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10 de agosto de 2026 14:55

Acima da média nacional em empreendedorismo negro, Pernambuco ainda enfrenta desafios na igualdade salarial

Acima da média nacional em empreendedorismo negro, Pernambuco ainda enfrenta desafios na igualdade salarial

Embora o crescimento seja notável em setores tradicionais como alimentação, beleza, moda, comércio e serviços, há uma grande expansão em marketing digital, educação e tecnologia
Foto: Arquivo pessoal

Dados recentes mostram que 62,3% dos donos de negócios em Pernambuco são negros. De acordo com dados compilados pelo Sebrae (com base na Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios Contínua do IBGE), o estado possui uma marca superior à média nacional em relação a empreendedorismo negro.

O levantamento identificou, no entanto, uma diferença significativa de rendimento. Enquanto os empreendedores negros recebem, em média, R$ 2.334,28 por mês, os empreendedores brancos, possuem um rendimento médio que chega a R$ 4.155,25 (cerca de 78% acima).

Com 663,5 mil empreendedores negros e uma força expressiva que movimenta a economia local, o segmento ainda enfrenta gargalos estruturais como baixa formalização, dificuldades no acesso ao crédito e disparidade de renda quando comparado a empreendedores brancos.

Para enfrentar essas desigualdades e transformar negócios de subsistência em empresas escaláveis, o Sebrae/PE lançou o projeto Conexão Afro, marcando o início da iniciativa com o evento “Quartas de Sucesso: Conexão Afro”.

“O Conexão Afro foi criado para aproximar os empreendedores negros das oportunidades disponíveis no ecossistema de negócios. A iniciativa conecta esse público a instituições financeiras, órgãos públicos, parceiros estratégicos e ao Sebrae, ampliando o acesso ao crédito, à capacitação, ao mercado e às redes de relacionamento”, explica Andréa Claudia Sales Lima Viana, gestora do Sebrae Delas na Região Metropolitana do Recife.

Segundo Andréa, embora o crescimento do empreendedorismo negro seja notável em setores tradicionais como alimentação, beleza, moda, comércio e serviços, há uma grande expansão em marketing digital, educação e tecnologia.

“O grande desafio é apoiar esses empreendedores na transição de negócios de subsistência para negócios mais estruturados, inovadores e escaláveis. O Sebrae entende que o fortalecimento do empreendedorismo negro passa pela criação de oportunidades, pelo acesso ao conhecimento, ao crédito e às conexões. Quando investimos nesse público, fortalecemos toda a economia local”, reforça a gestora.

Poliana Gomes, fundadora da confeitaria Malê, participou do “Quartas de Sucesso: Conexão Afro” com o objetivo de profissionalizar ainda mais o negócio. Criado a partir de uma dor e luta contra o racismo. Poliana decidiu empreender em novembro de 2023 após enfrentar situações de adoecimento no mercado de trabalho formal.

“Eu decidi empreender porque passei por vários problemas dentro do mercado de trabalho. No último emprego, desenvolvi crises de ansiedade e sofri um racismo mais escondido, sem ser tão explícito. Isso tudo mexeu muito com o meu psicológico e eu não quis mais voltar”, conta.

A saída veio pela confeitaria. A empreendedora começou vendendo doces por delivery operando diretamente de sua casa. Trabalhando em formato solo e contando com a ajuda do marido para organização e logística, Poliana aponta a gestão como o principal gargalo enfrentado no dia a dia.

“A minha maior barreira até aqui foi saber fazer toda a gestão financeira da empresa. É diferente você administrar um salário de CLT e administrar uma empresa, saber para onde vai o dinheiro, quanto saiu, o que pagar e quando pagar”, revela. “Empreender é um constante aprendizado. Eu busquei me especializar muito no Sebrae. Sempre que tem eventos, palestras e workshops, tento estar presente para adquirir o máximo de conhecimento”.

Foto: Arquivo pessoal

Participar do Quartas de Sucesso como expositora permitiu a Poliana dar um novo passo na maturação do seu negócio e planejar o futuro.

“Foi muito importante para eu enxergar a minha marca de outro ângulo, ter uma outra visão de crescimento e poder compartilhar experiências com outras empreendedoras negras daqui de Pernambuco. A Malê não vende doces; ela vende acolhimento, carinho e momentos”, comenta a empreendedora, que pretende ter uma loja física no futuro e para isso atualmente estuda e se especializa na produção de brigadeiros.

O Conexão Afro desenhou uma agenda contínua em parceria com a consultoria Pretar. Por meio do Sebrae Delas, realizará a Jornada Conexão Afro – PRETAGONISTA: Afroempreendedor com Identidade. Entre os meses de agosto e outubro, capacitações gratuitas serão realizadas acontecem na sede do Sebrae Recife, sempre das 15h às 17h, com aulas que passam por estratégia, transformação e autonomia para os empreendedores.

Para Andréa Viana, o ecossistema pernambucano ganha tração quando a representatividade demográfica se reflete no fortalecimento empresarial. “O Conexão Afro nasce para conectar pessoas, ampliar oportunidades e fortalecer o protagonismo negro em Pernambuco. Quando criamos redes, criamos futuro.”

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