
O Governo de Alagoas ampliou sua articulação internacional em missão à China e à Mongólia, com foco na atração de investimentos, na cooperação técnica e no desenvolvimento sustentável. Um dos principais resultados foi a abertura de diálogo com o Banco Asiático de Investimento em Infraestrutura (AIIB) para estruturar uma possível operação de financiamento de até US$ 80 milhões. O valor, porém, é uma referência inicial, sem contratação ou liberação de recursos até o momento.
A agenda, realizada em articulação com o Consórcio Nordeste, foi dividida em duas etapas. Em Pequim, a delegação participou de reuniões com representantes da Embaixada do Brasil na China e do AIIB, instituição multilateral de desenvolvimento sediada na capital chinesa. Na sequência, a comitiva seguiu para Ulaanbaatar, na Mongólia, onde participou da 17ª Conferência das Partes da Convenção das Nações Unidas de Combate à Desertificação (COP17/UNCCD).
No encontro com o banco asiático, foram discutidas possibilidades de financiamento para projetos de infraestrutura sustentável, segurança hídrica, monitoramento ambiental, digitalização e enfrentamento dos efeitos das mudanças climáticas. Uma eventual operação dependerá da elaboração dos projetos, da maturidade técnica das propostas e do cumprimento dos critérios de elegibilidade da instituição.
Segundo o superintendente de Relações Internacionais, Gabriel Prata, a missão representa um avanço na estratégia de internacionalização do estado e da região Nordeste. Em Pequim, a delegação também apresentou as prioridades de Alagoas ao embaixador brasileiro na China, Marcos Galvão, e discutiu oportunidades de cooperação em infraestrutura, energia e desenvolvimento de baixo carbono.
Cooperação internacional e Caatinga
Na COP17, Alagoas integrou a estratégia do Consórcio Nordeste de apresentar o Semiárido brasileiro e a Caatinga como territórios capazes de desenvolver soluções para a seca, a degradação ambiental e as mudanças climáticas, além de compartilhar experiências com outras regiões áridas e semiáridas.
A delegação apresentou o Plano Brasil Nordeste de Transformação Ecológica (PTE-NE), que reúne aproximadamente 50 projetos estruturantes, e o Fundo Caatinga, concebido para mobilizar recursos por meio de doações, financiamentos e mecanismos de financiamento combinado, conhecidos como blended finance.
Outro resultado foi a assinatura de um Memorando de Entendimento entre o Consórcio Nordeste e a UNCCD, com o objetivo de estabelecer um canal permanente de cooperação técnica com as Nações Unidas.
Para a secretária de Estado de Relações Federativas e Internacionais, Jacqueline Rêgo, a iniciativa busca transformar contatos institucionais em parcerias capazes de contribuir para o desenvolvimento sustentável e a melhoria da qualidade de vida da população.
A comitiva contou ainda com representantes das áreas de meio ambiente e recursos hídricos. A missão teve apoio institucional do Ministério do Meio Ambiente e Mudança do Clima e do ICLEI, organização internacional voltada ao desenvolvimento sustentável.