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23 de julho de 2026 18:19

Mesmo com melhora em indicadores, desafios estruturais devem pautar debate eleitoral no Maranhão

Mesmo com melhora em indicadores, desafios estruturais devem pautar debate eleitoral no Maranhão

Com renda e IDH em trajetória de crescimento, estado ainda convive com gargalos estruturais que limitam a geração de oportunidades e devem pautar a corrida pelo Palácio dos Leões
Foto: Reprodução/Internet

Com a chegada de mais um ciclo eleitoral, os estados se preparam para debater temas de grande relevância para o desenvolvimento nos próximos quatro anos. O Maranhão, que tem avanços registrados nos últimos anos em áreas como renda domiciliar, educação e desenvolvimento humano, ainda enfrenta desafios estruturais que devem estar no centro da disputa pelo Palácio dos Leões.

Segundo dados da Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios Contínua (PNAD Contínua), do IBGE, o rendimento médio mensal real domiciliar per capita no Maranhão alcançou R$ 1.231 em 2025, o maior patamar da série histórica. O crescimento foi de 55% em relação a 2021, indicando uma recuperação de renda das famílias maranhenses nos últimos anos.

Já o Índice de Desenvolvimento Humano Municipal (IDHM) foi de 0,745, classificado como alto desenvolvimento humano, de acordo com o Radar IDHM 2024, elaborado pelo Programa das Nações Unidas para o Desenvolvimento (PNUD), em parceria com a Fundação João Pinheiro (FJP) e o IBGE.

Mesmo com os avanços, o Maranhão ainda figura como o pior IDH do Brasil: 0676, segundo relatório da ONU com dados de 2021. O número reflete que os problemas do estado não se resumem a questões econômicas, mas abrangem todas as áreas de formação.

Na educação, considerada um dos principais motores do desenvolvimento de longo prazo, o cenário também revela avanços acompanhados de desafios. O Índice de Desenvolvimento da Educação Básica (Ideb) de 2023 mostrou que o estado superou a meta prevista para os anos iniciais do ensino fundamental, alcançando nota 5,4. Entretanto, nos anos finais do fundamental e no ensino médio, os índices permaneceram abaixo das metas estabelecidas, reforçando a necessidade de ampliar a qualidade da aprendizagem.

Para o economista maranhense Éden Júnior, para compreender a realidade atual é preciso observar um grupo de fatores estruturais que permeiam o estado há décadas. Ele avalia que a baixa renda da população não decorre apenas da falta de dinamismo econômico, mas da combinação de problemas institucionais, sociais e administrativos.

“O baixo nível educacional da população, a precariedade dos sistemas de transportes, infraestrutura e saneamento, a elevada carga tributária, a pouca eficiência no gasto público, a máquina pública inchada, além de problemas como corrupção, clientelismo e baixa responsividade das instituições às demandas sociais compõem um ambiente que dificulta o desenvolvimento”, afirma.

Ele destaca ainda que esse conjunto de fatores é determinante para compreender, por exemplo, por que alguns setores como agronegócio e atividade portuária ainda não dão conta de transformar movimentação e crescimento econômico em distribuição de renda e melhorias concretas para a população.

“O potencial desses segmentos acaba limitado justamente pelos gargalos estruturais. A deficiência logística, a baixa qualificação da mão de obra, a elevada carga tributária e a precariedade da segurança pública reduzem a competitividade e restringem os efeitos positivos dessas atividades sobre a economia local”, explica.

As considerações reforçam que as discussões dos candidatos não devem se limitar à economia, mas sim transformar expansão econômica e bons índices em melhoria dos serviços públicos oferecidos à população e aumento da produtividade.

Eleições 2026: desafios e possibilidades

É justamente essa discussão que tende a ganhar relevância durante a campanha eleitoral para o Governo do Maranhão. Em um estado onde saúde, educação, segurança pública, infraestrutura e geração de emprego permanecem entre as principais demandas sociais, cresce a expectativa de que os candidatos apresentem propostas capazes de enfrentar problemas históricos, indo além de promessas de curto prazo.

Éden analisa que os debates, muitas vezes, são conduzidos de forma superficial, sem abordar com a profundidade necessária questões como os limites fiscais e administrativos inerentes à gestão pública. “O que observo é que os discursos dos candidatos são feitos como se o gestor público não se defrontasse com restrições orçamentárias, como se as verbas públicas fossem ilimitadas para atender a todas as demandas da sociedade”, afirma.

Nesse contexto, o economista destaca a elevada dependência do Maranhão de transferências federais, a necessidade de maior eficiência administrativa e os impactos da elevada carga tributária sobre o desenvolvimento econômico do estado. “O Maranhão possui o maior ICMS do Brasil. Se, por um lado, isso amplia a arrecadação do Estado, por outro, acaba afastando investimentos e dificultando o crescimento dos negócios”, observa.

Ainda segundo ele, a melhoria dos indicadores e o desenvolvimento do estado passam, principalmente, pelo fortalecimento da educação. Na região Nordeste, Ceará, Pernambuco e Piauí são exemplos de estados que, após a elevação dos indicadores educacionais, passaram a reunir melhores condições para o desenvolvimento econômico.

O Maranhão ainda caminha a passos lentos nessa direção e, segundo os últimos dados do Índice de Desenvolvimento da Educação Básica (Ideb) de 2023, enfrenta um contraste. Enquanto o ensino fundamental superou a meta prevista para os anos iniciais, os resultados dos anos finais e do ensino médio não foram satisfatórios, indicando dificuldades para manter a qualidade do ensino ao longo da trajetória escolar.

Para Éden Júnior, o próximo governo deve combinar responsabilidade fiscal com políticas capazes de estimular o crescimento econômico de forma sustentável. Ele destaca que a redução da carga tributária, os investimentos permanentes em educação e o aperfeiçoamento dos programas sociais são peças-chave para os próximos quatro anos.

Questionado sobre quais compromissos deveriam ser cobrados dos candidatos ao Governo do Maranhão, o economista afirma que a principal preocupação do eleitor deve ser avaliar a viabilidade das propostas apresentadas durante a campanha.

“O cidadão precisa questionar se aquilo que está sendo prometido é compatível com a realidade financeira do Estado. As políticas públicas dependem de recursos limitados e de uma gestão eficiente. Por isso, saúde, educação, segurança, saneamento e geração de emprego precisam ser tratados com planejamento e responsabilidade.”

Mesmo com os avanços pontuais dos últimos anos, os desafios históricos enfrentados pelo estado precisam ser combatidos com políticas sólidas de longo prazo e devem estar no centro do debate eleitoral. Desenvolvimento econômico, geração de renda e qualidade dos serviços públicos certamente estarão em pauta até o pleito.

Para além das promessas de campanha, o cenário atual evidencia a necessidade de propostas mais aprofundadas e direcionadas para transformar crescimento econômico em desenvolvimento social, com benefícios reais para a vida e o cotidiano da população.

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