
O Instituto de Desenvolvimento Sustentável e Meio Ambiente do Rio Grande do Norte (Idema) emitiu a licença prévia que viabiliza a implantação de uma usina de hidrogênio verde estimada em R$ 12 bilhões. O documento, referente ao Projeto Morro Pintado, em Areia Branca, foi apresentado na terça-feira (21) pelo diretor-geral do órgão, Werner Farkatt, na Hannover Messe 2026, maior feira de tecnologia industrial do mundo, na Alemanha.
A licença já havia sido entregue à Brazil Green Energy no dia 10 de abril, mas ganhou projeção internacional ao ser exposta a investidores e empresas interessadas no empreendimento. A planta terá capacidade instalada de 500 MW e produção estimada de 80 mil toneladas anuais de hidrogênio verde e amônia verde. Prazos para início da construção e operação, no entanto, não foram informados.
A viabilização da licença ocorreu após aprovação de resolução do Conselho Estadual de Meio Ambiente (Conema), que regulamentou a atividade no estado. O governo ressaltou que a medida “consolida a segurança jurídica e a capacidade institucional do Rio Grande do Norte para receber projetos de grande escala”.
O estado publicou ainda neste mês o Atlas de Hidrogênio Verde, com informações técnicas para a produção. Segundo Ranieri Rodrigues, pesquisador do Instituto Senai de Inovação e Energias Renováveis, o documento aponta que o potencial produtivo do estado, utilizando apenas 20% das áreas aptas, supera a demanda projetada para 2040 — mais de 20 milhões de toneladas anuais contra 11 milhões de demanda esperada. Sobre o uso hídrico, o mapeamento considera água de reúso e dessalinizada, sem dependência de mananciais superficiais ou subterrâneos.
O hidrogênio verde é produzido por eletrólise, processo de separação do hidrogênio da água por corrente elétrica, mas com energia proveniente de fontes renováveis, como solar e eólica. Diferentemente do hidrogênio produzido a partir de gás natural, o método resulta em baixíssima emissão de carbono e é considerado uma das apostas centrais da transição energética mundial.