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31 de julho de 2026 19:52

Economia verde abre novas oportunidades de emprego no Nordeste

Economia verde abre novas oportunidades de emprego no Nordeste

Com liderança na geração de energia renovável e novos investimentos em hidrogênio verde, reflorestamento e descarbonização, a região surfa na onda dos empregos verdes
Foto: Pexels

Há alguns anos, o Nordeste vive uma nova fase de atração de investimentos voltados à economia verde. Projetos ligados à geração de energia solar e eólica, hidrogênio verde, combustíveis sustentáveis, reflorestamento, economia circular e descarbonização industrial movimentam bilhões de reais na região e abrem horizontes para um novo mercado de trabalho ligado à transição energética.

Ao mesmo tempo em que cresce o debate sobre o futuro do trabalho diante do avanço da inteligência artificial, que ameaça substituir ou transformar diversas funções administrativas e cognitivas, especialistas apontam os chamados “empregos verdes” como uma das principais fronteiras de geração de trabalho nas próximas décadas.

Mas podemos afirmar que o Nordeste está conseguindo transformar sua liderança na transição energética em empregos de qualidade?

O que são empregos verdes?

Primeiro, para entender o potencial nordestino nesse novo mercado de trabalho, é preciso compreender o conceito de empregos verdes. Combinando sustentabilidade, desenvolvimento regional e menor vulnerabilidade à automação, os empregos verdes contribuem para a redução das emissões de carbono e para preservar a qualidade ambiental da região em que estão inseridos.

Dessa maneira, quem opta por atuar nessa área precisa lidar com questões recorrentes nas discussões ambientais, como aquecimento global, desmatamento, lixo, uso da água e da energia, resíduos sólidos, entre outros.

De acordo com dados da Organização Internacional do Trabalho (OIT), nos próximos cinco anos, devem ser gerados cerca de 15 milhões de novos empregos verdes no mundo, metade deles no Brasil.

Segundo estimativa da Gupy, plataforma brasileira de serviços de recursos humanos, divulgada pelo Valor Econômico, de janeiro de 2024 a outubro de 2025, o número de postos abertos com qualquer título ambiental foi de 82,9 mil. Entre as categorias, “energia, serviços públicos essenciais e mobilidade elétrica” foi a que mais se destacou, com 44,78 mil vagas.

Infográfico feito com auxílio de IA

Já de acordo com as entidades Absolar e Abeeólica, no ano passado, o Brasil registrou um recorde de expansão na energia solar e eólica, que, juntas, responderam por mais de 1 milhão de empregos diretos e indiretos.

O potencial nordestino

É na produção de energias renováveis que o Nordeste se destaca. De acordo com projeção do Plano Nordeste Potência, a região poderá gerar, nos próximos anos, o equivalente a quase cinco usinas hidrelétricas do porte de Itaipu apenas com projetos solares e eólicos em terra.

Segundo a Sudene, nesse contexto, Bahia, Rio Grande do Norte, Ceará e Piauí lideram tanto na composição da matriz energética limpa quanto na atração de novos investimentos. Além deles, Pernambuco e Paraíba também possuem parques de energias renováveis.

Para a Diretoria de Planejamento da Sudene, políticas públicas como a Nova Indústria Brasileira (NIB) e a Chamada Nordeste são fundamentais para atrair novos empreendimentos e ampliar os investimentos na região.

“O desenvolvimento da infraestrutura logística e energética é indispensável para garantir a competitividade da região. Investimentos em rodovias e ferrovias, como a Transnordestina, reduzem custos, facilitam o escoamento da produção e ampliam a capacidade de atração de novos empreendimentos. Paralelamente, é importante assegurar que os benefícios econômicos sejam distribuídos entre a população local, por meio da geração de empregos formais, da valorização da mão de obra regional e de investimentos em educação”, afirma.

O Banco do Nordeste também é um ator importante na promoção de novos investimentos. De acordo com dados do BNB, em 2026, até o mês de maio, o Banco do Nordeste liberou cerca de R$ 54,1 milhões para atividades de impacto ambiental (crédito verde) em toda a sua área de atuação (estados nordestinos e partes de Minas Gerais e Espírito Santo).

Além disso, o banco afirma que foram contratados mais de R$ 50 milhões para atividades agropecuárias de preservação ambiental, como agrofloresta, agroecologia e reflorestamento. O restante foi destinado à contratação de sistemas de energia solar (geração distribuída), fornecendo uma fonte renovável e limpa para residências.

Fonte: Sudene

Geração de empregos

Que o Nordeste é um dos polos mais importantes para a produção da indústria verde ficou bem claro. Mas isso credencia a região para a geração de novos empregos verdes?

A resposta curta e objetiva é: sim. O Nordeste cresce, juntamente com sua capacidade de atrair novos investimentos, também na geração de empregos ligados à indústria de baixo carbono. Contudo, do ponto de vista estrutural, ainda há um longo caminho a percorrer em relação ao equilíbrio entre oferta e demanda por mão de obra qualificada.

Dados revelados em reportagem do Valor Econômico mostram que a indústria verde deverá enfrentar um descompasso entre oferta e demanda de profissionais. Segundo o texto, deve haver um “apagão de mão de obra”, com lacunas relacionadas à automação, eficiência operacional e rastreabilidade. Esse hiato deve alcançar 31% em 2030, subir para 61% em 2040 e crescer ainda mais em 2050.

Para o professor de Economia da Universidade Federal da Paraíba, Cássio Besarria, o processo de transição energética tem seus desafios. Ao mesmo tempo, ele ressalta os efeitos positivos que poderão ser sentidos nos próximos anos.

“O processo de transição energética, principalmente da energia verde, é uma realidade não só no Nordeste, mas no Brasil. Esse processo tem os seus desafios e também os seus efeitos positivos, que vão além da geração de energia e alcançam também a geração de empregos.”

“O emprego atrelado a essa área de transição verde geralmente exige um maior nível de qualificação. São necessários cursos técnicos e uma formação que vai além do ensino médio. Pode ser, de fato, uma oportunidade para pessoas que buscam alternativas e para um mercado que se mostra promissor para os próximos anos”, afirma.

Mesmo diante do avanço da inteligência artificial, que vem ameaçando alguns postos de trabalho, Cássio acredita que os empregos verdes não devem sofrer o mesmo impacto.

“Não vejo esses postos de trabalho como uma resposta às mudanças provocadas pela inteligência artificial no mercado de trabalho. Na realidade, o cenário atual exige uma atuação conjunta entre pessoas capazes de utilizar a inteligência artificial para tornar seu trabalho mais produtivo e ferramentas com alta capacidade de processamento de dados e informações, capazes de oferecer respostas mais rápidas para problemas específicos”, conclui.

A indústria verde já é uma realidade e deve, a cada ano, transformar ainda mais o mercado de trabalho e a economia de maneira geral. Nesse contexto, com bilhões de reais em investimentos e uma cadeia industrial cada vez mais robusta, o Nordeste desponta como um dos principais protagonistas mundiais da transição energética.

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