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11 de agosto de 2026 07:01

Estudo da Sudene estima R$ 4,7 bilhões em benefícios e reforça pressão pela retomada da Transnordestina em Pernambuco

Estudo da Sudene estima R$ 4,7 bilhões em benefícios e reforça pressão pela retomada da Transnordestina em Pernambuco

Documento entregue ao TCU conclui que trecho entre Salgueiro e Suape é economicamente e socialmente viável; parecer pode influenciar decisão sobre novos investimentos ainda em 2026, mas desfecho dependerá da avaliação técnica do tribunal
Foto: Ascom/Sudene

A disputa em torno da conclusão da Ferrovia Transnordestina em Pernambuco ganhou um novo capítulo. Um estudo técnico elaborado pela Superintendência do Desenvolvimento do Nordeste (Sudene) concluiu que a construção do trecho entre Salgueiro e o Porto de Suape pode gerar R$ 4,76 bilhões em benefícios sociais e econômicos para o estado, reforçando os argumentos para a retomada dos investimentos públicos na obra.

O documento foi produzido em resposta ao Acórdão nº 1.217/2026 do Tribunal de Contas da União (TCU), que condicionou a autorização de novos compromissos financeiros à apresentação de estudos que comprovassem a viabilidade econômica, social, técnica e logística do empreendimento. A expectativa da Sudene é que o parecer técnico ajude a destravar um dos principais gargalos da infraestrutura nordestina.

Segundo o estudo, o trecho pernambucano apresenta Valor Social Presente Líquido (VSPL) de R$ 4,76 bilhões e Taxa de Retorno Econômico (TRE) de 15,53%, indicadores que procuram demonstrar que os benefícios gerados pela ferrovia superam os custos do investimento quando considerados seus impactos para a economia regional.

Mais do que transporte de cargas

A análise da Sudene amplia a discussão tradicional sobre a Transnordestina. Em vez de avaliar apenas o fluxo de cargas, o estudo incorpora benefícios indiretos associados ao empreendimento, como redução dos custos logísticos, maior competitividade da produção regional, geração de empregos, integração territorial e aumento da capacidade de atração de investimentos industriais. Também considera o papel estratégico da ligação ferroviária com o Porto de Suape para diferentes cadeias produtivas do Nordeste.

“Na nossa avaliação, a ferrovia amplia significativamente a área de influência logística de Suape, fortalecendo o porto como corredor de exportação para setores como mineração, cimento, combustíveis, fertilizantes, grãos e produtos industrializados. A expectativa é reduzir a dependência do transporte rodoviário em longas distâncias, diminuindo custos operacionais e aumentando a eficiência logística da região”, afirma o diretor de Planejamento e Articulação de Políticas da Sudene, Álvaro Silva Ribeiro.

O que mudou na discussão

O parecer representa uma resposta direta às dúvidas levantadas pelo TCU no primeiro semestre. O tribunal havia suspendido a contratação de novos aportes para o trecho pernambucano por entender que ainda eram necessárias demonstrações mais robustas sobre sua viabilidade econômica e sua prioridade dentro do conjunto da ferrovia.

Para enfrentar essas objeções, Ribeiro explica que a Sudene atualizou projeções de demanda, recalculou indicadores socioeconômicos e apresentou uma proposta de governança para reduzir entraves ambientais e fundiários, dois dos principais fatores responsáveis pelos atrasos históricos da obra.

“Além disso, a autarquia sustenta que não seria necessária a elaboração de um novo Estudo de Viabilidade Técnica, Econômica e Ambiental (EVTEA. Análises anteriores já demonstravam a viabilidade da ferrovia antes da separação operacional entre os trechos do Ceará e de Pernambuco”, disse o diretor.

O novo estudo também altera o ambiente político em torno da Transnordestina. Até então, a defesa da retomada das obras era sustentada principalmente por lideranças políticas de Pernambuco, pelo Ministério dos Transportes e por representantes do setor produtivo. Com um parecer técnico elaborado pela própria Sudene, órgão federal responsável pelo planejamento do desenvolvimento regional, a discussão ganha um componente institucional mais robusto.

Isso não significa que a retomada esteja garantida. O estudo da Sudene não possui caráter vinculante e não obriga o TCU a autorizar novos investimentos. Seu papel é fornecer elementos técnicos para subsidiar a decisão dos ministros da Corte.

Ainda assim, especialistas em infraestrutura costumam considerar que pareceres produzidos por órgãos técnicos da administração federal têm peso relevante na análise do tribunal, sobretudo quando apresentam metodologias de avaliação econômica e social alinhadas às exigências do próprio TCU.

Foto: Divulgação

Há chance de liberação ainda em 2026?

Embora não seja possível afirmar qual será a decisão do Tribunal de Contas, o novo estudo reduz uma das principais incertezas que cercavam o empreendimento: a ausência de uma atualização dos indicadores de viabilidade solicitada pela Corte.

Caso o TCU considere que as exigências estabelecidas pelo Acórdão nº 1.217/2026 foram atendidas, poderá autorizar a contratação de novos compromissos financeiros para o trecho pernambucano ainda em 2026. A decisão, no entanto, continuará dependendo da avaliação dos ministros sobre a consistência técnica das informações apresentadas e da disponibilidade orçamentária para a continuidade da obra.

A conclusão do trecho entre Salgueiro e Suape é considerada estratégica porque complementaria a malha logística da Transnordestina, conectando o interior produtor ao principal complexo portuário de Pernambuco.

Na visão da Sudene, os efeitos ultrapassam os limites estaduais. A ferrovia tende a ampliar a competitividade do Nordeste em mercados nacionais e internacionais, reduzir custos de transporte, estimular novos investimentos privados e fortalecer cadeias produtivas distribuídas por diferentes estados da região. Por isso, o estudo defende que a discussão não deve ser limitada ao custo da obra, mas aos ganhos estruturais que ela pode produzir ao longo das próximas décadas.

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