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27 de julho de 2026 10:09

Infraestrutura elétrica entra no centro da estratégia de crescimento de Pernambuco

Infraestrutura elétrica entra no centro da estratégia de crescimento de Pernambuco

Com investimento recorde da Neoenergia, estado amplia sua infraestrutura elétrica para atender à demanda de novos empreendimentos e reduzir obstáculos ao desenvolvimento
Foto: divulgação

Atrair indústrias, fortalecer polos logísticos, dar suporte à expansão urbana e garantir segurança energética para novos empreendimentos. Esses são alguns dos desafios que colocam a infraestrutura elétrica no centro da estratégia de desenvolvimento de Pernambuco. Nesse cenário, o plano de R$ 9,7 bilhões da Neoenergia até 2030 representa um dos maiores ciclos de investimentos do setor no estado, com obras voltadas à ampliação da capacidade da rede e à modernização do sistema de distribuição de energia.

O planejamento prevê investimentos distribuídos por todas as regiões pernambucanas, com a construção de 25 novas subestações, ampliação de outras 34 unidades, implantação de mais de 9 mil quilômetros de redes de alta e média tensão e projetos voltados à modernização da infraestrutura elétrica. O objetivo é ampliar a capacidade do sistema, aumentar a confiabilidade do fornecimento e preparar o estado para acompanhar o crescimento econômico previsto para os próximos anos.

“Trata-se de um investimento recorde muito direcionado para a qualidade do fornecimento e a resiliência da rede de distribuição de energia. Os aportes propõem a expansão e modernização do sistema elétrico atendendo a todas as regiões do Estado. Realizamos uma avaliação criteriosa das áreas que necessitam de maior atenção e que possam contribuir de forma determinante para o crescimento e desenvolvimento de Pernambuco”, comenta o diretor-presidente da Neoenergia Pernambuco, Saulo Cabral.

Segundo o secretário executivo de Energia de Pernambuco, Guilherme Sá, o investimento fortalece uma das bases do desenvolvimento econômico estadual ao ampliar a capacidade e a confiabilidade da infraestrutura elétrica. Ele destaca que a expansão da rede acompanha as vocações produtivas das diferentes regiões e cria condições para o crescimento de setores estratégicos em todo o estado.

“Uma infraestrutura elétrica com mais capacidade, qualidade e resiliência é fundamental para sustentar o desenvolvimento econômico. Esse investimento contribui para atender às vocações produtivas das diversas regiões de Pernambuco e ampliar as condições para novos empreendimentos”, frisa.

De acordo com Guilherme Sá, Pernambuco já possui uma infraestrutura elétrica consistente, mas a melhoria contínua da rede é essencial para manter a competitividade do estado. Segundo ele, o governo acompanha de forma permanente os indicadores do setor e mantém diálogo com a distribuidora e representantes do setor produtivo para identificar oportunidades de aprimoramento.

“Disponibilidade, qualidade e previsibilidade no fornecimento de energia são fatores cada vez mais relevantes para empresas que avaliam novos investimentos. Por isso, o fortalecimento da infraestrutura elétrica é uma prioridade permanente”, menciona.

Foto: Pexels

O secretário ressalta que os impactos da modernização da rede serão distribuídos por todo o estado. Enquanto a Região Metropolitana e o Litoral tendem a fortalecer atividades industriais, logísticas, turísticas e de serviços, o Agreste e o Sertão devem ampliar sua competitividade em segmentos como indústria têxtil, agropecuária, fruticultura irrigada, agroindústria e economia de baixo carbono.

“A melhoria da infraestrutura elétrica tem um impacto transversal. Ela fortalece atividades econômicas já consolidadas e, ao mesmo tempo, amplia as oportunidades de desenvolvimento e interiorização produtiva em diferentes regiões de Pernambuco”, ressalta.

Segundo o professor de Ciências Econômicas da Universidade Federal de Alagoas (Ufal), Reili Amon-Há Vieira, uma infraestrutura elétrica moderna e confiável é um dos fatores que influenciam a decisão de empresas sobre onde investir. Para ele, além da disponibilidade de energia, investidores avaliam aspectos como estabilidade do fornecimento, capacidade de atendimento, prazo para novas conexões e possibilidade de expansão da rede. Nesse contexto, a ampliação da infraestrutura tende a aumentar a competitividade de Pernambuco ao reduzir riscos operacionais e ampliar a capacidade de receber novos empreendimentos, inclusive no interior do estado.

“A melhoria da infraestrutura elétrica amplia a competitividade porque reduz riscos operacionais, aumenta a capacidade de atendimento e cria condições para que novos empreendimentos se instalem em diferentes regiões do estado. Isso fortalece não apenas a Região Metropolitana do Recife, mas também o Agreste, o Sertão e a Zona da Mata”, ressalta.

Na avaliação do economista, os efeitos do investimento devem ser percebidos em diferentes horizontes. Inicialmente, as obras movimentam segmentos como construção civil, engenharia, transporte e fornecedores de equipamentos. Já no médio e longo prazo, a ampliação da infraestrutura elétrica tende a elevar a capacidade produtiva do estado e beneficiar setores estratégicos, como indústria, logística, turismo, comércio, agronegócio e serviços.

“O investimento não contribui apenas para atrair novas empresas. Uma rede elétrica mais confiável também aumenta a produtividade das empresas que já estão instaladas, reduz perdas decorrentes de interrupções e melhora a previsibilidade das operações”, garante.

Para o professor titular de Economia da Universidade Federal de Pernambuco (UFPE), Ecio Costa, uma infraestrutura elétrica moderna é um requisito básico para a atração de investimentos privados. De acordo com ele, além de garantir segurança no abastecimento, a ampliação da rede reduz custos operacionais, aumenta a previsibilidade para empresas e fortalece a posição de Pernambuco na disputa por novos empreendimentos.

“Uma infraestrutura elétrica confiável é uma premissa fundamental para a decisão de investimento das empresas. Ao ampliar e modernizar a rede, Pernambuco elimina gargalos, reduz riscos operacionais e fortalece sua competitividade na disputa por novos empreendimentos”, afirma.

Apesar do potencial dos investimentos, o economista destaca que a infraestrutura energética precisa avançar de forma integrada com outros projetos estruturantes. Entre os principais desafios, ele cita a ampliação da transmissão de energia, investimentos em rodovias, a conclusão da Ferrovia Transnordestina e o fortalecimento da infraestrutura do Porto de Suape.

“A energia, sozinha, não sustenta um novo ciclo de crescimento. É preciso avançar também em logística, com rodovias, Transnordestina e Porto de Suape, para transformar esse potencial em desenvolvimento econômico”, comenta.

Para a secretária de Desenvolvimento Econômico de Pernambuco, Danielle Jar Souto, a estratégia do estado vai além da expansão da geração de energia. Segundo ela, o objetivo é atrair empreendimentos capazes de transformar a energia renovável produzida em Pernambuco em maior valor agregado, utilizando a infraestrutura elétrica como um diferencial competitivo para novos investimentos industriais e de baixo carbono. Ela destaca ainda o lançamento da Plataforma Energética de Pernambuco como uma ferramenta para apoiar decisões de investimento e fortalecer a competitividade estadual.

“Nossa estratégia é atrair não apenas projetos de geração de energia, mas empreendimentos que agreguem valor à energia renovável produzida em Pernambuco. Para isso, uma infraestrutura elétrica moderna é um fator decisivo para ampliar a competitividade do estado”, enfatiza.

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