econômico.
O oftalmologista e CEO da Logos Vision Group e da Logos BioScience, Dr. João Marcelo Lyra, destaca que Recife já se consolidou como uma referência em turismo médico no Nordeste, impulsionada por uma estrutura hospitalar robusta e investimentos em tecnologia. Segundo ele, Alagoas também avança nesse cenário, com centros especializados que oferecem infraestrutura e recursos tecnológicos comparáveis aos de grandes polos da região. O médico observa ainda que algumas especialidades nordestinas já apresentam equivalência com o Sudeste em desenvolvimento científico, capacitação profissional e nível técnico.
“Recife já tem esse DNA de turismo médico, com uma estrutura hospitalar mais robusta e investimentos em tecnologia. Em Alagoas, estamos avançando nesse mesmo caminho, inclusive com uma estrutura diferenciada de hotelaria, que trouxemos com o Logos V. Hoje, em algumas especialidades, já existe uma equivalência entre o Nordeste e o Sudeste em termos de treinamento, desenvolvimento tecnológico, ciência e nível técnico dos profissionais”, frisa.
O presidente da Associação Brasileira da Indústria de Hotéis em Alagoas (ABIH-AL), Gabriel Cedrim, avalia que o turismo médico representa uma oportunidade de diversificação da demanda turística, especialmente por apresentar potencial de movimentação ao longo de todo o ano. Embora a hotelaria ainda não identifique um aumento significativo desse público, o perfil dos pacientes, que frequentemente viajam acompanhados e precisam permanecer por mais tempo no destino, pode contribuir para reduzir os efeitos da sazonalidade.

“Diferentemente do turismo de lazer, esse segmento pode gerar deslocamentos durante todo o ano, independentemente dos períodos tradicionais de férias e alta temporada. É um público que, muitas vezes, viaja acompanhado e precisa permanecer no destino por mais de um dia, seja para consultas, exames, procedimentos ou recuperação. Isso pode gerar uma movimentação interessante para hotéis, restaurantes, transportes e outros serviços”, afirma.
Para Cedrim, transformar esse potencial em resultados concretos depende de uma atuação integrada entre os segmentos de saúde, hotelaria, transporte e serviços turísticos. O dirigente também aponta a necessidade de ampliar a divulgação de Alagoas como destino de saúde, qualificar o atendimento e estabelecer parcerias que facilitem a experiência de pacientes e acompanhantes.