
O Nordeste consolida sua posição como uma das principais fronteiras da transformação energética brasileira. De um lado, a AXIA Energia inicia um novo ciclo de expansão da rede de transmissão com investimentos bilionários. De outro, a região abriga projetos de pesquisa e inovação que buscam responder a um dos maiores desafios tecnológicos da atualidade: o crescente consumo de energia provocado pela inteligência artificial.
A AXIA Energia anunciou o início das obras do projeto Nova Era Integração, que prevê investimentos de R$ 2,6 bilhões ainda neste ano para a construção de cerca de 1.100 quilômetros de linhas de transmissão e seccionamentos de linha nos estados de Alagoas, Bahia, Paraíba e Pernambuco. As intervenções fazem parte de um plano mais amplo de expansão da infraestrutura elétrica nordestina, que deverá receber aportes de R$ 5,9 bilhões até 2030.
Os empreendimentos estão distribuídos entre sete estados da região — Alagoas, Bahia, Ceará, Paraíba, Pernambuco, Piauí e Rio Grande do Norte — e incluem novas linhas de transmissão, duas subestações e reforços em instalações já existentes. O objetivo é ampliar a confiabilidade do sistema elétrico, facilitar a integração de novas fontes renováveis e criar condições para o crescimento econômico regional.
Segundo a empresa, as obras também terão impacto significativo na geração de empregos. Durante os períodos de pico, os projetos poderão mobilizar mais de 10 mil trabalhadores. Para Marcelo Calvet, diretor de Implantação de Geração e Transmissão da companhia, a expansão da infraestrutura energética está diretamente associada ao desenvolvimento sustentável e ao fortalecimento da segurança energética nacional.
Hub de inovação energética
O investimento em transmissão ocorre em um momento em que o Nordeste se destaca não apenas pela geração de energia renovável, mas também como laboratório para tecnologias que podem redefinir o setor elétrico nas próximas décadas.
Um dos exemplos está na região do Vale do São Francisco, entre Petrolina, em Pernambuco, e Casa Nova, na Bahia. Ali, uma combinação de parques eólicos, usinas solares, sistemas de armazenamento em baterias, projetos térmicos e iniciativas voltadas para data centers vem sendo utilizada para testar soluções capazes de atender à crescente demanda energética dos sistemas de inteligência artificial.
Nos últimos anos, cerca de R$ 300 milhões foram destinados a projetos de pesquisa, desenvolvimento e inovação na região, muitos deles financiados por programas regulados pela Agência Nacional de Energia Elétrica (Aneel). O objetivo é explorar novas formas de geração e armazenamento capazes de tornar o fornecimento de energia mais eficiente e estável.
Entre os projetos mais ambiciosos está uma usina heliotérmica instalada no Centro de Referência em Energia Solar de Petrolina. Com investimentos superiores a R$ 74 milhões, a planta utiliza 270 espelhos distribuídos em uma área de dez hectares para concentrar a radiação solar em uma torre de 40 metros de altura. A tecnologia, baseada em um sistema desenvolvido na Austrália, é considerada uma das poucas em operação no mundo.
Além de gerar eletricidade, o projeto busca aproveitar o calor produzido pela radiação concentrada, aumentando a eficiência energética e ampliando as possibilidades de aplicação industrial. A combinação entre geração solar, armazenamento e transmissão é vista como uma das alternativas para sustentar a expansão de setores intensivos em energia, como os centros de processamento de dados voltados à inteligência artificial.
A aposta no Nordeste tem fundamento em características naturais e estruturais da região. A elevada incidência solar, os ventos constantes e a ampla rede de transmissão construída ao longo das últimas décadas criaram um ambiente favorável para grandes projetos energéticos. Nesse contexto, a expansão da malha elétrica promovida pela AXIA surge como peça fundamental para conectar novos empreendimentos e garantir que a energia produzida possa chegar aos centros consumidores.