
Os portos de Fortaleza (CE), Itaqui (MA) e Salvador (BA) estão entre os próximos projetos de infraestrutura portuária do governo federal. Os três terminais devem ser leiloados em dezembro, dentro de uma carteira que prevê 34 novos leilões portuários e investimentos de até R$ 23 bilhões nos próximos anos. A iniciativa busca ampliar a capacidade logística nacional e atrair capital privado para o setor.
A carteira foi apresentada na terça-feira (27) pelo ministro de Portos e Aeroportos, Tomé Franca, durante a abertura do XIII Encontro da Associação de Terminais Portuários Privados (ATP), em Brasília. O evento reuniu representantes do setor para discutir infraestrutura, competitividade e perspectivas econômicas.
Desde 2023, o governo realizou 29 leilões portuários, que somaram mais de R$ 15 bilhões em investimentos. Além disso, 70 projetos de Terminais de Uso Privado (TUPs) estão em análise, com potencial de mobilizar outros R$ 33 bilhões.
Segundo Franca, a expansão da infraestrutura depende de segurança jurídica, planejamento e diálogo entre o poder público e a iniciativa privada. O ministro afirmou que a intenção é atrair investimentos com contratos equilibrados, concorrência e transparência.
A agenda de modernização também inclui instrumentos de planejamento logístico, como o Plano Nacional de Logística 2050, o novo Plano Setorial de Portos e o Monitoramento da Saturação Portuária. A ferramenta deverá antecipar possíveis gargalos operacionais e orientar decisões sobre a ampliação da capacidade dos terminais.
Entre os projetos destacados pelo ministério estão o Tecon Santos 10, voltado à expansão da movimentação de contêineres no porto paulista, e o Túnel Santos–Guarujá, iniciativa de infraestrutura que busca melhorar a mobilidade na região portuária.
A ampliação da participação privada também foi defendida por representantes do setor. O diretor-presidente da ATP, Murillo Barbosa, afirmou que previsibilidade regulatória e eficiência nos processos públicos são condições importantes para transformar projetos em capacidade operacional, empregos e desenvolvimento econômico.
O diretor-geral da Agência Nacional de Transportes Aquaviários (Antaq), Frederico Carvalho Dias, ressaltou o papel da regulação na criação de regras confiáveis para investidores. Já a secretária-executiva do ministério, Thairyne Oliveira, destacou que os investimentos devem produzir benefícios sociais, como oportunidades de trabalho e melhoria dos serviços.
Com 41 empresas associadas e 78 terminais privados representados, a ATP defende a integração entre planejamento público e investimentos empresariais. Para o Nordeste, os leilões previstos para dezembro representam uma etapa da estratégia federal de ampliar a infraestrutura portuária e fortalecer a competitividade logística regional.