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24 de abril de 2026 12:09

Made in Piauí mira internacionalização de produtos estaduais

Made in Piauí mira internacionalização de produtos estaduais

Em um ano, a plataforma chegou a 25 estados, reuniu 271 vendedores e virou modelo de política pública para digitalização da economia local
Foto: Divulgação

O Piauí tem cachaça artesanal que chega a Santa Catarina, artesanato que encontra comprador em São Paulo e pequenos produtores do interior que, pela primeira vez, vendem para fora do estado sem precisar de representante comercial ou loja física. Tudo isso por meio de uma plataforma lançada em abril de 2025 pelo governo estadual: o Made In Piauí.

Em pouco mais de um ano de operação, o programa acumula 271 vendedores cadastrados, mais de 357 mil acessos e pedidos registrados em 25 das 27 unidades da federação. São Paulo já é o segundo maior mercado da plataforma. O número diz muito sobre o que o programa conseguiu em pouco tempo: romper a barreira geográfica que limitava o alcance dos pequenos produtores piauienses.

“Muitos artesãos, produtores e pequenos negócios têm produtos de qualidade, identidade própria e forte vínculo com o território, mas enfrentavam limitações para alcançar consumidores fora do seu círculo imediato”, explica Gustavo Dias, Gerente de Comércio Exterior e Acesso a Mercados da Investe Piauí e coordenador do programa. Segundo ele, as barreiras eram de três ordens: logística, baixa maturidade digital e ausência de um canal organizado de comercialização.

A resposta do programa foi integrar esses três eixos numa única solução: uma vitrine digital com curadoria, capacitação contínua dos vendedores e apoio à logística. “O programa foi desenhado justamente para enfrentar esse conjunto de gargalos de maneira integrada”, diz Dias. A plataforma alcança vendedores em 48 dos 224 municípios piauienses, distribuídos pelos 12 territórios de desenvolvimento do estado. O projeto não ficou concentrado na capital, mas se expandiu pelo interior.

Da cachaça artesanal ao mercado nacional

Um dos casos mais ilustrativos dentro da plataforma é o da Cachaça Lira, empresa familiar fundada em 1889 na região de Amarante, no interior do estado. Igor Lira, responsável pela operação atual, conta que a marca já vendia fora do estado, em São Paulo, Fortaleza e São Luís, mas descreve a atuação que tinha nesses lugares como “muito tímida”.

“O que o Made In Piauí faz é encurtar os caminhos”, afirma Igor. “Hoje conseguimos enviar a cachaça para outros estados que antes não era possível”. Segundo ele, a plataforma se tornou o principal canal online da marca, representando 80% das vendas digitais da Lira. “Não dá para comparar. Hoje é a maior plataforma da nossa distribuição online”.

Igor destaca ainda um diferencial que vai além do volume de vendas: a credibilidade. Antes, a Lira vendia em outras plataformas digitais, mas recebia com frequência perguntas de consumidores questionando a autenticidade do produto. “Com o Made In Piauí foi mais fácil ter esse aval. Você vê que o produto realmente é original e está comprando direto do produtor”.

A entrada na plataforma também abriu perspectivas que antes pareciam distantes. “A gente já começou negociações internacionais”, revela Igor. Para ele, a equação é simples: “A pior coisa que poderia acontecer é eu continuar do jeito que estava”.

Capacitação como componente estruturante

Um aspecto que distingue o Made In Piauí de iniciativas similares é o peso dado à formação dos vendedores. Gustavo Dias reconhece que, no primeiro ano de operação, ficou evidente que parte relevante dos participantes ainda apresentava dificuldades operacionais básicas, desde o cadastro de produtos até o uso das ferramentas digitais da plataforma.

“A capacitação deixou de ser um complemento e passou a ser um componente estruturante da solução”, afirma o coordenador. O programa estruturou ações de letramento digital presencial, criou materiais didáticos integrados ao site, implantou rotinas semanais de capacitação coletiva com sessões ao vivo e desenvolveu recursos de visão analítica para que os vendedores possam acompanhar seu desempenho.

Expansão internacional no horizonte

O programa não esconde a ambição de levar produtos piauienses para além das fronteiras nacionais. Dias aponta que a Investe Piauí já mantém escritórios internacionais nos Estados Unidos, em Portugal e na China, que atuam como pontos de apoio para prospecção comercial e aproximação com compradores estrangeiros. Há ainda articulações em curso para inserir produtos piauienses em redes de supermercados norte-americanas.

A estratégia, segundo ele, é construída em camadas: primeiro consolidar a operação nacional, depois usar feiras e rodadas de negócios como porta de entrada para mercados externos, e por fim estabelecer uma presença internacional mais estruturada e regular. “O objetivo não é apenas vender pontualmente para fora, mas construir uma presença internacional mais estruturada para a produção piauiense”, resume Dias.

Para 2026, os eixos estratégicos incluem o fortalecimento do atacado digital e das operações B2B, a integração entre canais físicos e digitais, o uso de marketing segmentado por dados e a implantação de uma operação de fulfillment própria, o que deve aumentar significativamente a capacidade logística do programa.

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