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3 de agosto de 2026 09:40

Emprego avança no Nordeste, mas pessimismo da indústria sinaliza desafios para a economia

Emprego avança no Nordeste, mas pessimismo da indústria sinaliza desafios para a economia

Região respondeu por mais de um quarto das vagas formais criadas no país no segundo trimestre, enquanto levantamento da CNI mostra aumento da falta de confiança entre empresários industriais
Foto: Sedetec

O mercado de trabalho brasileiro apresentou sinais positivos no segundo trimestre de 2026, especialmente no Nordeste, que concentrou mais de um quarto das vagas formais geradas no país. Ao mesmo tempo, indicadores da indústria revelam um ambiente de negócios cada vez mais cauteloso, com empresários reduzindo a confiança na economia e adiando decisões de investimento. A combinação dos dois cenários mostra que a recuperação do emprego convive com incertezas relevantes sobre o ritmo da atividade econômica nos próximos meses.

Dados do Cadastro Geral de Empregados e Desempregados (Caged), sistematizados pelo Data Nordeste, mostram que a região foi responsável por 25,9% das vagas com carteira assinada abertas no Brasil durante o segundo trimestre. Ao todo, foram criados 79.682 empregos formais, resultado 53,9% superior ao registrado no mesmo período do ano passado.

O desempenho foi favorecido principalmente pela redução do número de desligamentos ao longo do primeiro semestre. A remuneração média dos trabalhadores admitidos ficou em R$ 2.067,05, enquanto os desligados recebiam, em média, R$ 2.132,31.

O setor de Serviços foi o principal motor da geração de empregos na região, respondendo por saldo positivo de 17.549 postos de trabalho. Bahia, Pernambuco e Ceará lideraram a abertura de vagas nesse segmento, reforçando o peso das atividades ligadas ao comércio, turismo, educação, saúde e prestação de serviços para a economia nordestina. Pernambuco também apresentou destaque na geração de empregos na indústria e no comércio, enquanto a agropecuária foi o único setor com saldo negativo no estado durante o período.

Entre os estados, a Bahia liderou a geração de empregos formais, com 8.985 vagas, equivalente a 26,1% de todo o saldo do Nordeste. Pernambuco aparece em segundo lugar, com 6.162 postos, seguido pelo Ceará, com 5.291. Maranhão, Piauí, Alagoas, Paraíba, Sergipe e Rio Grande do Norte completam o ranking regional.

O desempenho baiano foi impulsionado principalmente pelo setor de Serviços, responsável por 6.104 vagas no estado. Comércio e agropecuária também apresentaram resultados positivos, enquanto a construção civil foi o único segmento a registrar saldo negativo, com redução líquida de 22 postos de trabalho.

Os dados revelam ainda características importantes do mercado de trabalho regional. Trabalhadores com ensino médio completo concentraram a maior parte das admissões, somando mais de 25 mil vagas, enquanto profissionais com mestrado e doutorado registraram saldo negativo no período. Entre as faixas etárias, os jovens de 18 a 24 anos lideraram a criação de empregos formais, com 22.245 vagas, ao passo que trabalhadores com mais de 65 anos apresentaram redução líquida de postos de trabalho.

Também permaneceu a diferença de participação entre homens e mulheres. Os trabalhadores do sexo masculino responderam por 58,8% do saldo regional e receberam salário inicial médio superior ao das mulheres, diferença que permaneceu acima de R$ 120.

Em Pernambuco, os indicadores reforçam o momento positivo do mercado formal. O estado registrou saldo de 6.162 empregos em junho, ficando na segunda colocação entre os estados nordestinos e na sétima posição no ranking nacional. No acumulado do primeiro semestre, foram criadas 21.411 vagas, enquanto, desde janeiro de 2023, o saldo ultrapassa 204 mil empregos formais.

O estoque de trabalhadores com carteira assinada alcançou 1,53 milhão de vínculos, o segundo maior do Nordeste. Segundo o governo estadual, o resultado reflete políticas voltadas à qualificação profissional, intermediação de mão de obra e estímulo à atividade econômica.

Pessimismo na indústria

Enquanto o mercado de trabalho apresenta expansão, o ambiente de negócios da indústria segue em direção oposta. Levantamento da Confederação Nacional da Indústria (CNI) mostra que 26 dos 29 setores industriais pesquisados encerraram julho com Índice de Confiança do Empresário Industrial (Icei) abaixo dos 50 pontos, nível que separa confiança de pessimismo. No mês anterior eram 24 segmentos nessa condição.

Segundo o gerente de Análise Econômica da CNI, Marcelo Azevedo, a persistência desse cenário faz com que empresários adiem investimentos, reduzam planos de expansão e, em situações prolongadas, diminuam efetivamente a atividade econômica. Mesmo setores que ainda demonstram algum grau de confiança apresentam otimismo considerado frágil, tornando-se vulneráveis a mudanças rápidas no ambiente econômico.

O levantamento também evidencia diferenças regionais. O Centro-Oeste foi a única região a migrar para o campo da confiança, enquanto o Nordeste permaneceu ligeiramente acima dos 50 pontos. Em contrapartida, Sul e Sudeste registraram os menores índices do país, refletindo um ambiente de maior cautela entre empresários industriais.

Os dados mostram, portanto, uma economia marcada por sinais mistos. De um lado, a geração de empregos continua avançando, especialmente no Nordeste, sustentada pelo setor de serviços e pelo dinamismo de estados como Bahia e Pernambuco. De outro, a deterioração da confiança na indústria indica que o setor produtivo ainda observa o cenário macroeconômico com cautela, o que pode limitar novos investimentos e influenciar o desempenho da economia brasileira ao longo dos próximos meses.

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