
A Braskem registrou lucro líquido de R$ 3,33 bilhões no segundo trimestre de 2026, revertendo o prejuízo de R$ 267 milhões registrado no mesmo período do ano passado, e EBITDA recorrente de R$ 5,25 bilhões, impulsionado pela melhora dos spreads petroquímicos no mercado internacional. Os resultados foram apresentados nesta sexta-feira (14), em coletiva de imprensa realizada online, a primeira desde que a nova gestão assumiu o comando da companhia.
O diretor-presidente da Braskem, Hélcio Tokeshi, avaliou que o atual cenário global, marcado por volatilidade, incerteza, complexidade e ambiguidade, exige cautela na elaboração de projeções para o futuro. Segundo ele, entre os principais desafios estruturais da indústria petroquímica está o contínuo aumento da capacidade produtiva da China, movimento que ocorre há décadas e deve persistir nos próximos anos, impondo mudanças estruturais ao setor e exigindo respostas estratégicas da indústria.
“Esse contexto faz com que a gente tenha muita humildade sobre ficar fazendo projeções sobre o futuro, que é muito incerto, muito volátil, complexo e ambíguo. A gente tem um desafio que já está dado, que vem se prolongando, que é estrutural: a capacidade da China de fazer investimentos e aumentar sua capacidade de produção em petroquímicos. Isso é uma mudança estrutural na indústria e será um dos grandes desafios da indústria petroquímica, ao qual nós estamos trabalhando para poder enfrentar”, sinalizou.
Nesse cenário de excesso de oferta global e de pressão sobre as margens, Rosana Avolio, diretora de Relações com Investidores, Planejamento Estratégico e Inteligência de Mercado Corporativo da Braskem, destacou que a competitividade da indústria química está diretamente relacionada ao acesso a matérias-primas competitivas. Segundo ela, a companhia vem trabalhando para ampliar a flexibilidade de suas operações e fortalecer a competitividade de suas plantas no Brasil.
“É importante destacar que a competitividade da indústria química se dá, sim, pela matéria-prima. Esse é um diferencial competitivo necessário. No caso do Polo da Bahia, que é extremamente importante para a Braskem, temos uma produção relevante de eteno, de cerca de 1,4 milhão de toneladas, o que representa aproximadamente 30% da nossa produção de eteno no Brasil”, afirmou.
A executiva ressaltou ainda que a Braskem realizou, em 2017, um projeto para ampliar a flexibilidade da central petroquímica da Bahia, permitindo o uso de matérias-primas mais competitivas, especialmente aquelas baseadas em etano. Para Rosana, a estratégia não busca apenas aumentar a competitividade da própria companhia, mas contribuir para a sustentabilidade de toda a cadeia química instalada no país.
“Esse investimento permite que a central seja mais flexível e utilize uma matéria-prima mais competitiva, que hoje vem naturalmente dos Estados Unidos, com base em etano. A companhia vem buscando aumentar ainda mais essa flexibilidade para garantir não somente competitividade para a Braskem, mas para o polo como um todo”, acrescentou.
A pressão sobre a competitividade já tem reflexos em diferentes elos da cadeia química brasileira. Rosana frisou que, nos últimos anos, clientes da companhia chegaram a interromper operações diante da dificuldade de competir com produtos importados, reforçando a necessidade de uma atuação coordenada entre fornecedores de matérias-primas, produtores químicos e consumidores industriais. A análise é que o fortalecimento da indústria nacional depende de ganhos de competitividade ao longo de toda a cadeia.
O Carlos Brandão, diretor Financeiro (CFO) e diretor de Relações com Investidores (DRI) da Braskem, mencionou ainda que o desempenho do segundo trimestre foi beneficiado por movimentos pontuais nos preços e spreads petroquímicos, mas observou que parte desses efeitos não deve se repetir nos próximos períodos. Segundo ele, a companhia mantém atenção ao ambiente de volatilidade e trabalha para fortalecer sua estrutura financeira e sua competitividade diante do cenário ainda desafiador da indústria.
