
A Multimodal Nordeste 2026 ocorre entre os dias 4 e 6 de agosto, das 14h às 20h, no Recife Expo Center, na capital pernambucana. Com mais de 140 marcas expositoras e expectativa de receber cerca de 9 mil visitantes, a feira reúne empresas, operadores logísticos, gestores públicos, investidores e especialistas para discutir inovação, transporte, armazenagem, comércio exterior e os principais desafios da infraestrutura logística do Nordeste.
A Multimodal Nordeste reúne empresas, operadores logísticos, gestores públicos, investidores e especialistas para discutir os principais desafios e oportunidades da cadeia logística. Além da área de exposição, a programação inclui debates sobre infraestrutura, regulação, tecnologia, gestão, gerenciamento de risco e boas práticas.
A edição de 2026 ocorre em um momento de expansão da atividade econômica no Nordeste, impulsionada pelo agronegócio, pela indústria e pelo comércio. Em paralelo, a região ainda enfrenta desafios para integrar rodovias, ferrovias, portos e centros de distribuição, condição apontada pelo setor como essencial para aumentar a competitividade e reduzir custos logísticos.
Programação reflete os desafios da logística regional
O diretor da Multimodal Nordeste, Rodrigo da Fonte, afirma que a programação foi construída para refletir os principais temas que impactam o setor, reunindo debates sobre legislação, regulação, infraestrutura, gestão, tecnologia, gerenciamento de risco e boas práticas. Segundo ele, os assuntos dialogam diretamente com os desafios e as oportunidades da logística na região.
“Não é por acaso que esses são os assuntos escolhidos, pois representam exatamente os pontos de atenção e de oportunidade que o setor vive hoje no Nordeste”, destaca.
Da Fonte também explica que o painel Conecta foi estruturado para aproximar especialistas e profissionais que atuam diretamente nas operações logísticas, promovendo a troca de experiências e soluções aplicáveis à realidade do mercado.
“O painel Conecta foi pensado para trazer insights práticos e valiosos para quem convive com esses desafios no dia a dia da operação, aproximando quem discute a pauta de quem efetivamente a executa”, ressalta.
Entre os destaques da programação está o lançamento de um diagnóstico sobre a competitividade da logística no estado. O documento passa a reunir análises sobre infraestrutura, burocracia, mão de obra e outros fatores que impactam o desempenho do setor, com atualizações periódicas para acompanhar a evolução desses indicadores.
“Mais do que um retrato pontual, esse diagnóstico terá um balanço semestral e passará por revisão completa anualmente, ou seja, será um instrumento vivo e atualizado”, explica.
Segundo ele, a proposta vai além de identificar problemas, buscando alinhar prioridades entre os diferentes agentes do setor e orientar a formulação de políticas públicas e investimentos.
“A ideia não é apenas cobrar avanços do poder público, mas unificar a pauta do transporte entre os diferentes agentes e servir como um norte para orientar os investimentos do governo no setor”, acrescenta.
Infraestrutura e integração permanecem no centro do debate
Ao avaliar os desafios para que o crescimento econômico do Nordeste seja acompanhado por uma logística mais eficiente, Rodrigo da Fonte afirma que ampliar os investimentos em infraestrutura e fortalecer a integração entre os modais continuam sendo prioridades para o país.
“Existe uma unanimidade — não só no Nordeste, mas no Brasil como um todo — de que a prioridade é a infraestrutura e a integração da malha logística, com menor dependência do modal rodoviário. Isso é praticamente consenso no setor”, observa.
O diretor pondera, no entanto, que a qualificação profissional também precisa ganhar espaço para que os investimentos produzam resultados efetivos.
“Mas, para ir além do óbvio, eu colocaria a qualificação da mão de obra como uma prioridade igualmente importante e muitas vezes deixada em segundo plano. De nada serve investir em infraestrutura moderna e em novos modais se não houver profissionais qualificados para operá-los com eficiência e segurança”, conclui.
Burocracia, custos e juros limitam a competitividade
Na avaliação do diretor operacional da CIAT Logística Integrada, André Maciel, a burocracia, o excesso de regulamentação em alguns modais e os custos do transporte rodoviário continuam entre os principais entraves para a logística nordestina.
“Hoje, a burocracia e o excesso de regulamentação em alguns modais figuram entre os principais gargalos, somados aos altos custos atrelados aos riscos que envolvem o transporte rodoviário, seja por sinistros, seguros ou pela própria insegurança nas rodovias. Esses fatores encarecem a operação e reduzem a competitividade das empresas da região frente a outros mercados”, afirma.
Segundo o executivo, o ambiente macroeconômico também influencia a capacidade de investimento das empresas.
“De forma mais transitória, os altos juros também têm um peso importante, já que dificultam investimentos em modernização e expansão que poderiam, no médio prazo, tornar a logística nordestina mais eficiente”, observa.
Integração entre modais é apontada como caminho
Para Maciel, a competitividade logística depende da integração entre os diferentes modais de transporte, e não da atuação isolada de cada um deles.
“A integração entre os modais é o fator decisivo para uma logística verdadeiramente competitiva. Nenhum modal, isoladamente, é capaz de resolver os desafios logísticos de uma região do tamanho e da complexidade do Nordeste. É a combinação entre eles que gera eficiência real”, avalia.
Nesse contexto, o executivo considera que projetos como a Ferrovia Transnordestina podem ampliar a eficiência da cadeia logística ao fortalecer a conexão entre rodovias, ferrovias, portos e centros de distribuição.
“A escala oferecida pela ferrovia é um elemento decisivo: ela é capaz de movimentar grandes volumes a custos competitivos, complementando o rodoviário e viabilizando o acesso a portos e centros de distribuição. Iniciativas como a Transnordestina, portanto, não devem ser vistas isoladamente, mas como parte de um sistema logístico integrado”, ressalta.
Tecnologia amplia eficiência operacional
A feira também apresenta soluções voltadas à digitalização das operações, inteligência artificial aplicada ao comércio exterior, terminais 100% eletrificados e novos modelos de armazenagem, refletindo a crescente demanda do mercado por ganhos de produtividade e eficiência.
Na avaliação de André Maciel, o setor dispõe atualmente de tecnologias capazes de atender empresas de diferentes portes e perfis operacionais.
“Um dos pontos mais interessantes é justamente a diversidade: há soluções para todo tipo de empresa e de porte, e a tecnologia certa é aquela que se encaixa sob medida na realidade de cada operação. Hoje o mercado oferece tecnologias suficientes para que qualquer empresa, independentemente do tamanho, encontre a que melhor se adapta às suas necessidades”, explica.
O executivo destaca ainda que a evolução das plataformas tecnológicas tornou mais simples a integração entre diferentes sistemas utilizados pelas empresas.
“Um diferencial importante do momento atual é a facilidade de integração entre essas soluções, o que antes era um obstáculo hoje se tornou um processo muito mais simples e acessível”, finaliza.