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29 de abril de 2026 06:10

Violência em alta coloca segurança pública no centro da corrida pelo governo da Bahia

Violência em alta coloca segurança pública no centro da corrida pelo governo da Bahia

Com indicadores ainda críticos e percepção de insegurança elevada, gestão de Jerônimo Rodrigues enfrenta pressão enquanto ACM Neto deve explorar o tema como eixo da disputa eleitoral
Foto: Agência Brasil

A segurança pública desponta como o principal campo de batalha na disputa pelo governo da Bahia em 2026. Em um cenário marcado por indicadores ainda preocupantes e por uma sensação difusa de insegurança entre a população, o tema tende a concentrar narrativas, propostas e embates entre o atual governador, Jerônimo Rodrigues, e seu adversário, ACM Neto.

Desde o início da atual gestão, o governo baiano tem buscado estruturar uma agenda que combine ações de policiamento, investimento em inteligência e reforço institucional. Dados disponíveis no painel de transparência estadual indicam esforços contínuos para ampliar o efetivo, modernizar equipamentos e fortalecer operações integradas. Ainda assim, a evolução dos indicadores de violência, especialmente homicídios e crimes ligados ao tráfico, mantém o estado em posição crítica no cenário nacional.

Esse descompasso entre ação governamental e percepção social tende a ser um dos pontos centrais da disputa. Para o cientista político Paulo Ramirez, professor da ESPM, o problema ultrapassa a esfera local. “Os dados de segurança pública na Bahia têm piorado bastante, inclusive durante a gestão do PT. Mas isso não se explica apenas pelo fato de ser um governo petista. Há um contexto mais amplo, que envolve a expansão do crime organizado no Nordeste, especialmente na Bahia, com a atuação de diferentes facções disputando território”, afirma.

A análise aponta para uma dinâmica regional que pressiona os estados, exigindo respostas cada vez mais complexas. Na Bahia, esse cenário se manifesta de forma aguda em grandes centros urbanos, como Salvador, mas também avança sobre cidades menores, muitas vezes utilizadas como rotas logísticas para o tráfico.

Estratégias em disputa

Ao mesmo tempo, o governo estadual tenta sustentar uma narrativa de enfrentamento estruturado, com foco em investigação e rastreamento financeiro das organizações criminosas, uma estratégia alinhada ao que vem sendo defendido por governos petistas no plano nacional. Esse modelo, no entanto, tende a competir com propostas mais imediatistas e visíveis, geralmente associadas a setores da direita, que priorizam policiamento ostensivo e operações de grande impacto.

“Esse tipo de proposta, mais dura e imediata, acaba funcionando como um forte apelo para uma parcela do eleitorado que demanda respostas mais rápidas e visíveis ao crime organizado”, explica Ramirez. Nesse contexto, ACM Neto deve explorar o tema como eixo central de sua campanha, apostando em um discurso de maior presença policial e ações diretas contra o crime.

Percepção pesa mais que estatística

Embora estatísticas oficiais sejam frequentemente mobilizadas por governos para demonstrar avanços pontuais, a decisão do eleitor tende a ser guiada por experiências cotidianas. “O eleitor vota muito mais pela sensação que tem em relação ao crime. Mesmo que não tenha sido vítima direta, quase sempre conhece alguém que foi”, afirma o cientista político.

Essa percepção é reforçada por pesquisas recentes que apontam a violência como uma das principais preocupações da população, à frente de temas tradicionalmente centrais, como inflação e desemprego. Em um contexto de relativa estabilidade econômica, a segurança pública ganha protagonismo na avaliação dos governos.

Na prática, isso significa que a leitura dos dados pode variar conforme o interesse político. Governos tendem a destacar reduções específicas em determinados crimes, enquanto a oposição enfatiza o aumento de indicadores ou a persistência da sensação de insegurança. “Os dados são sempre relativos e acabam sendo interpretados de acordo com o interesse de cada campanha”, observa Ramirez.

Outro fator relevante é a subnotificação de crimes, especialmente furtos e roubos de menor valor, que muitas vezes não chegam às estatísticas oficiais. Isso contribui para ampliar o hiato entre números e percepção, alimentando narrativas divergentes.

Desigualdade regional e avanço da violência

A heterogeneidade do estado também adiciona complexidade ao debate. A Bahia reúne realidades muito distintas, com grandes centros urbanos e municípios de menor porte, onde a dinâmica da violência e a percepção da população variam significativamente. Ainda assim, há sinais de que o avanço do crime organizado tem reduzido essas diferenças, alcançando áreas antes consideradas mais seguras.

Em Salvador, relatos de moradores e comerciantes indicam um ambiente de crescente preocupação. “Há uma sensação muito forte de insegurança e críticas ao governo estadual, com a percepção de poucos avanços no combate ao crime organizado”, relata Ramirez, com base em visitas recentes à capital.

Os candidatos Jerônimo Teixeira (PT) e ACM Neto (União) | Foto: Montagem sobre reprodução

Impacto econômico e pressão política

Além do impacto direto sobre o cotidiano, a segurança pública também se conecta a uma dimensão estratégica: o desenvolvimento econômico. Altos índices de violência podem afetar a atração de investimentos, o turismo e a geração de empregos, criando um ciclo que retroalimenta a vulnerabilidade social. Nesse sentido, a capacidade de enfrentar o problema passa a ser vista não apenas como uma questão de ordem pública, mas como um fator determinante para o crescimento do estado.

No campo político, o tema tende a mobilizar não apenas candidatos ao Executivo, mas também influenciar a composição das assembleias legislativas e do Congresso. O fortalecimento de grupos ligados à chamada “bancada da segurança” e a presença crescente de agentes das forças policiais nas redes sociais ampliam o alcance do debate e intensificam a pressão por respostas.

À medida que a eleição se aproxima, a expectativa é de que a segurança pública se consolide como o principal eixo narrativo da disputa. De um lado, o governo buscará evidenciar ações, investimentos e eventuais melhorias pontuais. De outro, a oposição deve explorar a percepção de insegurança e defender medidas mais incisivas.

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