“Essas variações relevantes que aconteceram especificamente no trimestre são pontuais e não recorrentes, ainda que o cenário demande atenção diante da volatilidade, especialmente em função dos conflitos geopolíticos. Tivemos um custo de produção do produtor marginal maior, impactando positivamente os preços de resinas e químicos no mercado internacional, que foram superiores aos observados no primeiro trimestre de 2026”, garantiu.
O executivo explicou que o movimento foi particularmente perceptível nos principais spreads de polietileno (PE) e polipropileno (PP). No PE produzido nos Estados Unidos, por exemplo, o spread ficou quase 40% acima da média de 2016 a 2025, impulsionado principalmente pela ampliação temporária da arbitragem entre os mercados norte-americano e asiático. Para Brandão, porém, o cenário observado no trimestre representa principalmente um choque pontual de oferta, e não uma mudança estrutural na dinâmica da indústria petroquímica global.
O efeito desse ambiente de preços e spreads também se refletiu no resultado da Braskem no segundo trimestre. Os dados apresentados pela companhia mostram um salto no EBITDA consolidado em relação tanto ao segundo trimestre de 2025 quanto ao primeiro trimestre de 2026, em um período marcado por movimentos atípicos nos mercados internacionais de matérias-primas e resinas.
Apesar da melhora no trimestre, as projeções apresentadas pela companhia apontam para uma possível normalização dos spreads a partir do terceiro trimestre. Consultorias externas procuradas pela Braskem, por exemplo, estimam queda de 59% no spread do PE entre os mercados dos Estados Unidos e da África entre o segundo e o terceiro trimestre de 2026, diante da expectativa de redução da arbitragem entre as regiões.
O cenário-base considera a normalização dos spreads em razão do redirecionamento dos fluxos comerciais, da demanda moderada e da permanência da sobreoferta global. Ao mesmo tempo, a companhia avalia que riscos geopolíticos, logísticos e operacionais ainda podem provocar novas oscilações e abrir oportunidades pontuais de captura de valor.
Diante desse ambiente, Brandão apresentou as prioridades da companhia para o segundo semestre, organizadas em quatro pilares: reestruturação, operação e comercial, geração de valor e atuação institucional, além da manutenção dos compromissos relacionados à segurança e ao evento geológico em Alagoas.
“Diante das mudanças recentes no ambiente de negócios, relacionadas tanto ao cenário da indústria petroquímica global quanto à nova estrutura acionária da Braskem, estabelecemos novas prioridades para o segundo semestre. Vamos avançar na otimização da nossa estrutura de capital, com foco na estabilidade e na perpetuidade do negócio, mantendo também disciplina na alocação de capital e atenção à preservação da liquidez financeira”, frisou.
Segundo o CFO, a companhia também pretende ampliar a eficiência operacional e comercial, fortalecer sua competitividade estrutural e avançar na identificação e captura de oportunidades adicionais de geração de valor. Brandão ressaltou ainda que a Braskem manterá sua atuação institucional em defesa de um ambiente de negócios mais competitivo para a indústria química e petroquímica brasileira, além de reforçar os compromissos relacionados à segurança e ao cumprimento dos acordos associados ao evento geológico de Alagoas.
Sobre a Braskem
A Braskem é uma companhia petroquímica global que produz resinas plásticas e produtos químicos utilizados em diferentes setores da economia, como embalagens, construção civil, mobilidade, saúde, higiene, agronegócio e indústria. Com operações no Brasil, Estados Unidos, México e Alemanha, a empresa exporta para mais de 71 países e atua em diferentes elos da cadeia produtiva, em parceria com clientes, fornecedores e comunidades.
A companhia também mantém iniciativas voltadas à circularidade do plástico e à expansão do uso de matérias-primas de fonte renovável, tendo inovação, colaboração e competitividade responsável entre suas diretrizes.