Neste domingo (2) celebra-se o dia da cultura nordestina, escolhido como uma homenagem a Luiz Gonzaga (morto nesta data). Desde 1989, quando se patenteou tal distinção, o dia marca o início de uma semana dedicada à consciência da cultura nordestina, sua representatividade e importância para o país. Mas o apelo também é internacional, já que criações de terras nordestinas como capoeira e frevo foram reconhecidas pela ONU, por meio da Unesco, como patrimônios imateriais da humanidade.
Parece apropriado que falemos da economia de identidade. Não apenas pela proposta editorial do Investindo Por Aí, que ao longo da semana publica conteúdos que reverenciam a cultura nordestina com a singularidade que merece, mas porque o tema agrega valor sociocultural. Nesse contexto, a identidade deixa de ser apenas um patrimônio simbólico e passa a ser um ativo econômico. O valor não está apenas no que se produz, mas na história, no território e no significado associados a esse produto ou experiência. E o Nordeste, nesse escopo, é o grande cartão postal do Brasil.
Essa engrenagem costuma ser invisível porque para o cidadão médio, cultura e entretenimento, embora não sejam excludentes, são farinha do mesmo saco. Não são; e a engenharia por trás tanto de uma como de outra fomenta não apenas uma atividade econômica robusta, como também fortalece o conceito de identidade — de um povo, de uma nação, de uma geração etc. Essa é a rotação do que chamamos de economia de identidade.
Pessoas viajam para viver experiências culturais; consumidores pagam mais por produtos com origem e autenticidade; marcas buscam identidade regional e cidades competem por eventos culturais. Cultura não é apenas memória, mas afeto, futuro e singularidade. E aí o Nordeste resplandece. Pense no Acarajé. No São João. No maracatu, no já referido frevo. Que tal as dunas do Rio Grande do Norte? Ou então os Lençóis Maranhenses, outro que a Unesco cravou como patrimônio da humanidade.
Quando falamos de cultura nordestina falamos de uma multiplicidade de talentos e saberes, que vão do design ao cinema, da gastronomia à literatura, da música ao turismo de experiência, mas falamos de uma indissociabilidade do campo da economia. É aí que reside a beleza da coisa. A cultura nordestina sobeja em simbologia e identidade e, justamente por isso, em pujança econômica. Celebrar o Nordeste é reconhecer vivências e comunhão — e temos uma semana para fazer isso com gosto.
