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23 de julho de 2026 06:04

Fiepe defende viabilidade da Transnordestina e alerta para risco de perda de cargas para o Ceará

Fiepe defende viabilidade da Transnordestina e alerta para risco de perda de cargas para o Ceará

Enquanto o TCU mantém suspenso o início das obras físicas do trecho Salgueiro-Suape, indústria pernambucana amplia pressão por estudos socioeconômicos e recursos para o projeto
Foto: Reprodução/Internet

A Federação das Indústrias do Estado de Pernambuco (Fiepe) intensificou a defesa da viabilidade econômica e logística do trecho pernambucano da Ferrovia Transnordestina, entre Salgueiro e o Porto de Suape. A mobilização ocorre após o Tribunal de Contas da União (TCU) manter a proibição do início da execução física das obras, embora tenha autorizado a continuidade de licitações, contratos e atividades preparatórias para o empreendimento.

A decisão do tribunal está relacionada à necessidade de atualização dos estudos que justificam a retomada da ferrovia. Em maio, o TCU apontou que o governo federal utilizava um Estudo de Viabilidade Técnica, Econômica e Ambiental (EVTEA) elaborado em 2017, considerado insuficiente para embasar investimentos de elevada materialidade. A corte determinou que fossem produzidos estudos capazes de demonstrar, com dados contemporâneos, a viabilidade econômica e o impacto social do projeto.

Para o presidente da Fiepe, Bruno Veloso, parte da controvérsia surgiu porque as análises iniciais teriam considerado de forma restrita o potencial de cargas da ferrovia. Segundo ele, em depoimento ao Movimento Econômico, um diagnóstico técnico baseado em estudo da consultoria McKinsey teria concentrado sua avaliação no transporte de minério de ferro, sem incorporar a diversidade da indústria pernambucana.

A federação apresentou à Sudene e ao Governo de Pernambuco uma análise de mercado mais ampla, que aponta um Valor Sempre Presente Líquido (VSPL) de R$ 4,76 bilhões para a infraestrutura. A expectativa da entidade é que os novos estudos também contemplem os efeitos da ferrovia sobre a renda e a economia das microrregiões alcançadas pelo traçado, exigência considerada central pelo TCU.

O trecho pernambucano possui aproximadamente 550 quilômetros e fazia parte do projeto original da Transnordestina. Em 2022, foi devolvido pela Transnordestina Logística S.A. (TLSA), após a avaliação de que sua manutenção comprometeria financeiramente o restante da concessão. Cerca de 180 quilômetros já haviam sido executados.

Na avaliação da Fiepe, os benefícios econômicos ultrapassam o transporte de cargas específicas. Um dos principais exemplos é o Polo Gesseiro do Araripe, cuja produção enfrenta custos elevados de transporte rodoviário. A entidade argumenta que a conexão ferroviária com Suape poderia reduzir o frete e aumentar a competitividade do setor, em um momento de crescimento da demanda por gesso no mercado brasileiro.

Outros segmentos, como as cadeias de proteína animal e a indústria de baterias, também poderiam utilizar a ferrovia para ampliar o escoamento da produção. A Fiepe ainda destaca a possibilidade de aproveitar os comboios no trajeto de retorno, transportando combustíveis e outros produtos fabricados no litoral pernambucano para centros de distribuição no interior.

O impasse, entretanto, ocorre em um cenário de crescente preocupação com a concorrência logística regional. O ramal da Transnordestina em direção ao Porto de Pecém, no Ceará, avança mais rapidamente e deve entrar em operação antes da conexão com Suape. Para Bruno Veloso, a demora pode fazer com que cargas produzidas em Pernambuco passem a ser escoadas por estruturas concorrentes.

O alerta é especialmente relevante porque a infraestrutura logística tende a influenciar decisões de investimento industrial. A avaliação da Fiepe é que cada adiamento amplia o risco de perda de mercado para outros portos e corredores de transporte do Nordeste. A entidade defende, por isso, uma articulação política capaz de garantir recursos específicos no orçamento federal e acelerar a conclusão do trecho.

Apesar do embargo à execução física, o TCU manteve autorizadas etapas como projetos executivos, sondagens, estudos técnicos, licenciamento ambiental, desapropriações e regularização fundiária. O tribunal avaliou que impedir essas atividades poderia gerar insegurança jurídica, comprometer licitações em andamento e causar prejuízos ao erário e às empresas envolvidas.

A estratégia do governo prevê a realização de parte das obras pela União e, posteriormente, a concessão da malha à iniciativa privada. Nesse modelo, os estudos e projetos preparatórios são considerados instrumentos para reduzir o chamado “gap de viabilidade” da futura concessão.

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