Jornalismo econômico para a inovação no Nordeste -
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2 de março de 2024 01:14

Um Nordeste pujante e pouco conhecido

Um Nordeste pujante e pouco conhecido

George Santoro e Nathália Araújo falam sobre como a região tem superando estereótipos e impulsionado o desenvolvimento nacional

Há um Nordeste muito diferente do imaginário da maioria dos brasileiros. É uma região que cresce mais rapidamente do que a média do país e onde a população segue ganhando poder econômico. Estudos de consultorias indicam que a economia nordestina já possui um poder de compra estimado em quase 450 bilhões de reais, e uma classe média em crescimento constante que deverá superar 50% da população em cinco anos.

Dados do Boletim Focus, do Banco Central, apontaram uma expectativa de crescimento do Produto Interno Bruto (PIB) da região em 3,8% em agosto, o que é 1% acima das projeções do mercado para o PIB nacional (2,89%). No mesmo sentido, relatórios reservados de várias instituições financeiras apresentam um cenário otimista para o Nordeste, com perspectivas de crescimento contínuo nos anos seguintes.

Nathalia Araújo (Subsecretária Especial de Planejamento e Orçamento de Alagoas) e George Santoro (Secretário Executivo do Ministério dos Transportes)

A antiga imagem de que o Nordeste não produz nada, que a seca impossibilita a prática da agricultura e que a pobreza impede o desenvolvimento da população está ficando para trás. Soluções técnicas desenvolvidas nas últimas décadas têm impulsionado a produção agrícola. O Banco do Nordeste prevê que a produção de grãos na safra de 2023 será superior a 25,8 milhões de toneladas, representando um crescimento de 8,6% em relação à safra anterior.

O oeste baiano deverá produzir 10,9 milhões de toneladas em 2023, o que representa cerca de 42,5% da produção regional de grãos. Outras contribuições significativas vêm do Piauí, como o segundo maior produtor, com previsão de 6,5 milhões de toneladas de grãos (um aumento de 25,5%), e do Maranhão, com uma produção de 6,4 milhões de toneladas de grãos (um crescimento de 24,7%).

Mas as boas notícias não param por aí. Um pouco mais de 100 campos maduros de petróleo e gás foram vendidos pela Petrobras a partir de 2019, e após a transferência para novos empreendedores, esses campos já apresentam um substancial crescimento na produção. Analistas do mercado de óleo e gás têm apontado que a produção pode crescer acima de 100% nos próximos três anos.

A Associação Brasileira de Produtores Independentes de Petróleo e Gás (ABPIP) tem apontado uma estimativa de investimentos de R$ 40 bilhões até 2029 no Nordeste, o que contribuirá para aumentar a produção e desenvolver novos negócios. É importante destacar que esses campos estão, em sua maioria, localizados em municípios do interior, com baixos índices de desenvolvimento humano e de infraestrutura.

A região é a principal responsável pela geração de energia eólica e solar fotovoltaica do país, com uma capacidade instalada de 28,3 gigawatts (GW), o que representa 82,6% da capacidade nacional com essas duas fontes de energia. Os nove estados nordestinos também somam 10 GW em projetos em fase de construção e representam 79,7% das novas instalações programadas para entrar em operação no país, segundo a ANEEL.

Entretanto, há um grande potencial para expansão, pois o Brasil participa de forma modesta na capacidade instalada mundial. Importante ressaltar que, das 904 usinas eólicas em operação no país em 2023, 777 estão no Nordeste. Portanto, a região já é autossuficiente em energia, sendo responsável por 30% da geração em todo o país. Dessa forma, o Nordeste exporta energia para as outras regiões.

A retomada das operações do consórcio Alumar, localizado no Maranhão, reflete a expectativa do setor de alumínio no Brasil de voltar ao topo dos maiores produtores mundiais desse metal. Neste ano, o Brasil saiu da 12ª posição e subiu para a 9ª posição no ranking global, aumentando a capacidade de produção do país para 1,4 milhão de toneladas por ano. As operações estavam paradas desde 2015, e a retomada contribuirá para impulsionar o PIB regional, juntamente com os investimentos em infraestrutura, gás natural e petróleo.

Outro impulsionador do crescimento na região Nordeste é o turismo, que atrai milhões de visitantes anualmente. O turismo no estado da Bahia cresceu 13,6%, superando a média nacional de 8,6%, de acordo com dados do IBGE. O fluxo de passageiros nos aeroportos foi o mais alto do Nordeste, com 4,9 milhões de viajantes, seguido pelo estado de Pernambuco, com 3,5 milhões.

Na região Nordeste, o setor de serviços é a atividade econômica com maior participação no valor adicionado, e o estado da Paraíba vem se destacando nesse setor, com uma expansão de 13%, liderando o crescimento da região. Esse desempenho é seguido pelo Maranhão, que teve um crescimento de 10,7% em julho, em comparação com o mesmo mês do ano anterior. Entre os setores, transportes e serviços auxiliares contribuíram significativamente para o volume total de serviços.

O crescimento e dinamismo econômico da região Nordeste também tem atraído a atenção de novos investidores. A gigante chinesa BYD assumiu a unidade em Camaçari, na Bahia, investindo 3 bilhões na construção de novas unidades no complexo e na produção de automóveis elétricos. Estima-se que esse investimento gere mais de 5 mil empregos na região, que é visto como uma vitrine para a América e a Europa.

As possibilidades de crescimento econômico no Nordeste vêm atraindo cada vez mais investidores que estejam atentos ao que está acontecendo na região. São oportunidades em diversos setores, muito diferentes da imagem que ainda persiste no imaginário de muitos.

*Nathalia Araújo é Mestre em Economia pela UFAL e Subsecretária Especial de Planejamento e Orçamento de Alagoas

*George Santoro é Secretário Executivo do Ministério dos Transportes

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