
Atrair indústrias, fortalecer polos logísticos, dar suporte à expansão urbana e garantir segurança energética para novos empreendimentos. Esses são alguns dos desafios que colocam a infraestrutura elétrica no centro da estratégia de desenvolvimento de Pernambuco. Nesse cenário, o plano de R$ 9,7 bilhões da Neoenergia até 2030 representa um dos maiores ciclos de investimentos do setor no estado, com obras voltadas à ampliação da capacidade da rede e à modernização do sistema de distribuição de energia.
O planejamento prevê investimentos distribuídos por todas as regiões pernambucanas, com a construção de 25 novas subestações, ampliação de outras 34 unidades, implantação de mais de 9 mil quilômetros de redes de alta e média tensão e projetos voltados à modernização da infraestrutura elétrica. O objetivo é ampliar a capacidade do sistema, aumentar a confiabilidade do fornecimento e preparar o estado para acompanhar o crescimento econômico previsto para os próximos anos.
“Trata-se de um investimento recorde muito direcionado para a qualidade do fornecimento e a resiliência da rede de distribuição de energia. Os aportes propõem a expansão e modernização do sistema elétrico atendendo a todas as regiões do Estado. Realizamos uma avaliação criteriosa das áreas que necessitam de maior atenção e que possam contribuir de forma determinante para o crescimento e desenvolvimento de Pernambuco”, comenta o diretor-presidente da Neoenergia Pernambuco, Saulo Cabral.
Segundo o secretário executivo de Energia de Pernambuco, Guilherme Sá, o investimento fortalece uma das bases do desenvolvimento econômico estadual ao ampliar a capacidade e a confiabilidade da infraestrutura elétrica. Ele destaca que a expansão da rede acompanha as vocações produtivas das diferentes regiões e cria condições para o crescimento de setores estratégicos em todo o estado.
“Uma infraestrutura elétrica com mais capacidade, qualidade e resiliência é fundamental para sustentar o desenvolvimento econômico. Esse investimento contribui para atender às vocações produtivas das diversas regiões de Pernambuco e ampliar as condições para novos empreendimentos”, frisa.
De acordo com Guilherme Sá, Pernambuco já possui uma infraestrutura elétrica consistente, mas a melhoria contínua da rede é essencial para manter a competitividade do estado. Segundo ele, o governo acompanha de forma permanente os indicadores do setor e mantém diálogo com a distribuidora e representantes do setor produtivo para identificar oportunidades de aprimoramento.
“Disponibilidade, qualidade e previsibilidade no fornecimento de energia são fatores cada vez mais relevantes para empresas que avaliam novos investimentos. Por isso, o fortalecimento da infraestrutura elétrica é uma prioridade permanente”, menciona.

O secretário ressalta que os impactos da modernização da rede serão distribuídos por todo o estado. Enquanto a Região Metropolitana e o Litoral tendem a fortalecer atividades industriais, logísticas, turísticas e de serviços, o Agreste e o Sertão devem ampliar sua competitividade em segmentos como indústria têxtil, agropecuária, fruticultura irrigada, agroindústria e economia de baixo carbono.
“A melhoria da infraestrutura elétrica tem um impacto transversal. Ela fortalece atividades econômicas já consolidadas e, ao mesmo tempo, amplia as oportunidades de desenvolvimento e interiorização produtiva em diferentes regiões de Pernambuco”, ressalta.
Segundo o professor de Ciências Econômicas da Universidade Federal de Alagoas (Ufal), Reili Amon-Há Vieira, uma infraestrutura elétrica moderna e confiável é um dos fatores que influenciam a decisão de empresas sobre onde investir. Para ele, além da disponibilidade de energia, investidores avaliam aspectos como estabilidade do fornecimento, capacidade de atendimento, prazo para novas conexões e possibilidade de expansão da rede. Nesse contexto, a ampliação da infraestrutura tende a aumentar a competitividade de Pernambuco ao reduzir riscos operacionais e ampliar a capacidade de receber novos empreendimentos, inclusive no interior do estado.
“A melhoria da infraestrutura elétrica amplia a competitividade porque reduz riscos operacionais, aumenta a capacidade de atendimento e cria condições para que novos empreendimentos se instalem em diferentes regiões do estado. Isso fortalece não apenas a Região Metropolitana do Recife, mas também o Agreste, o Sertão e a Zona da Mata”, ressalta.
Na avaliação do economista, os efeitos do investimento devem ser percebidos em diferentes horizontes. Inicialmente, as obras movimentam segmentos como construção civil, engenharia, transporte e fornecedores de equipamentos. Já no médio e longo prazo, a ampliação da infraestrutura elétrica tende a elevar a capacidade produtiva do estado e beneficiar setores estratégicos, como indústria, logística, turismo, comércio, agronegócio e serviços.
“O investimento não contribui apenas para atrair novas empresas. Uma rede elétrica mais confiável também aumenta a produtividade das empresas que já estão instaladas, reduz perdas decorrentes de interrupções e melhora a previsibilidade das operações”, garante.
Para o professor titular de Economia da Universidade Federal de Pernambuco (UFPE), Ecio Costa, uma infraestrutura elétrica moderna é um requisito básico para a atração de investimentos privados. De acordo com ele, além de garantir segurança no abastecimento, a ampliação da rede reduz custos operacionais, aumenta a previsibilidade para empresas e fortalece a posição de Pernambuco na disputa por novos empreendimentos.
“Uma infraestrutura elétrica confiável é uma premissa fundamental para a decisão de investimento das empresas. Ao ampliar e modernizar a rede, Pernambuco elimina gargalos, reduz riscos operacionais e fortalece sua competitividade na disputa por novos empreendimentos”, afirma.
Apesar do potencial dos investimentos, o economista destaca que a infraestrutura energética precisa avançar de forma integrada com outros projetos estruturantes. Entre os principais desafios, ele cita a ampliação da transmissão de energia, investimentos em rodovias, a conclusão da Ferrovia Transnordestina e o fortalecimento da infraestrutura do Porto de Suape.
“A energia, sozinha, não sustenta um novo ciclo de crescimento. É preciso avançar também em logística, com rodovias, Transnordestina e Porto de Suape, para transformar esse potencial em desenvolvimento econômico”, comenta.
Para a secretária de Desenvolvimento Econômico de Pernambuco, Danielle Jar Souto, a estratégia do estado vai além da expansão da geração de energia. Segundo ela, o objetivo é atrair empreendimentos capazes de transformar a energia renovável produzida em Pernambuco em maior valor agregado, utilizando a infraestrutura elétrica como um diferencial competitivo para novos investimentos industriais e de baixo carbono. Ela destaca ainda o lançamento da Plataforma Energética de Pernambuco como uma ferramenta para apoiar decisões de investimento e fortalecer a competitividade estadual.
“Nossa estratégia é atrair não apenas projetos de geração de energia, mas empreendimentos que agreguem valor à energia renovável produzida em Pernambuco. Para isso, uma infraestrutura elétrica moderna é um fator decisivo para ampliar a competitividade do estado”, enfatiza.
