
Um estudo elaborado pela Superintendência do Desenvolvimento do Nordeste (Sudene), em parceria com a Universidade Federal Rural de Pernambuco (UFRPE), mostra que o Fundo Constitucional de Financiamento do Nordeste (FNE) produziu impactos positivos sobre emprego, renda e produtividade nos setores de Comércio e Serviços. A pesquisa analisou financiamentos contratados entre 2000 e 2021 e avaliou a eficácia, a eficiência e a efetividade da política pública.
Um dos principais resultados está na expansão da participação de Comércio e Serviços na aplicação dos recursos do FNE. A média, que representava cerca de 2,5% dos financiamentos em 2000 e 2001, ultrapassou 25% entre 2019 e 2021.
Na comparação entre empresas beneficiadas e não beneficiadas pelo fundo, os empreendimentos que receberam crédito apresentaram desempenho econômico superior. O acesso ao financiamento esteve associado, em média, a um crescimento de 5,61% no emprego, de 1,52% no salário médio e de 8,04% na massa salarial.
Os resultados são ainda mais relevantes em territórios considerados prioritários pela Política Nacional de Desenvolvimento Regional (PNDR). No semiárido, o emprego cresceu 5,46%, a remuneração média avançou 1,39% e a massa salarial aumentou 7,51%. Já nas regiões de baixa renda e baixo dinamismo, os efeitos foram mais expressivos: crescimento de 9,42% no emprego, de 2,98% no salário médio e de 15,87% na massa salarial.
Segundo o estudo, os números demonstram a elevada eficácia do crédito justamente nos territórios que enfrentam maiores desafios econômicos e estão entre os prioritários para a atuação do fundo.
A localização também influenciou os resultados. Nas cidades-polo das regiões imediatas, os financiamentos elevaram o emprego em 6,06%, o salário médio em 1,53% e a massa salarial em 8,65%. Nos municípios do entorno, os respectivos índices foram de 4,48%, 1,37% e 6,28%.
A pesquisa identificou ainda diferenças na eficiência dos recursos conforme a finalidade do financiamento. Operações emergenciais apresentaram os melhores resultados, com índices superiores a 40% para emprego e massa salarial. Crédito destinado à aquisição de insumos alcançou eficiência próxima de 37% a 38%, enquanto o capital de giro ficou em torno de 35%.
Para os pesquisadores, os resultados indicam retornos marginais maiores em emprego, renda e produtividade quando o crédito é direcionado a empresas menores e financeiramente mais restritas. Linhas emergenciais e de capital de giro, voltadas à continuidade das atividades e à recomposição de capital e trabalho, aparecem como instrumentos particularmente eficientes no curto prazo.
Na avaliação da efetividade, o setor de Serviços também apresentou ganhos de produtividade. Nos municípios beneficiados, a produtividade aumentou aproximadamente 3,3% em relação às localidades de controle, enquanto o emprego avançou 8,08%. No semiárido, a produtividade cresceu 3,96% e o emprego, 7,25%.
Criado para financiar bens de capital, infraestrutura, modernização, manutenção e expansão de empreendimentos, o FNE Comércio e Serviços atende desde microempreendedores individuais e pequenas empresas até negócios de médio e grande porte. Os resultados do estudo reforçam, assim, o papel do crédito regional como instrumento de desenvolvimento econômico e redução das desigualdades territoriais no Nordeste.