
O Ceará consolidou-se nas últimas duas décadas como o principal caso de sucesso da educação pública brasileira. O estado lidera os indicadores nacionais de alfabetização na idade certa, alcançou os melhores resultados do país nos anos iniciais e finais do ensino fundamental e tornou-se referência para políticas públicas replicadas em diversas unidades da federação. Em 2025, 85,3% das crianças cearenses estavam alfabetizadas ao final do 2º ano do ensino fundamental, marca superior à média nacional de 59,2%.
A divulgação recente do Indice de Desenvolvimento da Educação Básica (Ideb) reafirmou a dominância do modelo cearense na base da formação educacional. Nos anos finais do Ensino Fundamental, as dez primeiras colocações no ranking nacional de escolas públicas pertencem a municípios do estado. O destaque individual ficou com o município de Deputado Irapuan Pinheiro, que alcançou a nota 9,3, a maior média do país no segmento. Além disso, no grupo das 100 redes públicas de melhor desempenho no Brasil, 41 pertencem a municípios cearenses.
A evolução nos indicadores gerais do estado mostrou avanços contínuos nas três etapas da educação básica:
| Etapa de Ensino | Desempenho no Ceará (Ideb 2025) |
| Anos iniciais (1º ao 5º ano) | 6,8 |
| Anos finais (6º ao 9º ano) | 5,6 |
| Ensino Médio | 4,5 |
O destaque do Ceará, ao lado de estados como Goiás, Pará, Espírito Santo e Paraná, apoia-se em três pilares centrais de gestão pedagógica: a formação contínua de professores, a cooperação federativa com os municípios e a padronização de estratégias didáticas. O modelo cearense tem como alicerce o Programa de Alfabetização na Idade Certa (PAIC) e sua expansão (MAISPAIC).
Em manifestações públicas recentes sobre os resultados do Ideb, o governo estadual reafirmou que o topo do ranking nacional é fruto direto da continuidade histórica de um regime de colaboração e da estruturação de uma política pública de Estado, que superou alternâncias de gestão governamental.
Embora o Ceará tenha alcançado a nota 4,5 no Ensino Médio, a discrepância em relação ao Ensino Fundamental reflete um dilema nacional. Especialistas apontam que o Ensino Médio brasileiro avança em ritmo lento, impactado pela defasagem acumulada de aprendizagem e pela pressão socioeconômica que força o jovem ao mercado de trabalho informal.
Natália Fregonesi, coordenadora de Políticas Educacionais do Todos Pela Educação, destacou em entrevista para a imprensa que as notas altas sugerem que as redes municipais de ensino cearense têm políticas consistentes e estruturantes, mas “não significa necessariamente que todos os desafios educacionais tenham sido superados”. A especialista reforça que o Ideb tenta sintetizar uma realidade que é complexa.
O Ideb foi criado em 2005 e é considerado o principal indicador da qualidade da educação brasileira. O cálculo leva em conta dois fatores principais: o desempenho dos estudantes nas provas de Língua Portuguesa e Matemática do Sistema de Avaliação da Educação Básica (Saeb) e as taxas de aprovação registradas pelo Censo Escolar.
Procurada pela reportagem, a Secretaria da Educação do Ceará (Seduc) não respondeu os questionamentos até o fechamento da matéria.